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Brasil tem folga no petróleo bruto, mas guerra pode pressionar combustível e fertilizantes
Publicado 07/03/2026 • 19:17 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 07/03/2026 • 19:17 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Embora o Brasil tenha conforto na oferta de petróleo bruto, uma escalada mais prolongada da guerra no Oriente Médio pode trazer efeitos importantes para a economia brasileira por meio dos derivados e dos fertilizantes. A avaliação é de Telmo Ghiorzi, presidente-executivo da Abespetro, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo ele, o país tem margem para atravessar um choque global na oferta da commodity com menos risco do que outras economias. “Em termos de óleo bruto, nós temos autossuficiência com folga”, afirmou. Hoje, disse Ghiorzi, o Brasil produz cerca de 5 milhões de barris por dia, consome 3 milhões e exporta aproximadamente 2 milhões.
Isso não significa, porém, que o país esteja blindado. O executivo ressalta que a vulnerabilidade brasileira aparece nos derivados. “Em termos de derivados de combustíveis, nós podemos ter um problema”, disse. Entre os produtos mais sensíveis estão gasolina e diesel, com impacto direto sobre o transporte, além dos fertilizantes, que podem afetar um dos setores mais relevantes da economia brasileira.
Leia também: O que é o petróleo Brent e por que a guerra no Oriente Médio fez o preço subir
“Temos um problema com gasolina e diesel, basicamente, que são combustíveis importantes para o transporte”, afirmou. “Temos também um problema com fertilizantes, que atrapalharia dramaticamente (…) o agro.”
Ghiorzi pondera que esse ainda não é o cenário-base, mas afirma que os sinais do mercado já apontam para uma piora relevante. “Os números estão ficando mais robustos na direção de que teremos um aumento importante. Até agora aumentou 28% na semana”, disse. Para ele, os dados começam a indicar que a guerra pode não ser tão curta quanto parte do mercado esperava.
Ao comentar a posição do Brasil no comércio internacional da commodity, o presidente da Abespetro afirmou que o país poderia se beneficiar de uma eventual dificuldade maior da China em comprar petróleo do Oriente Médio. Hoje, segundo ele, cerca de 70% das exportações brasileiras de petróleo vão para o mercado chinês. Ainda assim, ele alerta que qualquer expansão adicional da oferta brasileira seria lenta.
“O Brasil é um candidato a aumentar a exportação para a China. Mas o limite é global, esse mercado é altamente globalizado”, afirmou. “E o Brasil, para aumentar a sua produção e exportar mais, não é imediato, não é de um dia para o outro. São anos entre a decisão de aumentar a produção e obter esse aumento de produção.”
Ghiorzi também chamou atenção para o fato de que o problema mais crítico neste momento não é necessariamente a produção em si, mas o escoamento do petróleo, sobretudo se houver restrições no Estreito de Ormuz. Na avaliação dele, mesmo que países da Opep+ tenham capacidade de elevar rapidamente a produção, isso não resolveria sozinho o desequilíbrio se a logística global continuar comprometida.
“O grande problema hoje é o Estreito de Ormuz fechado. Se o Irã parar de produzir, são 3 milhões por dia, a produção mundial é 100 milhões por dia”, disse. “O escoamento do Estreito de Ormuz é relevante para o equilíbrio no mundo do petróleo.”
Sobre as projeções de bancos e autoridades que já falam em Brent a US$ 120 ou até US$ 150 por barril, Ghiorzi evitou cravar um cenário. Ele reconheceu que esses níveis são possíveis, mas destacou que, em um ambiente de guerra, qualquer tentativa de previsão se torna muito mais frágil.
“O número 130 é possível, 150 é possível, pode até baixar, é impossível saber”, afirmou. “É impossível qualquer tentativa de prever o preço do petróleo em ambientes estáveis. Em ambientes como hoje, a gente não tem nem palavra para explicar o quão impossível é.”
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Na visão do executivo, o aumento do petróleo tende a beneficiar empresas produtoras ao elevar a receita, mas o efeito não é linear. Isso porque uma alta mais forte da commodity também encarece frete, equipamentos e insumos da cadeia. “A receita vai aumentar, mas o custo também vai”, disse. “Não é nada linear.”
Ghiorzi também rejeitou a ideia de que a saída para um choque dessa natureza seja tentar controlar artificialmente o preço do petróleo. Para ele, a resposta mais eficiente está na robustez da economia e na renda da população. “A solução para isso não é tentar controlar o preço do petróleo, é tentar aumentar a robustez da sua economia”, afirmou.
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