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Por que os preços do petróleo estão disparando apesar da liberação recorde de reservas
Publicado 12/03/2026 • 13:17 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 12/03/2026 • 13:17 | Atualizado há 3 horas
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Os preços do petróleo continuam subindo mesmo após grandes economias anunciarem a liberação recorde de reservas estratégicas, com o barril chegando a ultrapassar US$ 100 (R$ 519) em determinado momento nesta quinta-feira (12).
Investidores permanecem preocupados diante de novos ataques do Irã contra infraestruturas energéticas e do risco de um conflito prolongado no Oriente Médio, fatores que ofuscaram o impacto da medida.
Países membros da Agência Internacional de Energia (IEA) concordaram na quarta-feira em liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas — o maior volume já anunciado na história da organização.
A iniciativa da IEA tinha como objetivo reduzir o impacto imediato da guerra no Oriente Médio sobre os mercados de energia, tentando estabilizar o fornecimento global diante das crescentes tensões.
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Os Estados Unidos, maior consumidor e produtor de petróleo do mundo, responderão sozinhos por 172 milhões de barris, que serão liberados gradualmente ao longo de três meses, o equivalente a cerca de 40% de suas reservas atuais.
Ainda assim, analistas afirmam que a medida não é suficiente para compensar a interrupção de oferta provocada pelos ataques americano-israelenses contra o Irã em 28 de fevereiro.
Segundo estrategistas de commodities do banco ING, a liberação de reservas está “muito aquém das perdas de oferta que estamos vendo no Golfo Pérsico”, indicando que o mercado continuará sob forte pressão.
De acordo com a IEA, a produção global diária de petróleo caiu pelo menos 8 milhões de barris, além de outros 2 milhões de barris de derivados de petróleo que também deixaram de chegar ao mercado.
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Para Neil Wilson, estrategista da Saxo UK, é improvável que a liberação das reservas consiga compensar a perda de produção. “Parece improvável que o fluxo das reservas consiga substituir o fluxo perdido de produção”, afirmou.
Ele acrescentou que a medida representa “uma solução temporária e limitada”, ressaltando que o fator decisivo será reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica que liga o Golfo Pérsico ao oceano e por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo mundial.
Os preços também estão subindo devido a uma nova onda de ataques iranianos contra alvos energéticos no Golfo.
A Agência Internacional de Energia alertou nesta quinta-feira que a guerra está “criando a maior interrupção de oferta da história do mercado global de petróleo”.
Ataques com mísseis e drones em retaliação reduziram drasticamente o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz, praticamente paralisando o transporte de petróleo na região.
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Diversas infraestruturas energéticas no Oriente Médio também passaram a ser alvo de ataques.
O Bahrein informou que tanques de combustível na região de Muharraq foram atingidos por um ataque iraniano nesta quinta-feira, enquanto drones atacaram tanques de combustível no porto de Salalah, em Omã.
A Arábia Saudita afirmou ter interceptado dois drones que se dirigiam ao campo petrolífero de Shaybah, uma de suas principais instalações de produção.
Ao mesmo tempo, grandes empresas petrolíferas do Golfo foram obrigadas a reduzir a produção, devido à falta de capacidade de armazenamento, agravando ainda mais o desequilíbrio entre oferta e demanda.
Os mercados também estão sendo pressionados pelo risco de que o conflito se prolongue por meses ou até anos.
Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha afirmado que a guerra pode terminar “em breve”, o Irã alertou que pode travar um conflito prolongado capaz de “destruir” a economia mundial.
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Para Jim Reid, analista do Deutsche Bank, o principal temor do mercado é que o conflito se torne duradouro. “Do ponto de vista do mercado, o problema é que os investidores estão cada vez mais precificando um conflito mais prolongado, capaz de causar grandes danos econômicos”, disse.
A IEA também alertou que “não há sinais de desescalada nas hostilidades nem um cronograma claro para a retomada do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz”, reforçando o cenário de incerteza prolongada para o mercado global de energia.
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