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Alemanha: recuperação econômica será mais lenta em 2026; entenda os motivos
Publicado 19/12/2025 • 08:41 | Atualizado há 9 meses
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Publicado 19/12/2025 • 08:41 | Atualizado há 9 meses
KEY POINTS
O Bundesbank, banco central da Alemanha, reduziu ligeiramente sua previsão de crescimento econômico para o próximo ano, indicando uma recuperação mais lenta da maior economia da Europa após três anos de estagnação. Em relatório divulgado nesta sexta-feira (19), a instituição passou a projetar crescimento de 0,6% do PIB em 2026, abaixo da estimativa de 0,7% feita em junho. Para 2027, a previsão é de aceleração para 1,3%.
O presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, afirmou que a recuperação será impulsionada principalmente por gastos públicos e pela retomada das exportações, à medida que os investimentos do governo em infraestrutura e defesa comecem a se espalhar pela economia.
“Os primeiros sinais desse aumento de gastos já são visíveis, mas o impacto mais relevante sobre o crescimento econômico deve ocorrer ao longo do próximo ano”, afirmou Nagel.
Segundo ele, as empresas também devem elevar os investimentos, apesar da incerteza global, o que deve fazer com que a expansão econômica se intensifique de forma mais clara em 2027.
Ainda assim, a projeção do Bundesbank para 2026 permanece abaixo de outras estimativas. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta crescimento de 0,9%, enquanto institutos econômicos alemães trabalham com números próximos de 1%.
No campo inflacionário, o relatório aponta que o recuo dos preços tem sido mais lento do que o esperado. A inflação deve atingir 2,2% em 2026, chegando à meta de 2,0% apenas em 2027 e 2028.
Entre os fatores que explicam a desaceleração gradual estão o forte crescimento dos salários e os preços da energia, que não devem cair tanto quanto se previa anteriormente.
A Alemanha, historicamente considerada o motor econômico da Europa, vem enfrentando dificuldades com a queda das exportações, impactadas por tarifas, conflitos comerciais e pela concorrência crescente de empresas chinesas. O país passou por dois anos de recessão em 2023 e 2024 e deve registrar crescimento modesto de apenas 0,2% em 2025, segundo o Bundesbank.
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Siga o Times | CNBCNo início deste ano, a Alemanha flexibilizou suas regras rígidas de endividamento, permitindo que o governo do chanceler Friedrich Merz destinasse centenas de bilhões de euros a investimentos em infraestrutura.
Merz também se comprometeu a elevar significativamente os gastos militares, diante de uma Rússia considerada hostil, com o objetivo de estruturar o maior exército convencional da OTAN na Europa.
Nagel afirmou que o crescimento deve continuar em 2028, a 1,1%, mas com perda de fôlego, devido à escassez de trabalhadores qualificados, que já pressiona o mercado de trabalho.
Segundo o Bundesbank, os custos de mão de obra por hora na Alemanha já são elevados, o que representa um desafio relevante à competitividade das empresas. Ainda assim, Nagel destacou que salários mais altos e um mercado de trabalho forte tendem a impulsionar a renda real e o consumo privado, ajudando a sustentar a atividade econômica.
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O presidente do Bundesbank alertou, porém, que o aumento dos gastos públicos levará a uma deterioração fiscal. A dívida pública deve alcançar 68% do PIB até 2028, enquanto o déficit orçamentário pode chegar a 4,8% do PIB, nível comparável ao observado na década de 1990, após a reunificação alemã.
Embora ainda inferior ao de países como França e Itália, esse patamar é considerado alto para os padrões históricos recentes da Alemanha. Segundo Nagel, será necessário conter gastos no médio prazo para garantir finanças públicas sólidas.
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