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Trump x Xi: como a inteligência artificial virou arma geopolítica e peça-chave no encontro entre EUA e China

Publicado 24/09/2026 • 08:00 | Atualizado há 50 minutos

KEY POINTS

  • IA entra no centro da reunião entre Trump e Xi, em meio à disputa tecnológica entre Estados Unidos e China.
  • Chips e investimentos ampliam a competição, com Washington restringindo o acesso chinês a tecnologias avançadas.
  • Um possível mecanismo de notificação sobre incidentes de IA está entre os temas discutidos pelos dois países.

AFP

Trump e Xi Jimping

O presidente da China, Xi Jinping, chegou aos Estados Unidos nesta quarta-feira (23), e já tem encontro marcado com Donald Trump nesta quinta-feira (24). Em meio às tensões entre os dois países, que envolvem desde tarifas até acusações de espionagem, um tema central entra na pauta: a inteligência artificial.

Nos últimos dias, a IA se tornou alvo de um intenso debate, principalmente entre os principais CEOs do setor. De um lado, Dario Amodei, da Anthropic, Elon Musk, da SpaceX, e Sam Altman, da OpenAI, defenderam uma postura mais cautelosa em relação ao avanço da tecnologia. Do outro, Jensen Huang, da Nvidia, e Mark Zuckerberg, da Meta, se posicionaram contra a ideia de desacelerar o desenvolvimento da IA.

Donald Trump também entrou no debate. Nas últimas semanas, o presidente americano afirmou em diferentes ocasiões que os alertas sobre os riscos da IA eram uma farsa. Ao mesmo tempo, um dos principais fatores por trás da disputa tecnológica é a competição com a China, que vem ampliando sua presença no setor.

Leia também: OpenAI e Anthropic defendem ação internacional sobre riscos da IA em meio a divergência com Trump

É nesse contexto que os presidentes das duas maiores potências econômicas do mundo se encontram. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o especialista Elemar Júnior, da eximia.co, explica que a perspectiva de Trump é marcada pela disputa tecnológica entre os dois países. “Existe uma corrida entre Estados Unidos e China agora, e tentar pisar no freio pode ser um problema para o país.”

Segundo o especialista, uma eventual regulamentação da inteligência artificial dependeria de um entendimento entre Estados Unidos e China, já que nenhum dos dois países teria interesse em perder espaço nessa competição. A possibilidade de um acordo, porém, não é alta neste momento.

“Nem o Xi Jinping, nem o Donald Trump manifestam publicamente que têm intenção de pisar no freio. Na prática, o que eles vão tentar conversar agora é sobre criar um mecanismo”, afirma Elemar.

O tema já foi mencionado pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que afirmou que Washington propôs à China um “mecanismo de notificação” para que os dois países comuniquem um ao outro incidentes relacionados à IA que possam atingir o nível de ameaça à segurança nacional.

Mas ainda estão em aberto questões como o que seria considerado um incidente de segurança nacional, quem deveria ser notificado, em quanto tempo essa comunicação ocorreria e quais seriam as consequências.

“Eles têm também um outro tema bastante sensível, que não é diretamente relacionado com a IA, mas tem envolvimento também, que é com relação ao controle de tecnologia sensível”, complementa Elemar Júnior.

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A disputa além da IA

A competição pela liderança em inteligência artificial não envolve apenas avanços tecnológicos, mas também toda uma cadeia econômica, com impactos sobre produtividade, trabalho e investimentos.

“É óbvio que a IA está mexendo nas relações de produtividade, na forma como as pessoas trabalham. Assim como a internet, lá atrás, representou uma transformação econômica, a IA também representa agora uma transformação em curso”, analisa Elemar.

Os investimentos já refletem essa disputa. Segundo o AI Index 2026, da Stanford HAI, o investimento privado em inteligência artificial nos Estados Unidos chegou a US$ 285,9 bilhões em 2025, mais de 23 vezes os US$ 12,4 bilhões investidos na China no mesmo período. O relatório ressalta, porém, que a comparação considera apenas o investimento privado e pode subestimar o volume total destinado à IA na China. Entre 2000 e 2023, fundos de orientação governamental chineses direcionaram uma estimativa de US$ 184 bilhões para empresas de inteligência artificial.

A disputa também passa pelo acesso aos chips. Em 2022, durante o governo Biden, os Estados Unidos restringiram a exportação de determinados chips e tecnologias para a China. Segundo Elemar, esse tema tem grande relevância para as negociações porque afeta diretamente a capacidade chinesa de desenvolver e testar sistemas de IA.

“Se você for pegar a quantidade de estudos acadêmicos relacionados à inteligência artificial, a China explodiu na quantidade de estudos. Só que, pra poder testar, eles precisam de acesso a tecnologia hardware mesmo, né? Que os Estados Unidos fornecem.”

A China, porém, também vem avançando na produção doméstica de chips. A Alibaba anunciou nesta semana seu chip mais avançado, enquanto a Huawei também apresentou um novo modelo.

É nesse cenário de pressão, disputa tecnológica e incerteza que Trump e Xi se encontram. Para Elemar Júnior, a reunião não deve produzir uma conclusão definitiva, mas pode estabelecer as posições de cada país para as próximas negociações.

“Eu acho que a gente não tá nesse ponto ainda. Parece ser uma reunião pra marcar posição. Estados Unidos marcando sua posição, China marcando sua posição, mas ainda é um diálogo que vai se estender por bastante tempo.”

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