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América Latina absorve melhor o choque do petróleo, diz presidente do BID na Brazil Week
Publicado 12/05/2026 • 21:45 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 12/05/2026 • 21:45 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
A América Latina e o Caribe têm mostrado mais resiliência do que outras regiões aos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre preços e oferta de petróleo. A análise é de Ilan Goldfajn, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC durante a Brazil Week, em Nova York, Goldfajn disse que a região tem absorvido melhor o choque em comparação com África, Ásia e outros continentes.
“A América Latina e o Caribe têm uma região que é mais resiliente, ou seja, está absorvendo melhor do que a África, do que a Ásia, do que outros continentes”, afirmou.
Segundo Goldfajn, o ponto de atenção é a duração do choque. Se a pressão sobre o petróleo persistir por mais tempo, os países precisarão se preparar para impactos indiretos, especialmente sobre inflação de alimentos e pobreza.
“Se esse choque vai ser mais longo e levar mais tempo, acho que tem que se preparar para atacar a questão da inflação de alimentos, no impacto à pobreza”, disse.
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O presidente do BID afirmou que programas de transferência direta de renda, como o Bolsa Família, podem ser usados como referência para proteger famílias vulneráveis em cenários de alta de preços.
“Tem que ter linhas como nossas Bolsa Família, ou esse tipo de linha que leve direto a essas famílias vulneráveis”, afirmou.
Questionado sobre o caso brasileiro, Goldfajn disse que o país pode ter um efeito mitigador vindo do câmbio. Segundo ele, se o real se aprecia, como ocorreu recentemente, o impacto dos preços internacionais sobre alimentos e petróleo tende a ser menor ao longo do tempo.
“O Brasil tem o efeito mitigador, que é a própria taxa de câmbio”, disse. “Se o real aprecia, isso reduz o impacto ao longo do tempo.”
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Siga o Times | CNBCEle afirmou, porém, que a pressão internacional de preços tende a chegar ao consumidor se o choque persistir por um período prolongado.
“No final das contas, vai acabar repassando ao consumidor, porque ao longo do tempo isso acaba sendo a realidade”, disse.
Goldfajn destacou que outros países, especialmente aqueles com câmbio fixo, não contam com o mesmo amortecedor. Nesses casos, a inflação externa pode ser transmitida mais diretamente para os preços domésticos de alimentos.
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O presidente do BID também afirmou que o momento é mais complexo para bancos centrais porque o choque atual tem características de oferta. Esse tipo de pressão, segundo ele, eleva a inflação ao mesmo tempo em que pode reduzir a atividade econômica.
“Quando é um choque de oferta, é mais complicado, porque a inflação sobe e tem impacto recessivo”, afirmou.
Na avaliação de Goldfajn, a dificuldade dos bancos centrais está em conter a inflação sem aprofundar a desaceleração da economia.
“Se você tentar conter inflação, pode piorar a atividade”, disse.
Ele afirmou que o impacto global também dependerá do grau de desorganização das cadeias de suprimento e da intensidade do repasse de preços. “É isso que a gente tem que levar em consideração”, afirmou.
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