CNBC

CNBCJetBlue reformula categorias de tarifas e prepara lançamento da primeira classe em voos domésticos

Notícias do Brasil

“Jabutis” em projeto do Senado podem elevar conta de luz em R$ 1,5 trilhão e pressionar indústria

Publicado 27/07/2026 • 23:01 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Térmicas abastecidas com gás da Amazônia concentram R$ 902,5 bilhões do custo estimado pela Abrace.
  • Siderurgia, alumínio, cimento, química, papel e celulose estão entre os setores mais expostos à alta da energia.
  • Nove associações do setor elétrico enviaram carta a Davi Alcolumbre pedindo a retirada das contratações obrigatórias.
Postes de energia

Inclui mudanças significativas nas regras de contratação de energia, tarifas, armazenamento de energia. Créditos:Freepik.

Energia

Dispositivos incluídos em um projeto em tramitação no Senado podem acrescentar até R$ 1,5 trilhão à conta de luz entre 2027 e 2057 e elevar os custos da indústria brasileira, segundo cálculo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace).

O valor considera contratações obrigatórias de usinas termelétricas a gás e pequenas hidrelétricas previstas em substitutivo aprovado pela Comissão de Serviços de Infraestrutura da Casa.

O projeto tratava inicialmente de descontos na energia usada em atividades como irrigação, aquicultura e exploração de poços de água. O texto apresentado pelo relator, senador Hermes Klann (PL-SC), acrescentou regras para a expansão da geração de energia. Os dispositivos são classificados como “jabutis” pelas entidades contrárias à proposta.

A maior parcela do custo estimado pela Abrace está ligada à contratação de termelétricas na Região Norte abastecidas com gás natural de origem amazônica. O impacto acumulado seria de R$ 902,5 bilhões em 30 anos.

Outros R$ 301 bilhões decorreriam da contratação obrigatória de 2,5 gigawatts de térmicas a gás, com inflexibilidade mínima de 70%. Isso significa que as usinas teriam de operar em um patamar mínimo mesmo quando fontes mais baratas estivessem disponíveis.

A contratação de 4,9 gigawatts de hidrelétricas com potência de até 50 megawatts acrescentaria R$ 255 bilhões. Somadas, as três parcelas chegam a cerca de R$ 1,46 trilhão, arredondados pela entidade para até R$ 1,5 trilhão.

Leia também: Brasil e Coreia do Sul fecham acordo de energia para acelerar transição energética

Indústria pode sentir impacto antes das usinas

Para Beny Fard, sócio da B8 Partners e especialista em investimentos e negócios internacionais, o custo pode chegar à indústria antes mesmo do início da operação das novas usinas.

“O custo pode chegar por dois canais que operam em ritmos diferentes”, afirma. O primeiro seria o aumento de encargos setoriais incorporados às tarifas para financiar as contratações. O segundo seria o repasse direto do custo quando a energia começar a ser entregue.

Pelo texto, as térmicas de 2,5 gigawatts teriam leilão até o primeiro trimestre de 2027, com fornecimento a partir de julho de 2032. As pequenas hidrelétricas seriam contratadas no terceiro trimestre de 2026, com entrega escalonada entre 2032 e 2035.

Os setores eletrointensivos seriam os mais afetados, entre eles siderurgia, alumínio, cimento, química, papel e celulose e ferroligas.

“Em segmentos como a siderurgia, a energia elétrica pode representar até 40% do custo total de produção, e em alguns segmentos esse insumo já ultrapassa 50%”, diz Fard.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Segundo ele, o aumento das tarifas pode reduzir margens, elevar preços e prejudicar a concorrência com produtos importados fabricados em países com energia mais barata.

Fard cita uma estimativa da Federação das Indústrias do Estado do Paraná segundo a qual uma alta de 17,5% no custo da energia elevaria em aproximadamente 1,7% os custos industriais totais. Em empresas com rentabilidade entre 3% e 5%, o impacto poderia consumir uma parcela relevante da margem.

Leia também: Etanol: tarifa de 37,5% deve ter impacto limitado; crescimento do segmento de milho pode ser trunfo em negociações com os EUA

Associações pedem retirada dos dispositivos

Nove associações do setor elétrico enviaram uma carta ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pedindo a retirada das contratações obrigatórias.

Assinam o documento Abeeólica, Abiape, Abrace, Abraceel, Abradee, Abrage, Abrate, Anace e Apine.

As entidades argumentam que o projeto substitui o planejamento técnico do setor pela contratação de tecnologias e volumes definidos diretamente em lei. Na avaliação do grupo, cabe à Empresa de Pesquisa Energética analisar o crescimento da demanda e indicar a combinação de fontes de menor custo.

“A contratação compulsória de nova capacidade de geração imposta pelos dispositivos do PL pode ser desnecessária e não possui respaldo técnico”, afirma Fard.

Segundo ele, térmicas inflexíveis podem operar mesmo quando houver oferta de energia mais barata, elevando o custo do sistema e aumentando o risco de sobrecontratação.

O especialista também aponta possível impacto sobre as fontes renováveis. Na avaliação apresentada por ele, a entrada compulsória das térmicas pode elevar os cortes de geração eólica e solar em cerca de 12% até 2032, com custo adicional estimado em R$ 500 milhões por ano.

“É capacidade nova sendo paga enquanto capacidade limpa já instalada é desperdiçada”, diz.

O projeto está no Plenário do Senado. Também foram apresentados requerimentos para que o texto seja analisado pelas comissões de Assuntos Econômicos e de Constituição e Justiça.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil