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Nesta fotografia distribuída pela agência estatal russa Sputnik, o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente dos Emirados, Sheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan, caminham no Kremlin após suas conversas em Moscou em 7 de agosto de 2025.

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Ataques de Trump ao Fed colocam em risco a estabilidade financeira global, alerta ex-presidente do BCE

Publicado 14/01/2026 • 16:05 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Ex-presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, afirmou que a pressão do governo Trump sobre o Federal Reserve e a investigação criminal contra Jerome Powell podem ter consequências “gravíssimas” para a estabilidade financeira global.
  • Chefes de grandes bancos centrais, como o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu, divulgaram um comunicado conjunto em defesa da independência do Fed, alertando para os riscos de interferência política na política monetária.
  • Analistas e instituições financeiras avaliam que a erosão da autonomia dos bancos centrais pode elevar a vulnerabilidade econômica, afetar a confiança dos investidores e ampliar a instabilidade nos mercados internacionais.
This combination of pictures created on July 16, 2025 shows, L/R, US President Donald Trump in the Oval Office of the White House in Washington, DC, on July 16, 2025 and US Federal Reserve Chair Jerome Powell on Capitol Hill in Washington, DC on June 24, 2025. President Trump said on July 16, 2025, that he was not currently planning to fire Federal Reserve Chair Jerome Powell, but added that he did not rule it out. Trump's mixed messaging, after months of escalating attacks on the independent central bank chief, sent the yield on the 30-year US Treasury bond surging above five percent. (Photo by ANDREW CABALLERO-REYNOLDS and SAUL LOEB / AFP)

Andrew Caballero-Reynolds e Saul Loeb/AFP

Da esquerda para a direita, o presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, em 16 de julho de 2025, e o presidente do Federal Reserve dos EUA, Jerome Powell, no Capitólio, em Washington, DC, em 24 de junho de 2025.

Os ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Federal Reserve (Fed, o banco central americano) podem ter consequências “gravíssimas” para o sistema financeiro global. É o que alertou Jean-Claude Trichet, ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) e ex-governador do Banco da França, em entrevista à CNBC.

Segundo Trichet, o governo Trump estaria “tentando mudar as regras do jogo” ao romper com o consenso de independência dos bancos centrais que prevalece nas economias desenvolvidas há quase cinco décadas. Para ele, a politização da política monetária representa um risco direto à estabilidade financeira internacional.

O alerta ocorre após o presidente do Fed, Jerome Powell, revelar no domingo (11) que o Departamento de Justiça dos EUA abriu uma investigação criminal sobre a reforma de US$ 2,5 bilhões na sede da autoridade monetária. Powell afirmou que a apuração teria motivação política, em resposta à resistência do Fed em acelerar os cortes de juros exigidos por Trump.

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Na terça-feira (13), líderes de bancos centrais ao redor do mundo, entre eles Andrew Bailey, do Banco da Inglaterra, e Christine Lagarde, presidente do BCE, divulgaram um comunicado conjunto em defesa de Powell.

Para Trichet, a situação nos Estados Unidos começa a se assemelhar ao funcionamento de políticas monetárias em países emergentes com instituições frágeis. Ele afirmou que a “situação é extremamente grave”.

“Um Federal Reserve que seja o mais obediente servidor do Poder Executivo não é o que está previsto na Constituição dos EUA. O Fed responde ao Congresso, não ao Executivo”, afirmou.

O ex-presidente do BCE também chamou atenção para o cenário fiscal americano e global. Segundo ele, há um “consenso bipartidário” nos Estados Unidos para ampliar gastos públicos, o que aumenta a vulnerabilidade econômica e política em um ambiente de elevado endividamento.

“O que se observa nos EUA também vale, em maior ou menor grau, para a economia global como um todo. Estamos numa situação em que o endividamento, tanto público quanto privado, comparado ao PIB, está hoje mais alto… [do] que antes da quebra do Lehman Brothers”, disse.

Para Trichet, os mercados estariam subestimando os riscos. “O mercado está calmo demais diante dos riscos que existem por aí”, afirmou.

Ele acrescentou que uma eventual submissão do Fed ao Executivo seria prejudicial para a economia mundial.

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“Estamos vivendo um momento de grande vulnerabilidade da economia global. Também precisamos levar isso em conta. É um dos motivos pelos quais a desestabilização da relação entre o Executivo e o Federal Reserve nos EUA… é extremamente preocupante, sem dúvida alguma.”

Além da preocupação com os Estados Unidos, o Citi alertou que governos populistas na Europa também podem, no futuro, colocar em risco a independência dos bancos centrais, ampliando a instabilidade no sistema financeiro internacional.

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