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Guerra no Irã completa dois meses: veja os principais impactos até agora
Publicado 29/04/2026 • 22:10 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 29/04/2026 • 22:10 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Unsplash
Entenda o que mudou no Irã após dois meses de guerra
Desde o início dos ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra Teerã, há dois meses, o Irã entrou em um período de pressão militar, econômica e política sem precedentes recentes.
O impacto atinge desde as estruturas de poder até o cotidiano de mais de 90 milhões de iranianos, ao mesmo tempo em que revela um país em transformação, mas também com fortes permanências institucionais.
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Em síntese, o Irã mudou em diversos aspectos operacionais e sociais ao longo desses dois meses de guerra, sobretudo na economia, no cotidiano da população e na intensificação do controle estatal.
No entanto, não houve mudança na estrutura central de poder. As principais instituições da República Islâmica seguem ativas.
Os linha-dura (grupos que defendem menos abertura política, maior controle estatal e uma postura mais rígida nas relações com o Ocidente) saíram fortalecidos com o avanço do conflito.
Além disso, a lógica de governança continua ancorada na liderança clerical e fortemente influenciada pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), que desempenha papel central tanto na área militar quanto na estrutura de poder do país.
Apesar de alegações externas de “mudança de regime” no Irã, inclusive repetidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a engrenagem política iraniana continua funcionando com relativa estabilidade interna.
Mesmo após a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, principal autoridade política, religiosa e comandante final do sistema teocrático. O país conseguiu reorganizar rapidamente sua cadeia de comando.
Khamenei ocupava o cargo mais alto do Estado iraniano, com controle sobre as Forças Armadas, decisões estratégicas e indicação de autoridades-chave do regime.
Além dele, o conflito também matou Ali Larijani, que atuava como secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e era uma das figuras mais influentes da articulação política e diplomática do país.
Após essas mortes, a estrutura de poder foi reorganizada rapidamente.
O Conselho Clerical indicou Mojtaba Khamenei como sucessor na liderança suprema, enquanto o comando da segurança nacional passou a ser ocupado por Mohammad Bagher Zolghadr, ligado à velha guarda da Guarda Revolucionária.
Ao mesmo tempo, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica assumiu ainda mais protagonismo na condução das decisões estratégicas e militares do país durante a guerra.
Nesse processo, o estabelecimento religioso e militar reafirmou lealdade à liderança suprema, enquanto instituições-chave (núcleo político, militar, judicial e de comunicação) permaneceram operando sem ruptura estrutural.
Ao mesmo tempo, o IRG ampliou ainda mais sua influência, não apenas no campo militar, mas também na economia e no controle social.
Em conjunto com forças paramilitares como o Basij, a organização mantém presença ativa nas ruas e desempenha papel central na coordenação da resposta militar do Irã.
Além disso, o aparato de segurança ganhou reforço com novas alianças e rearranjos internos dentro do Conselho Supremo de Segurança Nacional.
No campo político, o governo do presidente Masoud Pezeshkian, eleito em 2024 em meio a uma baixa participação popular, tem se mantido focado em agendas internas e em esforços diplomáticos pontuais.
Ainda assim, sua atuação ocorre sob forte vigilância de grupos mais radicais, que resistem a qualquer sinal de concessão em negociações internacionais.
Paralelamente, no campo político, as figuras reformistas e moderadas (que defendem maior abertura interna e uma postura mais pragmática nas relações internacionais) foram ainda mais marginalizadas no atual contexto.
Entre elas estão nomes como o ex-presidente Hassan Rouhani, o ex-presidente Mohammad Khatami e o ex-chanceler Mohammad Javad Zarif. Que perderam influência diante do avanço dos setores mais linha-dura.
Enquanto isso, a mídia estatal e o sistema judicial mantêm uma postura de endurecimento. Prisões, execuções e acusações de espionagem tornaram-se mais frequentes, acompanhadas por um ambiente de vigilância ampliada.
Além disso, o bloqueio quase total da internet por cerca de 60 dias afetou milhões de pessoas, provocando perda de empregos e dificultando a circulação de informações.
No plano econômico, os efeitos da guerra são profundos. A inflação permanece elevada, a produção industrial foi impactada por bombardeios e sanções seguem pressionando a economia.
Diante disso, o governo passou a priorizar a importação de alimentos e medicamentos, além de retomar mecanismos de controle cambial para bens essenciais, após ter abandonado essa prática meses antes.
Apesar da crise, Teerã mantém posições firmes em temas estratégicos. O país rejeita as exigências de desmobilização de seu programa nuclear e insiste na continuidade do enriquecimento de urânio em território nacional.
Em contrapartida, propõe adiar discussões mais amplas sobre o tema, ao mesmo tempo em que tenta preservar sua margem de negociação em meio ao conflito.
Outro ponto sensível envolve o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.
Autoridades iranianas defendem maior controle sobre a área, em parceria com Omã. A proposta inclui a possibilidade de taxação de embarcações que passam pela região.
Segundo o governo, a medida seria uma forma de compensar perdas econômicas provocadas pelo conflito e pelas sanções internacionais.
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Por fim, no cenário interno, a vida cotidiana foi profundamente alterada. A presença militar nas ruas aumentou, postos de controle se tornaram mais comuns e manifestações de força estatal passaram a fazer parte da rotina urbana.
Apesar do cenário de tensão e desgaste, a estrutura central do poder do Irã permanece intacta, sustentada por instituições que, até aqui, resistiram às pressões externas e internas da guerra.
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