CNBC

Chefe da UE condena “ataques injustificáveis” do Irã aos Emirados Árabes Unidos

Energia

Fechamento do Estreito de Ormuz pode gerar recessão e elevar a inflação global, diz ex-embaixador

Publicado 28/02/2026 • 20:20 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel levanta preocupações sobre os impactos no comércio global e na economia internacional.
  • Para o ex-embaixador brasileiro Roberto Abdenur, a crise atual tem raízes históricas profundas e pode provocar forte instabilidade nos mercados.
  • O fechamento do Estreito de Ormuz é um dos fatores mais preocupantes da atual escalada militar.

O agravamento do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel levanta preocupações sobre os impactos no comércio global e na economia internacional. Para o ex-embaixador brasileiro Roberto Abdenur, a crise atual tem raízes históricas profundas e pode provocar forte instabilidade nos mercados nas próximas semanas.

Segundo ele, a hostilidade entre Irã e Estados Unidos remonta à década de 1950, quando o então primeiro-ministro iraniano Mohammad Mossadegh nacionalizou o petróleo do país em 1951. A medida provocou reação de Washington e de Reino Unido, que apoiaram um golpe de Estado em 1953, fortalecendo o governo do xá Mohammad Reza Pahlavi.

A insatisfação com esse regime levou, décadas depois, à Revolução Islâmica do Irã de 1979, que estabeleceu a atual república islâmica e aprofundou as tensões entre Teerã e o Ocidente.

Leia também: Autoridades israelenses dizem ter encontrado o corpo de Khamenei, líder supremo iraniano

Inflação global e recessão

O aumento das tensões geopolíticas também levanta preocupações sobre os efeitos na economia mundial. Conflitos envolvendo grandes produtores de energia, como o Irã, podem pressionar os preços do petróleo e alimentar a inflação global, que já preocupa autoridades econômicas em diversos país.

Na avaliação do ex-embaixador, a abertura dos mercados globais deve refletir o clima de incerteza.

O encarecimento de energia e commodities tende a elevar custos de produção e transporte, impactando consumidores e empresas. Nesse cenário, instituições como o Fundo Monetário Internacional alertam que choques prolongados nos preços podem desacelerar o crescimento econômico e aumentar o risco de recessão em algumas regiões do mundo.

Ele destaca que o Irã já lançou mísseis contra bases americanas em países do Golfo, como Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, embora ainda não haja confirmação completa sobre os danos provocados. “Os mercados devem abrir muito nervosos”, terminou.

Experiência histórica com crises do petróleo

Abdenur relembra que acompanhou de perto os efeitos dessas tensões durante a segunda crise do petróleo no fim da década de 1970. Na época, o Brasil dependia de importações para cerca de 85% do petróleo consumido no país, principalmente de países do Oriente Médio.

Ele relata que, diante do risco de desabastecimento, autoridades brasileiras buscaram suprimento emergencial em países da América Latina.

“Conseguimos uma atitude muito generosa da Venezuela, que forneceu petróleo ao Brasil, e depois repetimos a iniciativa no México”, afirmou.

Anos depois, já como representante brasileiro na Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena, Abdenur acompanhou as primeiras revelações sobre o programa nuclear iraniano, que teria sido conduzido secretamente em violação ao Tratado de Não Proliferação Nuclear.

Leia também: Por que o conflito EUA-Irã coloca em risco 20% do petróleo mundial?

Estreito de Ormuz no centro da crise

Para o diplomata, o fechamento do Estreito de Ormuz é um dos fatores mais preocupantes da atual escalada militar. A rota marítima concentra cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente.

Mesmo com estoques internacionais relativamente elevados, a interrupção do tráfego na região pode provocar forte alta nos preços da energia.

“O fechamento do estreito elevará brutalmente os preços do petróleo, causando inflação global e possivelmente uma recessão em vários países”, afirmou.

Impacto para o Brasil

De acordo com Abdenur, o impacto para o Brasil hoje seria diferente do observado nos anos 1970. Atualmente, o país é um grande produtor de petróleo e exporta parte relevante da produção.

De acordo com ele, o Brasil produz cerca de 4,3 milhões de barris por dia e exporta entre 1,7 milhão e 1,8 milhão de barris diariamente.

Assim, o principal risco não seria falta de petróleo, mas sim os efeitos indiretos da alta dos preços sobre a economia mundial.

“O problema não é mais escassez de petróleo, mas uma elevação exponencial dos preços com impacto negativo sobre a economia internacional e também sobre a nossa”, explicou.

Leia também: Chanceler do Irã diz que líder supremo está vivo apesar da ofensiva de Israel e EUA

Mudança de regime é improvável

Abdenur também avalia como improvável uma mudança rápida de regime no Irã, apesar da pressão internacional.

Segundo ele, a estrutura política e militar do país, especialmente a Guarda Revolucionária Islâmica, oferece sustentação ao governo mesmo diante de ataques externos.

“O regime tem forte capacidade de controle e repressão. Mesmo que lideranças sejam eliminadas, a estrutura de poder tende a permanecer”, avaliou.

Para ele, os ataques ao Irã continuarão sendo conduzidos principalmente pelos Estados Unidos e por Israel, enquanto países do Golfo atingidos por mísseis iranianos não possuem capacidade militar ofensiva significativa para atacar diretamente o território iraniano.

Nesse cenário, o principal risco para a economia mundial é que o conflito se prolongue, mantendo elevados os níveis de tensão geopolítica e de volatilidade nos mercados internacionais.

Leia mais: Petróleo a US$ 90? Ataque dos EUA e Israel contra o Irã deve acelerar preço da commodity nas próximas semanas

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Energia

;