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Alta do combustível e reforma tributária devem encarecer passagens aéreas, diz executivo

Publicado 22/04/2026 • 15:40 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Querosene de aviação já subiu 55%, enquanto petróleo passou de US$ 60 para mais de US$ 101 por barril, pressionando custos das aéreas.
  • Nova carga tributária pode levar imposto de passagens internacionais de zero para até 27% ou 28% até 2032, segundo avaliação do setor.
  • Empresas terão dificuldade para absorver custos extras e poderão rever rotas, oferta de voos e planejamento estratégico de longo prazo.

A combinação entre disparada do preço do combustível e avanço da reforma tributária tende a encarecer as passagens aéreas no Brasil e no exterior nos próximos anos. A avaliação é de Fabrizio Gammino, co-CEO da Grownt, que vê forte pressão sobre um setor já marcado por margens apertadas e reestruturações financeiras.

Segundo o executivo, o principal impacto imediato vem do petróleo. Antes da guerra entre Estados Unidos e Irã, o barril era negociado perto de US$ 60 (R$ 299,4). Agora, já supera US$ 101 (R$ 504), elevando diretamente o custo do querosene de aviação.

A Petrobras já anunciou aumento de 55%. Com cerca de 40% dos custos das companhias ligados ao querosene, é inimaginável pensar que isso não será repassado ao consumidor”, afirmou nesta quarta-feira (22), em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Setor já opera no limite

Gammino destacou que as companhias aéreas trabalham historicamente com margens reduzidas e pouca capacidade de absorver choques de custo.

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“É um setor de margens muito apertadas. Não raro vemos empresas entrando em Chapter 11 ou recorrendo a recuperações judiciais e extrajudiciais para renegociar dívidas”, explicou.

Na visão dele, o repasse tende a ocorrer não apenas por necessidade financeira, mas também pela própria lógica do mercado. “Nós vamos pagar essa conta. É inevitável em um ambiente de custos crescentes”, ressaltou.

Reforma tributária pressiona voos internacionais

Além do combustível, o executivo aponta a tributação como novo vetor de alta, especialmente nas passagens internacionais.

Hoje, segundo ele, esse tipo de bilhete é desonerado. Com a reforma tributária, a carga poderá chegar a 27% ou 28% ao fim de 2032, em implementação gradual a partir de 1º de janeiro de 2027. “Para voos internacionais, o consumidor paga zero hoje e poderá pagar 28% no fim da transição”, pontuou.

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Ele observa que o setor já começou a antecipar o debate no Congresso para tentar rever o desenho atual.

Voos domésticos terão impacto menor

No mercado interno, o cenário tende a ser menos severo. Gammino explicou que as passagens domésticas contam com alívio de 40% na alíquota cheia, o que reduziria a tributação para algo próximo de 17%.

Atualmente, a carga sobre voos domésticos varia entre 12% e 18%, o que diminuiria a diferença após a reforma. “Para voos nacionais, a mudança não deve ser tão brusca. O maior impacto será mesmo para quem pretende viajar ao exterior”, frisou.

Rotas e oferta podem ser revistas

O executivo avalia que, no fim da linha, preços mais altos podem afetar demanda e levar empresas a rever frequência de voos e novas rotas internacionais. “É cedo para afirmar cortes de oferta, mas isso pode acontecer”, alertou.

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Segundo ele, as empresas trabalham com cronogramas de investimento de cinco anos ou mais, mas o cenário atual exige revisões rápidas.

Planejamento virou desafio

Gammino classificou o momento como uma “tempestade perfeita” para o setor aéreo. Algumas companhias começavam a registrar lucros nos últimos trimestres de 2025, quando surgiu a nova escalada de custos.

“O principal insumo praticamente dobrou de preço em um mês, enquanto a reforma pode atingir justamente a principal fonte de rentabilidade, que são os voos internacionais”, destacou.

IVA brasileiro entre os mais altos

Na avaliação do executivo, a alíquota combinada prevista para o novo sistema tributário colocará o Brasil entre os países com maior IVA do mundo.

Ele citou a Argentina, com taxa próxima de 21%, como referência regional. “Toda vez que o país concede alívio a um setor específico, a alíquota geral para os demais contribuintes tende a subir”, concluiu.

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