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O fundador da Uber e ex-CEO da companhia, Travis Kalanick, anunciou nesta sexta-feira (13) que renomeou sua mais recente empresa para Atoms e afirmou que está expandindo suas atividades para além do setor de alimentação, passando a atuar também nas áreas de mineração e transporte.

CNBCEx-CEO da Uber rebatiza empresa como Atoms e amplia atuação para mineração e transporte

Conflito no Oriente Médio

Por que preço dos alimentos deve subir no Brasil por causa do Irã?

Publicado 14/03/2026 • 10:52 | Atualizado há 14 minutos

KEY POINTS

  • 30% de todo o estoque mundial de petróleo está quase totalmente paralisado desde o início da guerra em 28 de fevereiro.
  • De imediato, o preço dos alimentos no Brasil podem não sentir tanto impacto, o que pode mudar se o conflito se estender.
  • Para analisar as possibilidades, o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC entrevistou dois especialistas: Alex André, Head de Acesso Corporativo da MZ Group, e André Galhardo, economista-chefe na Análise Econômica Consultoria.
Por que preço dos alimentos deve subir no Brasil por causa do Irã?

Foto: Freepik.

Por que preço dos alimentos deve subir no Brasil por causa do Irã?

No dia 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel uniram-se para atacar o Irã. Desde então, o Estreito de Ormuz, onde passa cerca de 30% de todo o estoque mundial de petróleo, está quase totalmente paralisado. Consequentemente, a crise de oferta e demanda do petróleo tem elevado o preço dos barris. 

No curto prazo, o preço dos alimentos no Brasil pode não sentir tanto impacto. Mas, o que acontece se o conflito durar mais de 1 mês?

Para analisar as possibilidades, o Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC entrevistou dois especialistas: Alex André, Head de Acesso Corporativo da MZ Group, e André Galhardo, economista-chefe na Análise Econômica Consultoria.

Leia também: EUA x Irã: confronto pode pressionar inflação no Brasil e travar queda dos juros; entenda

Petróleo caro pode encarecer alimentos no Brasil?

Embora o Brasil seja produtor de petróleo, a quantidade ainda é suficiente para suprir o abastecimento interno total. Nesse sentido, conforme noticiado anteriormente, o País produz cerca de 5 milhões de barris de petróleo bruto por dia. Desse total, 3 milhões são para consumo próprio e 2 milhões são exportados.

Logo, “se o petróleo permanecer em patamares elevados, existe sim risco de aumento relevante nos preços dos alimentos no Brasil. O efeito começa na produção agrícola e depois se espalha pela logística, distribuição e varejo”, explicou Alex André, Head de Acesso Corporativo da MZ Group. 

Isso aconteceria porque “o aumento do petróleo pressiona praticamente toda a cadeia, desde o transporte até a energia usada na produção agrícola, o que acaba dificultando segurar preços”, completou Alex. 

Ou seja, poderia acontecer um efeito em cascata no cotidiano. A partir da alta do diesel, vem a alta dos fretes e “isso acaba desencadeando uma sequência de aumentos que vão muito além dos alimentos. Pode esbarrar no transporte público, no transporte por aplicativo, trazer impacto para a gasolina e, consequentemente, para o etanol, mexendo dentro da cadeia sucroalcooleira”, reforçou André Galhardo, economista-chefe na Análise Econômica Consultoria.

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Impacto da guerra no Irã no agronegócio brasileiro

Ademais, entre possíveis impactos diretos no agronegócio, é possível dizer que a guerra no Irã pode encarecer a compra de fertilizante industrial.

Nesse sentido, trata-se de produtos que têm sua composição derivada do petróleo. De acordo com André Galhardo, são exemplos disso os fertilizantes nitrogenados e fosfatados. Além disso, o Brasil exporta bastante ureia, um tipo de fertilizante nitrogenado muito utilizado na agricultura. 

Logo, “se houver agravamento das tensões, o mercado de fertilizantes pode sentir isso no curto prazo. Pode haver uma volatilidade acima da média, mas ao mesmo tempo o mercado tende a se ajustar aos preços ao longo do tempo”, alertou o Head de Acesso Corporativo do MZ Group. 

No contexto mundial, “o mercado de fertilizantes já vinha pressionado desde a guerra entre Rússia e Ucrânia. O Leste Europeu era um grande fornecedor desses insumos e esse fluxo de produtos e matérias-primas acabou sendo fortemente afetado pelos riscos logísticos criados pelo conflito”, completou o economista-chefe de Análise Econômica Consultoria.

Leia também: Ataques ao Irã podem provocar crise radiológica, diz Rússia; entenda o que isso significa

Alta do petróleo compete com a desinflação brasileira

No entanto, talvez ainda não seja hora de se desesperar. Antes do conflito armado entre Irã, EUA e Israel começar, o mercado brasileiro aguardava a queda da taxa básica de juros, que está em 15% há cinco reuniões seguidas do Copom. 

Essa expectativa era alimentada pelos níveis controlados da inflação no Brasil. Por isso, “eu não acho que há motivo para a gente se desesperar agora. É importante ter um pouco de serenidade quando a gente fala de inflação”, apontou Galhardo. 

Isso porque, embora exista risco de aumento de inflação, a projeção é de 4,25%, um patamar considerado moderado para o Brasil, segundo o economista-chefe da Análise Econômica Consultoria. 

“Nós estamos no meio de um processo de desinflação. Então, mesmo em meio ao aumento direto dos preços do petróleo e todos os possíveis impactos indiretos, a alta do petróleo ainda concorre com esse processo de desinflação. Por isso, é importante ter serenidade e mapear aos poucos qual o impacto disso no bolso, por conta da volatilidade”, concluiu Galhardo sobre uma possível alta dos preços dos alimentos no Brasil, diante do cenário de guerra no Irã.

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