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Selic em jogo: investidores apostam em corte leve, mas dúvida persiste

Publicado 16/03/2026 • 22:23 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • Mercado migrou de aposta em corte de 0,50 para 0,25 ponto diante de guerra, petróleo alto e piora das expectativas de inflação.
  • Economistas ainda veem início do ciclo de queda da Selic, mas com mais cautela e foco no comunicado do Copom.
  • Curva de juros e Focus reforçam cenário de corte menor, enquanto parte do mercado ainda sustenta chance de 0,50 ponto.

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Mercado financeiro

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana chega cercada por incertezas externas e piora nas expectativas de inflação. Com isso, o mercado migrou, nos últimos dias, de uma aposta em corte de 0,50 ponto para um movimento mais cauteloso, de 0,25 ponto.

A leitura predominante entre economistas ouvidos pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC é de que o Banco Central (BC) ainda deve iniciar o ciclo de flexibilização monetária, mas em ritmo menor do que o esperado. O pano de fundo para essa mudança inclui a escalada da guerra no Oriente Médio, o petróleo próximo de US$ 100 por barril e a piora recente das projeções do boletim Focus.

André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, avalia que a deterioração do cenário externo e a desancoragem das expectativas devem pesar na decisão. “Acho que o balanço de risco vira assimétrico, ou seja, os riscos de alta da inflação serão maiores, mais numerosos, do que os riscos de baixa”, afirma.

Ainda assim, ele considera que a manutenção da Selic seria equivocada neste momento. “Tem espaço suficiente para o Copom começar a reduzir os juros de forma segura, serena, como ele mesmo gosta de dizer. Então, seria um erro, na minha interpretação, a manutenção”, diz.

Leia também: Dólar salta 1,37% com tensão da guerra e expectativa para o Copom

Leandro Manzoni, economista da InfoEconomics, acrescenta que o principal movimento recente ocorreu na precificação do mercado. Segundo ele, desde a reunião de janeiro, os investidores chegaram a trabalhar com cortes de 0,50 ponto e, em alguns momentos, até de 0,75 ponto, mas a guerra e a disparada do petróleo deslocaram esse cenário.

“Eu não acho que o mercado esteja tão dividido assim”, afirma. Para Manzoni, a maior parte dos agentes já se inclinou para um corte de 0,25 ponto, enquanto a manutenção ficou como cenário minoritário. “Para mim, seria surpresa se houvesse manutenção”, diz.

O próprio Boletim Focus reforçou essa mudança de percepção. No relatório divulgado nesta segunda-feira (16), a projeção para a Selic em 2026 passou de 12,13% para 12,25%. Enquanto para 2027, a expectativa para os juros se manteve em 10,50%. No mesmo documento, a projeção para o IPCA de 2026 avançou de 3,91% para 4,10%, enquanto o câmbio recuou de R$ 5,41 para R$ 5,40.

Relatórios de grandes instituições também passaram a defender um início mais cauteloso para o ciclo de cortes. O Itaú revisou sua projeção de 0,50 para 0,25 ponto, levando a Selic a 14,75%, e avaliou que o choque do petróleo piorou o balanço de riscos, mas não inviabiliza o início da flexibilização. O banco espera um comunicado de “cautela e serenidade” e diz que o Copom deve deixar claro que poderá interromper o ciclo caso os choques sejam mais persistentes do que o esperado.

O Safra segue linha parecida. O banco projeta corte inicial de 0,25 ponto, com a Selic caminhando para 11,50% ao fim de 2026. Para a instituição, a expectativa anterior de um corte de 0,50 ponto ficou menos provável após a surpresa inflacionária recente. Ainda assim, o Safra avalia que o Copom chega à reunião com “sinal verde” para iniciar os cortes, embora sob “forte dose de prudência”.

Leia também: Copom: o que é, qual sua função e por que ele decide a taxa Selic; tem reunião nesta quarta (18)

Nem todos, porém, migraram para o cenário de corte mais modesto. Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, ainda sustenta projeção de baixa de 0,50 ponto nesta reunião. Segundo ele, o movimento já estava programado e, até agora, a alta do petróleo ainda não teve efeito negativo relevante sobre a economia brasileira.

“No Brasil cai, porque é um momento em que já estava programado e que até agora a alta do petróleo não teve um efeito negativo ainda na economia brasileira”, afirmou. Para Agostini, o Copom pode cortar agora e usar o intervalo até a reunião seguinte para reavaliar se continuará ou não o ciclo. A Austin Rating mantém cenário de queda de 0,50 ponto até o fim do ano, apostando em um cessar-fogo.

Termômetro nos investimentos

Além das projeções de economistas e casas, outro termômetro importante veio do mercado de juros. Nesta segunda-feira (16), a curva de DIs fechou em queda firme, superior a 30 pontos-base em vários vencimentos, em um movimento favorecido pela melhora do ambiente externo, pela queda do dólar, pelo recuo dos Treasuries e por duas intervenções do Tesouro no mercado de títulos. No fim da tarde, o DI para janeiro de 2027 estava em 14,075%, ante 14,294% na sessão anterior. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 marcava 13,8%, contra 14,155% antes.

A queda dos DIs ajuda a mostrar um mercado menos estressado no curtíssimo prazo, mas não elimina a cautela em torno da decisão. O foco, além do corte em si, estará no comunicado. A leitura entre analistas é que o BC deve reforçar a dependência de dados e evitar qualquer comprometimento claro com o ritmo das próximas reuniões.

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