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Trump receberá Xi com honras de Estado em meio a negociações sobre comércio e inteligência artificial

Publicado 23/09/2026 • 16:25 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Trump deverá receber Xi Jinping pessoalmente na Joint Base Andrews, uma prática rara entre presidentes americanos.
  • Comércio, inteligência artificial, Taiwan e o relacionamento com o Irã estão entre os temas previstos para as negociações.
  • Analistas citados no material veem como possibilidade principal a extensão da trégua comercial entre Estados Unidos e China.

Foto por BRENDAN SMIALOWSKI / POOL / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepara uma recepção incomum para o presidente da China, Xi Jinping, que chega a Washington nesta quarta-feira (23) para uma reunião de cúpula entre as duas maiores economias do mundo. Trump pretende receber pessoalmente o líder chinês no aeroporto, em uma programação que inclui banquete de Estado e sobrevoo militar, enquanto as expectativas de avanços concretos em temas como comércio, inteligência artificial e Irã permanecem limitadas.

Segundo a emissora estatal chinesa CCTV, Xi deixou Pequim nesta quarta-feira em um voo oficial acompanhado da mulher, Peng Liyuan, do principal assessor, Cai Qi, e do ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, entre outros integrantes da delegação.

Trump e a primeira-dama Melania Trump deverão viajar até a Joint Base Andrews, em Maryland, próxima de Washington, para receber Xi na pista às 18h, no horário local.

A recepção pessoal no aeroporto é rara para presidentes americanos. Além de Trump, um dos casos recentes mais destacados ocorreu no ano passado, quando o presidente recebeu o líder russo Vladimir Putin durante visita ao Alasca. Os últimos precedentes conhecidos em Andrews, além de visitas papais, incluem a recepção do primeiro-ministro britânico Harold Macmillan por John F. Kennedy, em 1962, e a de Nikita Khrushchev, líder da União Soviética, por Dwight Eisenhower, em 1959.

Xi, por outro lado, não recebeu Trump pessoalmente no aeroporto durante a visita do presidente americano a Pequim em maio. Na ocasião, Trump foi recebido pelo vice-presidente chinês.

Comércio, IA e Taiwan

As reuniões entre Trump e Xi estão previstas para quinta-feira (24), com uma agenda que inclui temas econômicos e geopolíticos.

A inteligência artificial deve estar entre os assuntos discutidos, diante da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Apesar das preocupações internacionais sobre os riscos associados ao avanço dos sistemas de IA, há poucas expectativas de que os dois países cheguem a um acordo abrangente sobre regulação da tecnologia.

Em conversas preliminares realizadas no domingo, os secretários do Tesouro dos dois países, Scott Bessent e He Lifeng, discutiram a possibilidade de criar um canal de comunicação específico para questões relacionadas à IA, mas divulgaram poucos detalhes.

A disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo e as tensões em torno de Taiwan também devem ocupar espaço central nas negociações. A China mantém como instrumento de pressão o domínio sobre a produção de terras raras, minerais estratégicos utilizados em produtos de alta tecnologia e importantes para a indústria americana.

Outro tema potencial é o Irã. Trump, porém, reduziu a importância de discutir alegações de que a China teria fornecido imagens de satélite a Teerã para apoiar ações contra tropas americanas no Oriente Médio.

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Para Jonathan Czin, do Brookings Institution, as expectativas em relação ao encontro são baixas e um dos principais resultados possíveis seria a extensão da trégua comercial acertada anteriormente entre os dois governos.

“Eu acho que haverá alguma extensão do acordo informal”, afirmou Czin.

Analistas também avaliam que Pequim pode estar adotando uma visão de mais longo prazo em relação a Trump, cujo segundo mandato termina no início de 2029. Nesse cenário, a atual trégua comercial poderia ser utilizada pela China para consolidar sua posição enquanto aguarda os próximos movimentos da relação bilateral.

Cerimônia e críticas

A recepção preparada por Trump contrasta com o histórico recente de críticas do presidente à China durante seu primeiro mandato, especialmente em temas relacionados ao comércio e à pandemia de Covid-19.

A programação também recebeu críticas dentro do próprio Partido Republicano. O senador Roger Wicker, presidente da Comissão de Serviços Armados do Senado, afirmou que teria recomendado contra uma recepção tão grandiosa ao líder chinês.

“Nosso comandante em chefe deveria ter em mente que seu convidado é um ditador brutal, não eleito e opressivo”, disse Wicker.

Para Trump, a visita também ocorre em um momento de dificuldades domésticas e de continuidade da guerra com o Irã. O encontro permite concentrar a agenda diplomática em uma cerimônia de alto nível enquanto os dois governos tentam preservar a estabilidade nas relações.

A programação de Xi em Washington termina na manhã de sexta-feira (25). Os dois casais presidenciais deverão tomar chá na Casa Branca e visitar os Arquivos Nacionais, onde está guardada a Declaração de Independência dos Estados Unidos.

A sequência de eventos reforça o caráter simbólico da visita, mas os principais resultados do encontro dependerão das negociações sobre comércio, tecnologia, Taiwan e outros temas estratégicos da relação entre Washington e Pequim.

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