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O mercado global já se acomoda ao cenário de protecionismo dos EUA?
Publicado 03/07/2026 • 11:40 | Atualizado há 4 meses
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Publicado 03/07/2026 • 11:40 | Atualizado há 4 meses
KEY POINTS
O mercado global já vem se acomodando a um cenário de maior protecionismo e de redução do comércio internacional sob a administração de Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (3) Marcelo Cabral, CEO e sócio-fundador da Stratton Capital, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
“O mercado já está se acostumando com elas”, disse Cabral, ao comentar as declarações recentes de Trump à CNBC americana. Segundo ele, o presidente dos Estados Unidos mantém, desde o início do segundo mandato, uma postura “extremamente polêmica” e “disruptiva”, capaz de elevar a incerteza e a volatilidade nos mercados internacionais.
Apesar do impacto imediato causado por entrevistas e declarações do republicano, Cabral avalia que investidores já conseguem separar parte da retórica política dos fundamentos econômicos. Ainda assim, ele afirmou que há mudanças estruturais em curso na economia americana, especialmente no aumento das tarifas e no fechamento comercial.
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Segundo Cabral, uma das constantes da política de Trump é a tentativa de reindustrializar os Estados Unidos. Nesse contexto, o aumento de tarifas não representa um tratamento exclusivo ao Brasil, mas parte de uma dinâmica mais ampla de protecionismo americano.
“O tarifaço no Brasil, tanto o primeiro como agora, não é um tratamento especial ao Brasil. É uma dinâmica de fechamento da economia americana”, afirmou.
O executivo lembrou que a política tarifária também afeta países historicamente aliados dos Estados Unidos, como Inglaterra, Japão e integrantes da Europa. Para ele, a China recebe atenção especial por disputar com os americanos a hegemonia econômica global.
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Cabral disse que o mercado financeiro tem ajustado os preços dos ativos internacionais a esse novo ambiente. “O preço dos ativos internacionais está se acomodando para esse novo cenário de protecionismo, de desglobalização e de uma redução de fato no comércio internacional”, afirmou.
Para Cabral, Trump usa uma estratégia de negociação marcada por declarações de forte impacto. O presidente americano, segundo ele, costuma apresentar posições duras, gerar pressão política e midiática e, depois, negociar algum tipo de acomodação. “O Trump tem esse estilo de negociar, onde ele coloca um valor super elevado, cria esse impacto no mercado, impacto na mídia, gera manchete e depois acaba negociando”, disse.
Ainda assim, o executivo ressaltou que o aumento das tarifas não pode ser visto apenas como retórica. Segundo ele, desde janeiro de 2025, quando começou a atual administração Trump, as tarifas americanas subiram de forma expressiva e já afetam empresas e setores da economia dos Estados Unidos.
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“Existe sem dúvida uma hipérbole retórica por parte do Trump, mas é uma realidade inquestionável que os Estados Unidos hoje são uma economia mais fechada e mais protecionista”, afirmou.
Cabral avalia que a negociação entre Brasil e Estados Unidos será técnica, mas difícil. Segundo ele, além do debate tarifário, há um pano de fundo geopolítico que pesa contra o Brasil na visão da Casa Branca. “A percepção dos Estados Unidos é que o Brasil saiu, desviou da esfera de influência americana e está cada vez mais próximo da China”, afirmou.
Para o executivo, essa leitura é sensível para Washington porque ocorre em meio à disputa entre Estados Unidos e China pela liderança econômica global. Ele afirmou que os americanos perderam influência estratégica na América Latina após anos de menor atenção à região.
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Cabral destacou que a China se tornou mais relevante que os Estados Unidos para o Brasil no comércio exterior, embora o investimento direto americano no país ainda seja maior. Na avaliação dele, o ponto que mais incomoda a administração Trump é a percepção de alinhamento geopolítico brasileiro com Pequim.
Segundo Cabral, a tarifa entra, nesse contexto, quase como um instrumento de pressão política. “O objetivo do Donald Trump é trazer o Brasil de volta para a esfera de influência americana”, afirmou.
Ele disse ainda que declarações brasileiras sobre substituir o dólar ou criar uma moeda dos Brics são mal recebidas nos Estados Unidos e dificultam o ambiente de negociação.
“Isso é extremamente mal recebido e coloca o Brasil numa posição de um país hostil”, afirmou Cabral. “Dificulta todo o relacionamento técnico, toda a conversa empresarial que pode acontecer com as tarifas.”
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