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Duas mortes confirmadas por intoxicação com metanol em São Paulo; mercado ilegal de bebidas movimenta R$ 88 bilhões
Publicado 28/09/2025 • 16:14 | Atualizado há 1 ano
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Publicado 28/09/2025 • 16:14 | Atualizado há 1 ano
KEY POINTS
São Paulo registrou duas mortes por intoxicação por metanol, uma na capital e outra em São Bernardo do Campo, confirmadas pelo Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do Estado. Desde junho, foram confirmados seis casos de intoxicação.
Outros dez casos suspeitos estão sob investigação, todos na capital paulista, relacionados ao consumo de bebidas adulteradas com metanol.
Em nota, o CVS afirmou estar apoiando e monitorando o trabalho dos municípios na fiscalização de bares, distribuidoras e demais estabelecimentos e orienta que a população adquira apenas bebidas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal.
O órgão reforça que o consumo de bebidas de origem clandestina ou sem procedência confiável representa risco grave à saúde, pois podem conter substâncias tóxicas como o metanol, usado em solventes industriais.
O alerta ocorre em meio a dados preocupantes sobre o mercado ilegal de bebidas no país. Segundo o Anuário da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), o setor movimentou R$ 88 bilhões em 2024, um aumento de R$ 2 bilhões em relação ao ano anterior, resultado de sonegação fiscal, contrabando e fraudes.
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As perdas da economia nacional com produtos ilícitos em diferentes setores chegaram a R$ 471 bilhões no mesmo período. Apenas no segmento de bebidas, 36% dos destilados vendidos no país são falsificados, adulterados com substâncias tóxicas, como o metanol, usado em solventes industriais.
Segundo a ABCF, o avanço desse mercado paralelo está ligado à alta carga tributária, à perda de poder de compra da população e à redução da fiscalização, fatores que aumentam a competitividade dos produtos ilegais. Em 2024, o setor de bebidas concentrou 80 operações de combate à falsificação, liderando as apreensões realizadas por órgãos de segurança.
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Siga o Times | CNBCSão Paulo responde por cerca de 40% das perdas nacionais e se mantém como principal destino de bebidas adulteradas. Segundo a ABCF, a descontinuação do sistema federal de rastreabilidade em 2016 dificultou o controle do mercado e ampliou a sonegação fiscal, hoje estimada em até R$ 24 bilhões no setor.
A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad/MJSP) emitiu, na última sexta-feira (26), um alerta sobre os novos casos de intoxicação por metanol registrados em São Paulo em apenas 25 dias. As ocorrências estão associadas ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas.
Segundo o comitê técnico do Sistema de Alerta Rápido (SAR), o número de registros é considerado atípico para um intervalo tão curto e difere do padrão observado em anos anteriores. Até então, as intoxicações estavam mais ligadas à ingestão deliberada de combustíveis, muitas vezes em contextos de abuso de substâncias e população em situação de rua.
Os casos recentes, porém, apontam para um novo cenário: a contaminação ocorreu em ambientes sociais, como bares, envolvendo bebidas como gin, whisky e vodka.
A Polícia Civil apura, ainda, a internação de quatro jovens, dois homens e duas mulheres, entre 23 e 27 anos, após o consumo de duas garrafas de gin no dia 1º de setembro.
Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública recomendou redobrar a atenção, especialmente nos fins de semana, quando cresce o consumo de bebidas alcoólicas.
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