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Escalada de Israel no sul do Líbano mata 9 antes de nova rodada de negociações
Publicado 15/08/2026 • 17:28 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 15/08/2026 • 17:28 | Atualizado há 1 hora
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Ataques de Israel contra o sul do Líbano deixaram nove mortos, incluindo três crianças, neste sábado (15), segundo autoridades libanesas. A ofensiva foi a mais letal desde os acordos firmados em junho que reduziram as hostilidades entre Israel e o Hezbollah.
Israel afirmou que realizou ataques de retaliação contra o grupo apoiado pelo Irã. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, contestou a justificativa israelense e afirmou que sete das pessoas mortas em uma das ofensivas não eram “alvos militares”. Ele também pediu que Israel interrompa o que classificou como uma escalada “extremamente perigosa”.
Segundo a Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA), Israel “intensificou seus ataques contra o sul” nas primeiras horas deste sábado. Aviões de guerra atingiram uma residência nos arredores da vila de Ansar e realizaram uma “série de ataques aéreos contra a colina de Ali al-Taher”, ponto estratégico com vista para a região de Nabatieh.
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Posteriormente, a agência libanesa informou sobre outro ataque contra a cidade de Deir Zahrani, também no sul do país.
O Ministério da Saúde do Líbano informou que sete pessoas morreram em Ansar, “incluindo três crianças e duas mulheres”. Outras duas pessoas morreram e nove ficaram feridas em Deir Zahrani. Segundo a pasta, o número de vítimas nesse segundo ataque ainda era provisório.
Um correspondente da AFP em Ansar encontrou um prédio destruído e equipes de resgate trabalhando para retirar restos mortais dos escombros. Uma piscina próxima ao edifício estava coberta por uma camada acinzentada de poeira e destroços.
Abbas Khalil, de 60 anos, contou que fazia suas orações islâmicas no início da manhã quando o ataque aconteceu. “Ficamos em choque… Não há justificativa para isso”, relatou.
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O Exército israelense afirmou, em comunicado, que atingiu “infraestrutura terrorista do Hezbollah nas regiões de Nabatieh e Ansar”. Segundo Israel, a operação ocorreu “em resposta a uma ação da organização terrorista Hezbollah” contra soldados israelenses na região da colina de Ali al-Taher.
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, reagiu aos ataques e rejeitou a classificação dos alvos apresentada por Israel.
“Os sete mártires do ataque israelense contra a vila de Ansar não são ‘infraestrutura militar’, e as mulheres e crianças que foram mortas não são alvos militares”, afirmou Salam.
O premiê pediu a interrupção imediata das ações israelenses. “Israel deve interromper essa escalada”, disse, acrescentando que a situação é “extremamente perigosa e prejudica os esforços para consolidar a estabilidade no sul” do Líbano.
O Hezbollah levou o Líbano para a guerra no Oriente Médio em março, quando lançou foguetes contra Israel em apoio ao Irã, seu aliado.
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Israel respondeu com intensos ataques aéreos e uma invasão terrestre. Segundo autoridades libanesas, mais de 4.300 pessoas morreram desde então.
A violência diminuiu significativamente depois da assinatura, em junho, de um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã sobre a guerra mais ampla no Oriente Médio. Ainda naquele mês, Líbano e Israel chegaram a um acordo-quadro patrocinado pelos Estados Unidos.
Apesar da redução das hostilidades, autoridades libanesas continuam relatando ataques israelenses esporádicos, além de demolições em larga escala de edifícios civis em vilas e cidades do sul do país.
Em Ansar, ao lado da piscina coberta por poeira e destroços, Mohammed Saab, proprietário do imóvel atingido, afirmou que esperava todos os anos pelo verão para alugar o local.
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Siga o Times | CNBC“O que eu tenho aqui para que isso aconteça?”, questionou Saab, ainda em choque.
A NNA informou ainda que “o vale entre Ansar e Zarariyeh também foi alvo de um ataque”. Segundo a agência, foi a primeira ofensiva israelense a alcançar essa profundidade geográfica desde o cessar-fogo estabelecido há dois meses.
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Ansar fica a aproximadamente 20 quilômetros da fronteira com Israel e está localizada além da chamada “linha amarela”, demarcada pelo Exército israelense dentro do território libanês ao longo da fronteira, em uma área onde tropas de Israel estão operando.
O acordo-quadro entre Israel e Líbano prevê o desarmamento do Hezbollah, a retirada gradual das forças israelenses do sul libanês e o envio do Exército do Líbano para a região, inicialmente em determinadas “zonas-piloto”.
Na sexta-feira (14), o líder do Hezbollah, Naim Qassem, acusou as autoridades libanesas de submeter as Forças Armadas do país a uma pressão excessiva ao implementar os termos do acordo.
Israel e Líbano devem realizar no início de setembro, em Roma, a oitava rodada de negociações patrocinadas pelos Estados Unidos.
No início desta semana, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, visitou o sul do Líbano e prometeu manter tropas em uma chamada “zona de segurança” na região.
Katz afirmou ainda que as forças israelenses estavam “destruindo a infraestrutura subterrânea” e “destruindo todas as casas” existentes na área.
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Um funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou à AFP que “uma presença militar permanente no sul do Líbano não é compatível com os compromissos assumidos no acordo-quadro”.
O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou neste sábado que os ataques israelenses contra o sul do país representam um “recado claro” em relação às negociações entre Líbano e Israel, antes da próxima rodada de conversas patrocinadas pelos Estados Unidos em Roma.
Segundo comunicado divulgado por seu gabinete, Aoun condenou os “contínuos ataques israelenses” contra o sul libanês e as “repetidas violações do acordo-quadro”, além das normas do direito internacional destinadas à proteção de civis.
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O presidente destacou que as ações provocaram a morte de uma família inteira na vila de Ansar e relacionou diretamente a ofensiva ao diálogo em andamento entre os dois países.
“Essas violações são uma mensagem clara sobre o processo de negociação”, afirmou Aoun.
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