Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Selic em jogo: investidores apostam em corte leve, mas dúvida persiste
Publicado 16/03/2026 • 22:23 | Atualizado há 2 meses
Às vésperas do encontro de investidores em Omaha, ações da Berkshire Hathaway enfrentam incerteza
Preços do petróleo recuam após Irã enviar nova proposta de paz aos EUA para encerrar guerra
Impasse no Estreito de Ormuz ameaça indústria automotiva de luxo
Ações da AstraZeneca sentem impacto após rejeição de novo medicamento contra o câncer por painel do FDA
CEO da Apple, Tim Cook, alerta para prolongamento da crise de memória: “Vamos avaliar uma série de opções”
Publicado 16/03/2026 • 22:23 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Unsplash
Mercado financeiro
A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana chega cercada por incertezas externas e piora nas expectativas de inflação. Com isso, o mercado migrou, nos últimos dias, de uma aposta em corte de 0,50 ponto para um movimento mais cauteloso, de 0,25 ponto.
A leitura predominante entre economistas ouvidos pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC é de que o Banco Central (BC) ainda deve iniciar o ciclo de flexibilização monetária, mas em ritmo menor do que o esperado. O pano de fundo para essa mudança inclui a escalada da guerra no Oriente Médio, o petróleo próximo de US$ 100 por barril e a piora recente das projeções do boletim Focus.
André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, avalia que a deterioração do cenário externo e a desancoragem das expectativas devem pesar na decisão. “Acho que o balanço de risco vira assimétrico, ou seja, os riscos de alta da inflação serão maiores, mais numerosos, do que os riscos de baixa”, afirma.
Ainda assim, ele considera que a manutenção da Selic seria equivocada neste momento. “Tem espaço suficiente para o Copom começar a reduzir os juros de forma segura, serena, como ele mesmo gosta de dizer. Então, seria um erro, na minha interpretação, a manutenção”, diz.
Leia também: Dólar salta 1,37% com tensão da guerra e expectativa para o Copom
Leandro Manzoni, economista da InfoEconomics, acrescenta que o principal movimento recente ocorreu na precificação do mercado. Segundo ele, desde a reunião de janeiro, os investidores chegaram a trabalhar com cortes de 0,50 ponto e, em alguns momentos, até de 0,75 ponto, mas a guerra e a disparada do petróleo deslocaram esse cenário.
“Eu não acho que o mercado esteja tão dividido assim”, afirma. Para Manzoni, a maior parte dos agentes já se inclinou para um corte de 0,25 ponto, enquanto a manutenção ficou como cenário minoritário. “Para mim, seria surpresa se houvesse manutenção”, diz.
O próprio Boletim Focus reforçou essa mudança de percepção. No relatório divulgado nesta segunda-feira (16), a projeção para a Selic em 2026 passou de 12,13% para 12,25%. Enquanto para 2027, a expectativa para os juros se manteve em 10,50%. No mesmo documento, a projeção para o IPCA de 2026 avançou de 3,91% para 4,10%, enquanto o câmbio recuou de R$ 5,41 para R$ 5,40.
Relatórios de grandes instituições também passaram a defender um início mais cauteloso para o ciclo de cortes. O Itaú revisou sua projeção de 0,50 para 0,25 ponto, levando a Selic a 14,75%, e avaliou que o choque do petróleo piorou o balanço de riscos, mas não inviabiliza o início da flexibilização. O banco espera um comunicado de “cautela e serenidade” e diz que o Copom deve deixar claro que poderá interromper o ciclo caso os choques sejam mais persistentes do que o esperado.
O Safra segue linha parecida. O banco projeta corte inicial de 0,25 ponto, com a Selic caminhando para 11,50% ao fim de 2026. Para a instituição, a expectativa anterior de um corte de 0,50 ponto ficou menos provável após a surpresa inflacionária recente. Ainda assim, o Safra avalia que o Copom chega à reunião com “sinal verde” para iniciar os cortes, embora sob “forte dose de prudência”.
Leia também: Copom: o que é, qual sua função e por que ele decide a taxa Selic; tem reunião nesta quarta (18)
Nem todos, porém, migraram para o cenário de corte mais modesto. Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, ainda sustenta projeção de baixa de 0,50 ponto nesta reunião. Segundo ele, o movimento já estava programado e, até agora, a alta do petróleo ainda não teve efeito negativo relevante sobre a economia brasileira.
“No Brasil cai, porque é um momento em que já estava programado e que até agora a alta do petróleo não teve um efeito negativo ainda na economia brasileira”, afirmou. Para Agostini, o Copom pode cortar agora e usar o intervalo até a reunião seguinte para reavaliar se continuará ou não o ciclo. A Austin Rating mantém cenário de queda de 0,50 ponto até o fim do ano, apostando em um cessar-fogo.
Além das projeções de economistas e casas, outro termômetro importante veio do mercado de juros. Nesta segunda-feira (16), a curva de DIs fechou em queda firme, superior a 30 pontos-base em vários vencimentos, em um movimento favorecido pela melhora do ambiente externo, pela queda do dólar, pelo recuo dos Treasuries e por duas intervenções do Tesouro no mercado de títulos. No fim da tarde, o DI para janeiro de 2027 estava em 14,075%, ante 14,294% na sessão anterior. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 marcava 13,8%, contra 14,155% antes.
A queda dos DIs ajuda a mostrar um mercado menos estressado no curtíssimo prazo, mas não elimina a cautela em torno da decisão. O foco, além do corte em si, estará no comunicado. A leitura entre analistas é que o BC deve reforçar a dependência de dados e evitar qualquer comprometimento claro com o ritmo das próximas reuniões.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
Sauer: conheça a marca brasileira usada por Meryl Streep na estreia de ‘O Diabo Veste Prada 2’
2
AGOE da Oncoclínicas: o que está em jogo na assembleia que pode definir o futuro da companhia
3
Preço do petróleo atinge recorde em 4 anos; Brent futuro é negociado a US$ 126 por barril desta quinta
4
Tesouro Reserva: quando o valor investido pode ser resgatado? Veja como funciona
5
Frente Corretora de Câmbio é liquidada: o que muda na prática após decisão do Banco Central