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Guerra entre EUA e Irã derruba ações de viagens; veja o que explica a maior queda desde a pandemia

Publicado 02/03/2026 • 12:00 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • A escalada das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provocou um forte abalo no setor global de turismo e aviação nesta segunda-feira (02), levando a uma das quedas mais acentuadas nas ações de empresas de viagens desde o início da pandemia de covid-19.
  • O fechamento de espaços aéreos no Oriente Médio, a suspensão de voos e a disparada do petróleo pressionaram companhias aéreas, operadoras de turismo, hotéis e empresas de cruzeiros.

Foto: Fotos Públicas

Guerra entre EUA e Irã derruba ações de viagens; veja o que explica a maior queda desde a pandemia

A escalada das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provocou um forte abalo no setor global de turismo e aviação nesta segunda-feira (02), levando a uma das quedas mais acentuadas nas ações de empresas de viagens desde o início da pandemia de covid-19.

O fechamento de espaços aéreos no Oriente Médio, a suspensão de voos e a disparada do petróleo pressionaram companhias aéreas, operadoras de turismo, hotéis e empresas de cruzeiros.

Segundo a Reuters, os papéis da TUI, maior grupo de viagens da Europa, recuaram 8,5% no fim desta manhã. A Lufthansa acumulava baixa de 6,5%, enquanto a IAG, controladora da British Airways, caía 4,8%. A rede hoteleira Accor e a operadora de cruzeiros Carnival também registraram perdas relevantes. Nos Estados Unidos, companhias aéreas apresentavam desvalorização próxima de 5% nas negociações antes da abertura do mercado.

O movimento ocorre em meio ao agravamento do conflito na região, que resultou na interrupção de voos ao redor do mundo. Dubai, o aeroporto internacional mais movimentado do mundo em 2024, com 92 milhões de passageiros, segundo o Conselho Internacional de Aeroportos, e Doha permaneceram fechados pelo terceiro dia consecutivo. A paralisação deixou diversas pessoas sem conseguir embarcar ou desembarcar. A Jordânia também passou a restringir parcialmente seu espaço aéreo.

Além das restrições operacionais, o setor enfrenta a pressão dos custos. O petróleo avançou 7% e atingiu o maior nível em meses, ampliando o risco de aumento nas despesas com combustível, um dos principais componentes do orçamento das companhias aéreas. Analistas ouvidos pela Reuters apontam que, mesmo com estratégias de proteção financeira contra oscilações de preços, o cenário tende a afetar margens.

Em relatório, a B. Riley Securities avaliou que a existência de uma zona de guerra ativa e o fechamento de aeroportos e rotas aéreas devem reduzir a demanda por viagens na região. Bancos como JP Morgan, Goodbody e Citi destacaram que empresas com maior exposição a Israel podem sofrer impacto mais intenso, citando a Wizz Air como exemplo.

O efeito foi sentido também na Ásia. Ações de ANA Holdings, Air China, China Southern Airlines, China Eastern Airlines, AirAsia X, China Airlines e EVA Airways recuaram ao menos 4%. A Cathay Pacific suspendeu voos para destinos no Oriente Médio, como Dubai e Riad, e eliminou taxas para remarcação. Já a Singapore Airlines cancelou operações entre Dubai e seus hubs até 7 de março, enquanto a Japan Airlines interrompeu temporariamente a rota entre Tóquio e Doha.

Na Índia, a vulnerabilidade é considerada elevada devido ao grande volume de voos que conectam o país ao Oriente Médio, sobretudo no transporte de trabalhadores migrantes. Além disso, a restrição ao uso do espaço aéreo do Paquistão em rotas para a Europa aumenta a complexidade operacional. A Air India suspendeu ligações entre a Índia e cidades como Zurique, Copenhague e Birmingham, além de destinos no Oriente Médio, e informou que voos para Nova York e Newark fariam escala técnica em Roma para reabastecimento.

Dados da VariFlight indicam que companhias da China continental cancelaram 26,5% das operações entre o país e o Oriente Médio no período de 2 a 8 de março. A empresa classificou o cenário como uma interrupção significativa no curto prazo, mas adotou cautela ao projetar mudanças estruturais nas programações.

O impacto vai além dos balanços das empresas. Passageiros relataram dificuldades para obter informações e reorganizar viagens. Em Sydney, clientes da Qatar Airways disseram ter enfrentado incertezas após cancelamentos. Uma família italiana que viajaria para Milão com conexão em Doha precisou encontrar rota alternativa via Los Angeles. Um casal de idosos que seguia da Austrália para a Escócia teve o trajeto alterado após o fechamento do espaço aéreo, enfrentando filas e falta de esclarecimentos.

Para especialistas do setor, o espalhamento de aeronaves e tripulações por diferentes aeroportos, sem previsão clara de reabertura de rotas estratégicas no Oriente Médio, cria um cenário operacional complexo. Com combustível mais caro, cancelamentos em cadeia e necessidade de redirecionar voos, o setor de empresas de viagens volta a lidar com um nível de incerteza que não se via desde os primeiros meses da pandemia.

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