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Uma semana após terremotos, Venezuela segue busca sobreviventes

Publicado 01/07/2026 • 09:06 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Venezuela continua a busca por sobreviventes enquanto tenta atender a população impactada pelos terremotos mais fortes dos últimos cem anos.
  • Alimentos e abrigos não são suficientes para todas as pessoas. Há informações de pessoas desabrigadas que permanecem nas ruas das cidades mais afetadas.
  • De acordo com a ONU, situação mais crítica e no estado de La Guaira, onde há escassez "generalizada" de alimentos e colapso de serviços essenciais.

Foto: AFP

Terremoto Venezuela.

Quase uma semana após os terremotos que deixaram quase 2 mil mortos e dezenas de milhares de desaparecidos, a Venezuela continua a busca por sobreviventes enquanto tenta atender a população que ficou sem moradia e meios de subsistência.

A crise humanitária se agrava diante da falta de alimentos e abrigo para dezenas de milhares de pessoas que permanecem nas ruas após os tremores.

A situação é mais crítica no estado de La Guaira, o mais atingido, onde há escassez “generalizada” de alimentos e colapso dos serviços básicos, segundo informou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Leia também: Operações de resgate prosseguem na Venezuela entre alertas de escassez e doenças

“Aqui distribuem provisões, mas às vezes as pessoas brigam pela comida. Isso parece uma rinha. Ontem houve agressões, é uma loucura”, relatou à AFP Daniela Armas, de 18 anos, que sofreu um ferimento no pé e teme voltar ao apartamento, que agora tem a estrutura comprometida, onde morava em Catia La Mar, em La Guaira.

Enquanto isso, equipes de resgate seguem procurando sobreviventes. Apesar de as chances diminuírem, os socorristas mantêm as buscas após o resgate, na terça (30), de um menino de três anos encontrado com vida sob os escombros de um edifício por uma equipe jordaniana.

Na noite de terça, uma equipe de resgatistas norte-americanos realizou buscas em um conjunto residencial de duas torres em Catia La Mar, mas encerrou os trabalhos após não encontrar sinais de pessoas vivas.

A sobrevivente Andrea Canónico, de 23 anos, contou que permaneceu 48 horas sob seis metros de escombros e atribuiu sua sobrevivência ao fato de ter conseguido manter a calma. “O principal em todo esse momento foi que nunca me desesperei”, afirmou à AFP em Los Corales, no estado de La Guaira.

O número oficial de mortos chegou a 1.943. A ONU, por sua vez, estima cerca de 50 mil desaparecidos após os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 registrados em 24 de junho, entre os mais fortes já registrados na América Latina.

Leia também: Mais de 58 mil edifícios foram danificados ou destruídos pelos terremotos na Venezuela

Embora o governo evite mencionar o número de desaparecidos, afirma que cerca de 30 mil pessoas estavam em La Guaira no dia dos terremotos. Dessas, 6.461 foram resgatadas e mais de 13 mil deixaram a área por conta própria ou com ajuda de familiares e amigos. Sobre as demais, não há informações.

Diante da dimensão da tragédia, o Programa Mundial de Alimentos da ONU solicitou à comunidade internacional US$ 50 milhões para alimentar aproximadamente 500 mil pessoas durante três meses.

Antes dos terremotos, a ONU estimava que quase 8 milhões de pessoas necessitavam de ajuda humanitária na Venezuela. A ACNUR também alertou para o aumento das tensões devido ao acesso limitado à assistência.

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Além da necessidade de alimentos e abrigo, cresce a preocupação com o risco de epidemias. A Organização Mundial da Saúde alertou para a pressão extrema sobre os serviços de saúde e para o risco de doenças como sarampo, difteria e coqueluche.

Leia também: Comunidade internacional corre contra o tempo para ajudar a Venezuela após tremores

“Precisaria de mais ajuda”, afirmou a médica Diorjailis Escalona, de 23 anos, que, apesar de se sentir “arrasada”, atua como voluntária e agradece o apoio internacional com equipes de resgate, medicamentos e alimentos.

O governo contabiliza cerca de 16 mil desabrigados, número bem inferior à estimativa da ONU de 7 milhões de pessoas nessa condição.

O porto de La Guaira, que havia ficado fora de operação juntamente com o principal aeroporto do país, foi reativado pela Marinha dos Estados Unidos para acelerar a chegada de ajuda humanitária.

O governo militarizou La Guaira e passou a exigir autorização para o acesso à área afetada.

Ao todo, 27 países mobilizaram cerca de 40 equipes de busca e resgate. Segundo a ONU, mais de 2 mil profissionais e mais de 160 cães participam das operações. O organismo também informou que fornecerá 10 mil bolsas mortuárias, embora espere que o número final de vítimas seja inferior.

Leia também: Ajuda dos EUA à Venezuela após terremotos chega a US$ 300 milhões

Entre os familiares que seguem à procura de desaparecidos está Rosanna Luna, de 44 anos, que busca a irmã, Soraida Torrealba, entre as ruínas do edifício onde ela morava em La Guaira. “Sinto que estou de mãos atadas porque não a encontro. Não sei nada dela”, lamentou.

Fotos de crianças, idosos e casais desaparecidos, acompanhadas de nomes, descrições e telefones para contato, circulam pelas redes sociais.

A NASA calcula que 58 mil edifícios foram danificados ou destruídos. Já a ONU estima prejuízos materiais de US$ 6,7 bilhões, o equivalente a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Em meio à devastação, desabrigados como Juan Cordero, técnico amador de futebol, procuravam levar algum alívio às crianças ao incentivá-las a brincar em um acampamento improvisado em Catia La Mar.

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