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Seu cérebro virou refém do digital? O alerta para líderes 40+ que ninguém está ouvindo

Publicado 24/04/2026 • 09:45 | Atualizado há 3 horas

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A young person looks at her phone in Melbourne on November 28, 2024 as Australia looks to ban children under 16 from social media with claims social media platforms have been tarnished by cyberbullying, the spread of illegal content, and election-meddling claims. - Australia is among the vanguard of nations trying to clean up social media, and the age limit legislation will make it among the world's strictest measures aimed at children. (Photo by

Jovem olha a tela do celular

William West/ AFP

Se você caminha pelos grandes centros financeiros ou frequenta os conselhos de administração das principais corporações, já percebeu um fenômeno silencioso. Não se trata apenas da fadiga crônica ou do estresse clássico do target batido. O que estamos testemunhando é uma pane no sistema de recompensa de quem hoje lidera o mercado: a “Geração Ponte”.

Por que a “Geração Ponte” está perdendo o prazer de vencer

Diferente dos nativos digitais, a geração 40+ foi educada no mundo analógico. Aprendeu a valorizar o processo, a espera e o esforço de longo prazo. A biologia desse público foi moldada pelo “tédio criativo”, aquele espaço vazio em que as grandes ideias surgiam enquanto se esperava um café ou uma reunião começar. De repente, foi inserida em um ecossistema de gratificação imediata, em que o prazer é entregue em milissegundos por algoritmos e notificações.

O resultado? Um “sequestro de dopamina” que transformou a química cerebral de quem está no comando.

A dopamina não é a molécula do prazer, mas da antecipação. No mundo corporativo atual, o executivo vive em um estado de “hiperestimulação” constante. O problema é que o cérebro tem um mecanismo de autorregulação: para cada pico de dopamina, o sistema cria um “vale” correspondente de dor ou apatia para tentar reequilibrar a balança.

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É por isso que, hoje, muitos líderes conquistam metas ambiciosas ou fecham contratos bilionários e sentem que a satisfação dura menos de cinco minutos. Logo em seguida, a ansiedade pelo próximo problema assume o controle. É o que chamo de Burnout Dopaminérgico. Não é um esgotamento por excesso de trabalho, mas por uma incapacidade biológica de sentir satisfação com o que é comum, estratégico e processual.

Para a Geração Ponte, que precisou “trocar o pneu com o carro andando” na transição digital, esse impacto é severo. Estamos tentando operar um software de alta velocidade (o mundo digital) em um hardware que foi programado para a profundidade e a reflexão (o mundo analógico).

Os sinais de que sua mente entrou no modo “hiperestimulado”

Mas então, como saber se você ou sua liderança está sofrendo esse sequestro químico? Observe três comportamentos críticos:

  • Apatia Seletiva: o sucesso deixa de gerar satisfação sustentada. O que o executivo experimenta não é alegria, mas alívio temporário, seguido imediatamente pela compulsão por novo estímulo. É o sinal de que os receptores dopaminérgicos já estão recalibrados para um limiar de ativação mais alto.
  • Fragmentação do Foco: a incapacidade de sustentar a atenção em uma única tarefa densa por mais de alguns minutos, sem a busca compulsiva por interrupção, seja a incapacidade de ler um relatório ou assistir a uma apresentação sem checar o celular “só uma vez”. Não é falta de disciplina: é o córtex pré-frontal sendo dominado pelo sistema de recompensa de curto prazo.
  • Irritabilidade de “Delay”: reação desproporcional a qualquer forma de lentidão, seja no trânsito da Rebouças, em um download ou na resposta de um colega. A tolerância à frustração cai na mesma proporção em que o limiar dopaminérgico sobe.

A boa notícia é que o cérebro adulto possui uma plasticidade notável. Através do Neurofeedback, tecnologia que utiliza o mapeamento da atividade elétrica cerebral em tempo real para treinar o próprio cérebro a se autorregular, conseguimos remapear essas rotas de forma não farmacológica. O processo é gradual e mensurável: o cérebro aprende, sessão a sessão, a recuperar a capacidade de foco profundo e a reduzir a dependência de estímulos externos para se sentir ativo.

Um protocolo simples para retomar o controle sem radicalismos

O Protocolo de Sobrevivência para o Executivo. Para começar a retomar o controle hoje, sugiro três passos práticos:

  • Crie Ilhas Analógicas: determine ao menos uma hora do seu dia, preferencialmente ao acordar ou antes de dormir, em que o digital é proibido. Reeduque seu cérebro a existir sem o estímulo da tela.
  • Monitore o Consumo Passivo: diferencie o uso do digital para o trabalho (ativo) do uso para “anestesiar” o cansaço, o scroll infinito. Este último não relaxa; ele sobrecarrega ainda mais seus receptores de dopamina.
  • Pratique o Contraste: busque atividades que exijam esforço físico ou manual. O prazer que vem do esforço real é o antídoto para a gratificação barata dos algoritmos.

O futuro da liderança exige mentes lúcidas, e não apenas cérebros acelerados. Precisamos resgatar a nossa capacidade de contemplar o processo, pois é no “espaço entre as notificações” que reside a verdadeira inovação e a saúde mental duradoura.

Dra. Anelise Pirola é neuropsicóloga e especialista em longevidade cognitiva

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