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Trump: disposto a governar Venezuela como exemplo para América Latina
Publicado 03/01/2026 • 22:30 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 03/01/2026 • 22:30 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
REUTERS/Jonathan Ernst
O presidente dos EUA, Donald Trump
Ao derrubar e retirar o líder venezuelano Nicolás Maduro, o presidente Donald Trump demonstrou que está disposto a dar todos os passos necessários para reviver a supremacia americana na América Latina, custe o que custar.
A ousada captura de Maduro e de sua esposa foi apresentada neste sábado (3) não como uma vitória da democracia na Venezuela, mas da hegemonia militar esmagadora de Washington, que mobilizou 150 aeronaves para a operação.
Em uma coletiva de imprensa de tom triunfal e desafiador, Trump voltou a lembrar a aliados e adversários que coloca os Estados Unidos acima de qualquer outro interesse ou parceria.
Washington governará a Venezuela pelo tempo que considerar necessário, em colaboração com quem julgar apropriado, e o objetivo passa agora a ser o petróleo, que poderá ser protegido pelas armas.
Trump apontou o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, e o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, como parte da “equipe” que governará o país sul-americano, com mais de 31 milhões de habitantes e quase um milhão de km².
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“Vamos estar presentes na Venezuela no que diz respeito ao petróleo, porque vamos enviar nossos especialistas. Então talvez precisemos de algo [de presença militar], não muito”, explicou o presidente.
“Vamos extrair uma quantidade tremenda de riqueza do subsolo, e essa riqueza irá para o povo da Venezuela e para pessoas fora da Venezuela que costumavam estar na Venezuela, e também irá para os Estados Unidos da América na forma de reembolso pelos danos que [a Venezuela] nos causou”, indicou.
Trump foi inclusive categórico quanto ao papel que poderia desempenhar a prêmio Nobel da Paz e líder da oposição, María Corina Machado.
“Ela é uma mulher muito agradável, mas não inspira respeito”, declarou.
Machado deixou a Venezuela para receber o Nobel graças ao apoio decisivo dos Estados Unidos e agora se encontra fora do país em momentos cruciais.
A situação extremamente volátil em que a Venezuela passa a se encontrar parece agora jogar a favor de Trump, especialista em tirar o máximo proveito do caos político.
“Eles têm uma vice-presidente que acabou de ser empossada como presidente há pouco”, revelou Trump na coletiva de imprensa, em alusão a Delcy Rodríguez, apenas horas após a queda de Maduro.
“Ela teve uma longa conversa com Rubio e disse: ‘faremos tudo o que vocês precisarem'”, assegurou Trump.
“Na verdade, não lhe resta outra opção”, acrescentou.
Maduro “é o único presidente da Venezuela”, declarou depois Rodríguez, em Caracas.
Kevin Whitaker, ex-diplomata americano veterano especializado em América Latina, inclusive na Venezuela, disse que ficou “extremamente surpreso” ao ouvir Trump minar Machado.
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Seguir no Google“Este parece ser um caso em que o governo Trump, ao menos aparentemente neste momento, está tomando decisões sobre o futuro democrático da Venezuela sem se remeter ao resultado democrático” das eleições, afirmou Whitaker, hoje no centro de análise Conselho Atlântico.
Esse ataque “acho que é apenas o começo de uma nova fase do que eu chamaria de negociação coercitiva”, declarou à AFP Evan Ellis, professor e pesquisador sobre a América Latina no Colégio de Guerra do Exército dos Estados Unidos.
“De acordo com nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio dos Estados Unidos na América Latina nunca mais será questionado”, assegurou Trump.
A Casa Branca publicou há menos de um mês uma nova orientação de sua política externa que ressuscitou a chamada Doutrina Monroe, em referência ao presidente James Monroe.
Em pleno século XIX, Monroe anunciou que não permitiria o intervencionismo europeu na região, que passava a ser o “quintal” de Washington.
Essa doutrina “nós ampliamos, e muito”, vangloriou-se Trump.
Questionado sobre o que os americanos ganham com um governo que dirija os assuntos da Venezuela, Trump respondeu: “queremos nos cercar de bons vizinhos”.
“Queremos nos cercar de estabilidade, com energia. Temos uma quantidade tremenda de energia naquele país. É muito importante que a protejamos”, acrescentou
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