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Custo de empréstimos das maiores economias atinge maior nível desde 2008
Publicado 17/08/2026 • 22:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 17/08/2026 • 22:30 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: magnific
Custo de empréstimos das maiores economias atinge maior nível desde 2008
Os governos das principais economias avançadas enfrentam um aumento no custo dos empréstimos. Os rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos, França, Alemanha e Japão alcançaram níveis que não eram registrados há anos. Em alguns casos, as taxas chegaram aos maiores patamares desde a crise financeira de 2008.
O movimento ocorre porque os investidores passaram a exigir uma remuneração maior para manter títulos de longo prazo. A avaliação é que a combinação entre inflação persistente, aumento dos gastos públicos e incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio pode manter os juros elevados por mais tempo.
Assim, segundo o The Guardian, o avanço dos rendimentos aumenta diretamente o custo de financiamento dos governos. Quando as taxas sobem, os países precisam oferecer uma remuneração maior para atrair compradores de seus títulos.
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Nos Estados Unidos, o rendimento dos títulos do Tesouro com vencimento em 30 anos alcançou 5,29%. A taxa foi a maior desde 2007, ano marcado pelo agravamento da crise de crédito que antecedeu a crise financeira de 2008.
O avanço ocorre enquanto os investidores avaliam os efeitos da inflação e das contas públicas americanas. Além disso, a guerra entre Estados Unidos e Irã mantém o mercado de energia sob pressão.
O petróleo subiu 6% na semana passada, e o Brent voltou a avançar nesta segunda-feira (17). A alta da energia pode dificultar o controle da inflação, principalmente se o conflito continuar afetando o transporte de petróleo e gás.
Esse cenário também interfere nas decisões dos bancos centrais. Se os preços permanecerem elevados, as autoridades monetárias podem precisar manter os juros altos ou até elevar as taxas para impedir que a inflação se torne persistente.
A mesma preocupação aparece nos principais mercados europeus. Na França, o rendimento do título de 30 anos chegou a 4,8558%, o maior nível desde setembro de 2008. O papel de 10 anos também atingiu uma marca relevante, com rendimento de 4,0516%, maior patamar desde junho de 2009.
Na Alemanha, o título público de 10 anos alcançou 3,2138%, maior rendimento desde 2011. A alta mostra que os investidores estão exigindo uma remuneração maior para manter a dívida dos governos europeus.
Além disso, os mercados financeiros passaram a indicar quase 85% de probabilidade de o Banco Central Europeu elevar os juros em setembro. A expectativa ganhou força justamente em um momento de preocupação com a inflação e de desaceleração do crescimento.
O problema é que juros maiores ajudam a conter a demanda e os preços, mas também encarecem o crédito e podem pesar sobre economias que já apresentam sinais de fraqueza. Assim, os bancos centrais precisam equilibrar o combate à inflação com os riscos para a atividade econômica.
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No Japão, o rendimento do título público de 10 anos chegou a 2,93%, maior nível desde setembro de 1996. A taxa recuou levemente depois que o país divulgou um relatório sobre o PIB, que apontou crescimento mais fraco do que o esperado entre abril e junho.
Enquanto isso, os investidores passaram a considerar a possibilidade de o Banco do Japão elevar os juros já em setembro. A expectativa está ligada à tentativa de sustentar o valor do iene, que sofre com uma desvalorização persistente.
Para Axel Rudolph, analista técnico-chefe da IG, a fraqueza do iene e as pressões inflacionárias reforçam a necessidade de medidas. Além disso, a incerteza sobre como o governo financiará o corte proposto no imposto sobre alimentos aumenta a preocupação com as contas públicas.
O movimento dos títulos mostra que os investidores estão mais cautelosos diante da combinação entre inflação, gastos governamentais e instabilidade geopolítica. França, Alemanha, Estados Unidos e Japão registraram fortes altas nos rendimentos, enquanto os títulos britânicos e italianos também perderam valor.
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Como preço e rendimento dos títulos se movimentam em direções opostas, a queda dos preços representa um aumento das taxas exigidas pelos investidores.
Portanto, o custo de empréstimos das maiores economias avançadas atingiu, nesta segunda-feira (17), os níveis mais altos desde a crise financeira de 2008, ou até antes em alguns casos. A combinação entre petróleo mais caro, inflação persistente e expectativa de juros elevados explica a pressão sobre os mercados de dívida.
Se o conflito no Oriente Médio continuar afetando os preços de energia, os bancos centrais poderão enfrentar ainda mais dificuldades para reduzir os juros. Consequentemente, os governos que dependem de novas emissões de dívida terão de lidar com empréstimos mais caros e um cenário de financiamento mais pressionado.
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