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Vinicius Torres Freire: Lula começou institucional, mas levou campanha eleitoral à ONU; Trump fez discurso dentro do esperado
Publicado 22/09/2026 • 22:20 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 22/09/2026 • 22:20 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou temas da campanha eleitoral brasileira à Assembleia Geral da ONU, enquanto Donald Trump fez um discurso “dentro do previsto”, com foco no Irã e na reafirmação do poder dos Estados Unidos. A avaliação é de Vinicius Torres Freire, comentarista de política e economia do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo Torres Freire, Lula começou o discurso com uma abordagem mais institucional, retomando princípios tradicionais da política externa brasileira, mas avançou depois sobre assuntos diretamente relacionados à disputa presidencial.
“Foi uma mistura dos dois, institucional e eleitoral”, afirmou.
Leia também: Lula na ONU: ‘Somos todos reféns do imobilismo’ do Conselho de Segurança
Ele destacou que o início da fala de Lula retomou temas recorrentes da diplomacia brasileira, como multilateralismo, não intervenção e resolução pacífica de conflitos.
Na sequência, porém, o presidente passou a tratar de questões domésticas. Segundo Torres Freire, a mudança ficou mais clara quando Lula falou sobre riscos à democracia e sobre uma eventual interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro.
“Começa aí a campanha eleitoral do Lula”, avaliou.
O presidente também levou à tribuna temas como segurança pública, apostas on-line e o fim da escala 6×1. Para Torres Freire, essas passagens podem ser aproveitadas posteriormente na comunicação eleitoral, principalmente em vídeos e redes sociais.
“Pode render cortes, pequenas cenas, pequenos vídeos para a campanha eleitoral e para as redes sociais”, afirmou.
O comentarista ponderou, no entanto, que é difícil medir o efeito dessas declarações sobre o eleitorado na reta final da campanha.
Torres Freire disse ainda que não identificou grandes surpresas no discurso de Lula, já que os principais temas estavam dentro das linhas esperadas para a fala do presidente.
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Ao analisar o discurso de Donald Trump, que falou depois de Lula, Torres Freire afirmou que a apresentação do presidente americano também permaneceu dentro de uma linha já conhecida.
“É tudo dentro do previsto”, afirmou.
Segundo Torres Freire, o principal tema de política internacional abordado por Trump foi novamente o Irã. O presidente americano voltou a pressionar Teerã em relação ao programa nuclear e ao conflito em andamento. A Casa Branca também destacou o Irã e a defesa dos interesses americanos entre os principais eixos da fala de Trump na ONU.
Para ele, porém, ainda não há uma solução clara para o conflito.
“O fato é que o Trump não tem nenhuma medida efetiva, não tem nenhuma carta na manga, como ele gosta de dizer, para acabar com essa guerra ou acabar com esse conflito ou com os danos que ele está causando”, afirmou.
O comentarista chamou atenção também para contatos entre representantes dos Estados Unidos e do Irã nos bastidores da Assembleia Geral. Na avaliação dele, a retomada de uma conversa direta pode representar um primeiro movimento em direção a novas negociações, embora um eventual acordo ainda envolva um processo complexo.
Outro ponto destacado por Torres Freire foi a América Latina. Trump afirmou que os Estados Unidos não permitirão que ameaças ganhem espaço no Hemisfério Ocidental e disse que poderá recorrer à força militar para proteger interesses americanos na região.
Na leitura do especialista, a declaração reforça a intenção de Washington de reafirmar sua influência sobre a América Latina.
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