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Café arábica perde espaço, e robusta premium assume protagonismo internacional
Publicado 06/12/2025 • 11:53 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 06/12/2025 • 11:53 | Atualizado há 5 meses
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Café é um dos principais produtos exportados pelo Brasil
Produtores de café robusta no Brasil estão investindo em qualidade para atender uma demanda global em alta e compensar riscos crescentes sobre o arábica, tipo mais sensível às mudanças climáticas. A tendência, que começou tímida há alguns anos, agora se consolida nos campos do Espírito Santo e já chega às cafeterias de alto padrão em São Paulo, Londres e Berlim.
Em uma loja da Oscar Freire, um expresso “fora do comum” chama atenção: cremoso, com notas de nibs de cacau e sem a acidez típica dos cafés especiais. A bebida é preparada com 100% robusta, variedade por muito tempo tratada como produto inferior, mais associada ao café solúvel. “É um café que faz uma crema incrível… e traz notas bem mais achocolatadas”, afirma Marco Kerkmeester, fundador da rede Santo Grão.
Com temperaturas mais altas e secas prolongadas, estudos indicam que até três quartos das áreas brasileiras ideais para arábica podem se tornar inadequadas até 2050. Nesse cenário, o robusta, mais resistente e de maior produtividade, virou uma aposta natural.
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O movimento está acelerando melhorias técnicas no pós-colheita, como secagem controlada, seleção rigorosa de grãos e uso de secadores modernos, que substituem métodos que empregavam fogo e comprometiam o sabor.
O Espírito Santo, responsável pela maior parte da produção nacional, quer elevar a oferta de robusta especial de 10 mil para 1,5 milhão de sacas por ano até 2032, segundo plano do governo estadual. A Cooabriel, principal cooperativa do setor, também amplia viveiros e treina produtores para adotar padrões antes restritos ao arábica.
O movimento não é só brasileiro. A Specialty Coffee Association (SCA) passou a incluir avaliações específicas de robusta, um marco simbólico para o setor. Agora, os padrões profissionais passam a reconhecer cafés especiais “independentemente da espécie”.
“A gente percebeu para onde o mercado estava indo”, diz Kim Ionescu, diretora de desenvolvimento estratégico da SCA. Em 2026, a entidade também vai revisar o glossário de sabores para incorporar atributos típicos do robusta fino, como especiarias aromáticas.
Marcas internacionais, como a Nguyen Coffee Supply, já pavimentam o caminho nos Estados Unidos. Na Europa, cafeterias em Londres e Berlim começam a apresentar robustas premium para um público acostumado à acidez do arábica.
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O robusta especial brasileiro já bateu US$ 295 por saca, mais que o dobro da média de 2021. No mercado futuro, os contratos valorizam mais de 80% desde 2021, enquanto o arábica subiu pouco mais de 60%.
“Ao melhorar a qualidade, você consegue aumentar a fatia de robusta nos blends de todo o mundo”, afirma Marcio Ferreira, presidente da Cecafe. Com o arábica mais caro, torrefações estão ajustando misturas e valorizando publicamente as características do robusta em seus espressos.
Mas especialistas destacam que não se trata de substituir o arábica, e sim de elevar o robusta ao patamar de um produto com identidade própria. “A ideia original do robusta especial era competir com o arábica especial”, diz Jordan Hooper, diretor da Sucafina. “Agora é assim: o robusta pode ser interessante por si só.”
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O consumo doméstico também tende a favorecer a mudança. “As pessoas, principalmente aqui, costumam gostar de café com mais corpo e amargor”, diz a barista Natalia Ramos Braga. Ela afirma que o paladar brasileiro está pronto para abraçar a variedade: “Se alguém prefere mais amargor e corpo, ótimo, temos um café para isso: o robusta.”
Com preços firmes, reconhecimento internacional crescente e um horizonte climático desafiador, o robusta brasileiro entra em uma nova fase, menos como substituto do arábica e mais como protagonista de um mercado que busca diversidade, estabilidade e novas experiências sensoriais.
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