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Ajuste fiscal deveria ser anunciado após eleição e diluído em até 4 anos, diz Felipe Salto
Publicado 06/10/2026 • 20:08 | Atualizado há 31 minutos
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Publicado 06/10/2026 • 20:08 | Atualizado há 31 minutos
KEY POINTS
O próximo governo deveria anunciar um plano de ajuste fiscal logo após a eleição, mas distribuir seus efeitos ao longo de três a quatro anos para evitar um choque sobre uma economia já projetada para crescer pouco em 2027. É o que avalia Felipe Salto, economista-chefe da Warren, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Salto citou uma simulação feita por ele e pelo economista Josué Pellegrini, que considera um cenário de crescimento próximo de 1% no próximo ano e juros ainda em nível restritivo. Nesse ambiente, concentrar o ajuste no primeiro ano poderia provocar uma contração excessiva da atividade.
“Não dá para ser um ajuste que venha como uma espécie de choque no primeiro ano para depois ver o que acontece, porque isso pode levar a uma recessão”, afirmou.
Para Salto, o ideal seria aproveitar o período de transição, após o segundo turno, para montar o conjunto de medidas e sinalizar rapidamente a direção da política fiscal.
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“O que se espera é que esse plano seja composto de medidas que tenham efeito fiscal relevante, mas que elas se distribuam ao longo do tempo, de três a quatro anos”, disse.
Entre as medidas que poderiam integrar o ajuste, Salto citou uma revisão da participação da União no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), além das regras que vinculam despesas de saúde e educação ao comportamento das receitas.
Segundo o economista, a complementação federal ao Fundeb cresceu de forma significativa desde a aprovação do novo modelo do fundo.
Ele também mencionou a necessidade de discutir despesas previdenciárias e benefícios como abono salarial, seguro-desemprego e Benefício de Prestação Continuada (BPC), atualmente relacionados ao salário mínimo.
“Ou bem você cria políticas apartadas para isso, ou você discute a desindexação. Eu acho que a primeira opção é politicamente mais palatável”, afirmou.
Outra questão apontada pelo economista são os gastos tributários. Salto afirmou que houve avanços recentes na revisão de benefícios, mas que o volume continua elevado.
“O gasto tributário ainda está num volume gigantesco, R$ 621 bilhões, pela minha estimativa e do Josué Pellegrini”, disse.
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Siga o Times | CNBCO economista também defendeu redução de emendas parlamentares e medidas contra supersalários no setor público.
Segundo ele, o impacto financeiro dos supersalários pode ser menor dentro do ajuste total, mas a medida teria importância política para dar legitimidade ao esforço fiscal.
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“Essa última medida é muito importante não tanto pelo peso nesse bolo de ajuste fiscal, de valores mesmo, mas pelo caráter, digamos, moralizador que a medida poderia ter para legitimar o ajuste”, afirmou.
Salto avaliou ainda que a forte reação dos ativos após o primeiro turno refletiu a leitura dos investidores de que aumentou a probabilidade de um ajuste fiscal no próximo governo.
“Isso é a leitura do mercado. Se isso é verdadeiro ou não, se vai acontecer ou não, é outra história”, afirmou.
Segundo ele, a queda dos juros futuros foi particularmente intensa e antecipou expectativas sobre uma eventual mudança na condução fiscal.
Porém, o economista ressaltou que ainda faltam detalhes sobre quais medidas serão adotadas, quem integrará a equipe econômica e como um eventual plano será implementado.
Salto observou que tanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto Flávio Bolsonaro (PL) evitaram detalhar propostas com maior custo político durante a campanha.
“Acho difícil a gente antecipar, porque os dois principais candidatos que agora estão disputando o segundo turno tomaram esse cuidado de não dar nenhum detalhe”, disse.
Para ele, independentemente de quem vencer, o debate deve ganhar força imediatamente após a definição da eleição.
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