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Brazil Week: executivos da Gerdau e Multiplica discutem oportunidades e desafios para atrair capital ao País

Publicado 12/05/2026 • 20:05 | Atualizado há 14 minutos

KEY POINTS

  • Painel do Grupo Voto na Brazil Week foi mediado por Cristiane Pelajo, âncora do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
  • André Gerdau afirmou que a decisão de investir nos Estados Unidos, iniciada em 1999, se mostrou estratégica para a companhia.
  • Eduardo Barbosa, CEO da Multiplica, disse que o Brasil é “país de oportunidade, mas é país de risco” e defendeu mais transparência para atrair capital estrangeiro.

A Gerdau tem hoje cerca de 70% de seu resultado vindo da América do Norte, em uma mudança que reforça a importância da decisão de internacionalizar a operação e expõe, ao mesmo tempo, os desafios de competitividade no Brasil. A avaliação é de André Gerdau, chairman da companhia.

A declaração foi feita durante painel do Grupo Voto na Brazil Week, em Nova York, mediado por Cristiane Pelajo, âncora do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC. Também participou da conversa Eduardo Barbosa, CEO da Multiplica, que destacou oportunidades de investimento no agro brasileiro e a necessidade de dar mais segurança ao capital estrangeiro.

“Eu sempre agradeço a quem decidiu vir para a América do Norte”, disse Gerdau. “Estamos nos Estados Unidos desde 1999, são 27 anos operando.”

Segundo o executivo, a operação da Gerdau é hoje dividida, em volume, entre América do Sul e América do Norte. Em resultado, porém, a América do Norte ganhou peso nos últimos anos e passou a representar cerca de 70% do total, chegando perto de 75% no trimestre mais recente.

“Se falasse isso dez anos atrás, era inimaginável”, afirmou.

Gerdau disse que a estratégia de presença nas Américas começou antes da entrada nos Estados Unidos, com a chegada da companhia ao Canadá em 1989. A operação americana foi iniciada em 1999 e se tornou central para o desempenho da empresa.

Segundo ele, a força recente da economia dos Estados Unidos, com demanda em energia, data centers e infraestrutura, ajuda a explicar o crescimento da operação local.

“O que impressiona é a força da economia americana, como está exuberante, continua crescendo”, afirmou.

O chairman da Gerdau também comparou o ambiente de negócios americano ao brasileiro. Para ele, a maior frustração de quem opera no Brasil é lidar com excesso de regras, burocracia, custos jurídicos e complexidade tributária.

“O Brasil é tão bom. Mas cada vez cria uma regra nova, uma lei nova, uma NR nova, um novo imposto”, disse. “Isso vai acumulando. Criou uma complexidade.”

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Segundo Gerdau, a diferença aparece principalmente depois da etapa produtiva. Ele afirmou que a produtividade dentro das fábricas pode ser semelhante entre Brasil e Estados Unidos, mas o custo Brasil reduz a competitividade quando o produto sai da operação.

“O problema não está no operador que faz aço no Brasil ou no americano. Quando sai da porta, aí vem o custo do Brasil”, afirmou.

O executivo disse que o Brasil precisa tornar mais simples o ambiente de negócios para liberar seu potencial de crescimento. Na avaliação dele, o país tem recursos naturais, empresas competitivas e profissionais qualificados, mas perde produtividade por excesso de obstáculos.

“Tem que ser mais fácil fazer negócio no Brasil, não mais difícil”, afirmou.

Gerdau também citou o câmbio como fator de dificuldade para a indústria, especialmente para empresas que competem com importados ou exportam. Segundo ele, a valorização cambial reduz a competitividade em um setor que disputa mercado com produtos de várias partes do mundo.

Ao comentar a percepção dos investidores estrangeiros, o chairman da Gerdau disse que ainda há cautela em relação ao Brasil, mas afirmou que o investidor internacional às vezes olha o país com horizonte mais longo do que o empresário que vive a operação diária.

“A gente que está lá no dia a dia às vezes é mais pessimista que o investidor, porque está sofrendo no dia a dia”, disse. “Se você olha médio e longo prazo, o Brasil é um belo país para se apostar e para se investir.”

Para Gerdau, a defesa comercial voltou ao centro da agenda global. Ele afirmou que a postura dos Estados Unidos sob Donald Trump mostrou que a guerra comercial já é uma realidade e que o Brasil também precisa proteger sua competitividade.

“Não existe comércio livre e justo”, afirmou. “Todo país tem algum tipo de defesa, proteção e incentivo.”

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Agro e capital estrangeiro

Eduardo Barbosa, CEO da Multiplica, afirmou que o agronegócio brasileiro já provou sua produtividade e escala, mas ainda precisa avançar em eficiência, infraestrutura, logística, armazenamento e uso de tecnologia.

“O agro no Brasil já se provou. Temos produtividade, escalabilidade, temos tudo”, disse. “O que falta, mais uma vez, é eficiência.”

Segundo Barbosa, o Brasil tem vantagens naturais no agro, como clima, geografia, disponibilidade hídrica e capacidade de produzir até três safras por ano. Para ele, o país é visto globalmente como referência em alimentos.

“O Brasil é o centro do alimento no mundo. Ele é o celeiro”, afirmou.

O executivo disse que a falta de infraestrutura cria gargalos, mas também abre espaço para investimentos em linhas de transmissão, armazenagem, logística, portos e agricultura 4.0.

“Gargalo nada mais é do que oportunidade”, afirmou.

Barbosa afirmou que a Multiplica busca atrair capital estrangeiro de longo prazo para financiar projetos no Brasil, especialmente no agro. Segundo ele, o país precisa de capital que traga valor, e não apenas dinheiro atrelado ao CDI.

“Investir no Brasil é enxergar valor”, disse. “Capital por capital, por CDI, tem um monte lá.”

Na avaliação do CEO da Multiplica, o Brasil precisa mostrar ao investidor estrangeiro onde estão as oportunidades, com mais transparência, segurança e conhecimento técnico sobre os negócios.

“Todos os lados do Brasil, ele é país de oportunidade, mas é país de risco”, afirmou. “Tudo que é risco e oportunidade, o investidor precifica.”

Barbosa disse que o papel de gestores de capital é reunir especialistas, parceiros, advogados e operadores do setor para dar mais fluidez e transparência ao investimento.

“É juntar muitas pessoas que entendem do business para conseguir levar transparência e fluidez”, afirmou.

Para ele, o Brasil ocupa posição central na América do Sul, mas precisa comunicar melhor esse protagonismo ao mercado internacional.

“O Brasil é o chairman da América do Sul”, disse. “O protagonismo está com a gente. Só precisa deixar isso mais transparente ao mercado.”

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Barbosa também citou certificações, rastreabilidade e segurança jurídica como temas centrais para o avanço do capital estrangeiro no agro. Segundo ele, investidores internacionais buscam prazo longo, segurança e comprovação de origem.

“Se você tem como demonstrar futuro numa necessidade de capital, segurança e origem, você tem tudo”, afirmou. “Você vai ter capital com prêmio, capital barato, capital longo.”

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