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Aeris: com dívida de quase R$ 2 bilhões e só R$ 17,3 mi em caixa, fabricante de pás eólicas pede proteção contra credores
Publicado 22/08/2026 • 20:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 22/08/2026 • 20:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Divulgação
A Aeris pediu à Justiça de São Paulo a suspensão, por até 60 dias, de execuções e outras medidas de cobrança relacionadas às dívidas que negocia com seus principais credores. Ao mesmo tempo, a fabricante de pás eólicas iniciou uma mediação para tentar reestruturar seu passivo financeiro, que chegava a quase R$ 2 bilhões no fim de junho.
O movimento coloca a companhia em uma sequência de empresas que recorreram a mecanismos judiciais ou negociações com credores para reorganizar dívidas. Só nos últimos dias, Casas Bahia e Marabraz pediram recuperação judicial, enquanto a Braskem Idesa, joint venture mexicana da Braskem, entrou com Chapter 11 nos Estados Unidos.
O processo corre em segredo de Justiça. A Aeris afirma que a proteção é temporária e que pretende avaliar alternativas para ajustar os termos de sua dívida à capacidade de geração de caixa e às perspectivas do negócio.
A nova negociação ocorre pouco mais de um ano depois de a Aeris concluir uma ampla reestruturação de seu endividamento.
Em maio de 2025, a empresa anunciou o reperfilamento de aproximadamente 90% da dívida total. A operação incluiu a repactuação da primeira e da segunda emissões de debêntures e renegociações com Banco do Brasil, BV e Santander, com alongamento dos vencimentos do passivo até 2030.
À época, a companhia afirmou que a renegociação reduziria a pressão financeira de curto prazo e garantiria liquidez para os anos seguintes.
Desde então, porém, a dívida voltou a crescer.
A Aeris encerrou o segundo trimestre de 2026 com R$ 1,956 bilhão em dívida bruta, ante R$ 1,818 bilhão no fim de 2025. O caixa livre era de apenas R$ 17,3 milhões, deixando a dívida líquida em R$ 1,938 bilhão.
A companhia também mantinha em negociação com o BNDES R$ 93 milhões de principal e R$ 25 milhões em juros acumulados. Segundo o balanço, esses valores estavam vencidos e ainda não havia definição sobre os novos termos.
A situação financeira ocorre em paralelo a uma forte redução da atividade da Aeris. A receita líquida ficou em R$ 129,3 milhões no segundo trimestre, queda de 46,6% em relação ao mesmo período de 2025. No primeiro semestre, o faturamento caiu 48,1%, para R$ 234,9 milhões.
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Siga o Times | CNBCO Ebitda ajustado permaneceu negativo em R$ 12,4 milhões. Na última linha do balanço, a Aeris registrou prejuízo de R$ 152 milhões no trimestre e acumulou perda de R$ 290 milhões nos primeiros seis meses do ano.
O resultado financeiro foi uma das principais fontes de pressão. As despesas financeiras líquidas somaram R$ 114 milhões no segundo trimestre, alta de 60,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
A própria companhia atribuiu parte da queda de receita à retração da atividade no mercado eólico brasileiro. Enquanto as vendas de pás para o exterior cresceram no semestre, a receita desse segmento no mercado doméstico despencou 91,9%, para R$ 18,3 milhões.
Apesar disso, a Aeris afirma ter 2 GW contratados para fornecimento de pás em 2026 e 2027 e vem preparando linhas de produção para atender aos contratos.
A Aeris chega à mesa com os credores em um momento de novos casos de estresse financeiro entre companhias de diferentes setores.
O Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial neste mês para reestruturar R$ 17,3 bilhões em dívidas. A varejista já havia passado por uma recuperação extrajudicial de aproximadamente R$ 4,1 bilhões em 2024.
A Marabraz também recorreu à recuperação judicial neste mês, com cerca de R$ 140 milhões em dívidas. Em maio, o Grupo Toky, dono de Tok&Stok e Mobly, havia feito o mesmo com passivo superior a R$ 1 bilhão. O processamento do caso foi autorizado pela Justiça em junho.
Fora do varejo, a Braskem Idesa protocolou em 18 de agosto um pedido de Chapter 11 nos Estados Unidos. O plano prevê reduzir a dívida sênior da companhia de aproximadamente US$ 2,5 bilhões para US$ 1,6 bilhão. A própria Braskem também negocia com credores no Brasil e já havia obtido uma proteção judicial temporária para avançar nas conversas.
A Aeris afirma que continuará operando normalmente durante as negociações e que a medida judicial não deve afetar clientes, fornecedores correntes, revendedores ou outros parceiros considerados essenciais para a operação.
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