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Bilionário transforma antigo quiosque de frutos do mar em restaurante de luxo e enfrenta disputa nos Hamptons

Publicado 29/08/2026 • 14:30 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Em Montauk, nos Hamptons, em Nova York, uma antiga loja de iscas se tornou um dos pontos mais disputados da região.
  • A propriedade tem origem na década de 1920, quando funcionava de maneira simples como uma loja de iscas.
  • O empresário chegou a apresentar planos mais ambiciosos para a área, mas recuou em parte das propostas diante da resistência local.

Foto: New York

Bilionário transforma antigo quiosque de frutos do mar em restaurante de luxo e enfrenta disputa nos Hamptons

O bilionário Marc Rowan, CEO da Apollo Global Management, comprou uma antiga loja de iscas em Montauk em 2014 e transformou o local em um ponto sofisticado de frutos do mar, mas enfrenta há anos uma disputa com moradores e autoridades sobre as regras de zoneamento.

Em Montauk, nos Hamptons, em Nova York, uma antiga loja de iscas se tornou um dos pontos mais disputados da região. O imóvel, comprado em 2014 pelo bilionário Marc Rowan, CEO da Apollo Global Management, passou por uma transformação que o levou a receber celebridades, influenciadores e clientes em busca de frutos do mar e uma vista privilegiada para a baía. A expansão, porém, abriu uma longa disputa sobre o uso da propriedade e o cumprimento das regras locais.

O estabelecimento, conhecido como Duryea’s Lobster Deck, funciona às margens da Fort Pond Bay e se tornou um destino sofisticado inspirado nos restaurantes costeiros de Cape Cod. O espaço tem cerca de 100 lugares, mesas de madeira, sofás, píer para embarcações e pratos de alto valor, The Wall Street Journal.

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Entre os itens do cardápio está uma salada de lagosta que chega a US$ 97 (em média R$ 499,33). O movimento também inclui clientes que chegam em lanchas e uma fila formada antes mesmo da abertura, principalmente nos dias de maior procura.

Loja de iscas a ponto sofisticado

A propriedade tem origem na década de 1920, quando funcionava de maneira simples como uma loja de iscas. A estrutura começou a mudar nos anos 1990, com a instalação de mesas de piquenique e a ampliação do deck.

As mudanças provocaram reclamações de moradores. A Comissão de Zoneamento de East Hampton concluiu que um restaurante de grande porte não poderia funcionar naquele espaço e determinou que novas ampliações dependeriam de autorização municipal.

Quando Rowan comprou o imóvel, herdou uma disputa que já vinha de anos. O empresário chegou a apresentar planos mais ambiciosos para a área, mas recuou em parte das propostas diante da resistência local.

Mesmo assim, a propriedade passou por uma transformação gradual. O que antes era uma estrutura rústica ganhou características de um empreendimento voltado ao público de alto poder aquisitivo.

Briga com moradores se arrasta há anos

A oposição ao empreendimento não ficou restrita às discussões sobre o tamanho do estabelecimento. Ao longo dos anos, Rowan entrou em diferentes disputas judiciais relacionadas à propriedade.

Entre os assuntos estavam questões envolvendo o sistema séptico, direitos de atracação e estacionamento. Moradores também passaram a acompanhar de perto as atividades do local e a questionar alterações feitas na área.

Uma das principais reclamações é que o estabelecimento teria crescido sem passar por todas as etapas de aprovação exigidas pelo município.

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Para os moradores contrários ao empreendimento, a questão não envolve apenas o restaurante. Eles afirmam que o caso representa uma discussão maior sobre a aplicação das regras de zoneamento em Montauk.

Bilionário tentou negociar com a vizinhança

Rowan sabia que enfrentaria resistência quando comprou a propriedade. Segundo relatos apresentados durante o processo, o empresário chegou a organizar um almoço para os moradores locais, com o objetivo de apresentar seus planos e ouvir críticas.

Ele também teria disponibilizado seu número de telefone aos vizinhos. A tentativa de aproximação, no entanto, não encerrou a disputa.

Um acordo chegou a ser negociado em 2019 entre representantes da cidade e Rowan. A proposta permitiria que o imóvel funcionasse como restaurante sob determinadas condições.

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Entre as concessões estava o compromisso de não criar um serviço de balsa para transportar clientes até o estabelecimento. O entendimento parecia colocar fim ao conflito, mas acabou se tornando outro capítulo da disputa.

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Acordo municipal volta à estaca zero

O próprio governo local passou a questionar a validade do acordo. Integrantes do conselho municipal afirmaram que não haviam recebido uma versão do documento e que não houve uma resolução formal autorizando sua aprovação. Em maio de 2026, um juiz decidiu que o acordo não havia sido devidamente ratificado pela cidade.

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A decisão deixou o futuro do estabelecimento novamente incerto. Apesar disso, o juiz permitiu que o negócio continuasse funcionando enquanto a disputa judicial prossegue. Para a cidade, a discussão é principalmente sobre o cumprimento das regras estabelecidas para aquela área.

Duryea’s diz que não é restaurante

A classificação do empreendimento também está no centro do conflito. A equipe de Rowan afirma que o Duryea’s mantém a mesma estrutura existente antes da compra e sustenta que a propriedade já contava com uma cozinha utilizada para preparar e vender frutos do mar.

A operação atual, porém, apresenta características que lembram um restaurante tradicional. Há funcionários uniformizados, cardápios impressos, balcão de pagamento e uma área com mesas voltadas para a baía.

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O serviço de mesa não é realizado por causa das restrições de zoneamento. Os clientes recebem pranchetas com o cardápio, escolhem os itens e fazem o pedido no balcão. Mesmo com essas limitações, o movimento transformou o endereço em um dos pontos mais concorridos de Montauk.

Trânsito e movimento aumentam a tensão

A localização também alimenta as reclamações dos moradores. O Duryea’s fica em um trecho de estrada estreito, sem calçadas e cercado por áreas de pântano. Nos horários de maior movimento, principalmente aos sábados antes do pôr do sol, veículos ocupam a via de mão dupla que leva ao estabelecimento.

Clientes caminham pelo acostamento e pelo gramado inclinado até chegar ao local. Em dias movimentados, o fluxo de pessoas e carros contrasta com o perfil mais tranquilo da região.

Os moradores também já questionaram estruturas e atividades específicas, incluindo um toldo instalado sobre o píer, uma passagem de madeira próxima às vagas destinadas a pessoas com deficiência e a realização de um casamento no local.

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Montauk virou palco de uma disputa maior

O conflito envolvendo Rowan ocorre em meio a uma discussão mais ampla sobre o futuro de Montauk. O vilarejo tenta preservar características que considera importantes para sua identidade, enquanto enfrenta o crescimento do turismo e a presença cada vez maior de empreendimentos voltados ao público de alto poder aquisitivo.

Para parte dos moradores, o caso Duryea’s simboliza essa mudança. Robert Pluhowski, cuja família frequenta a região desde a década de 1970, avalia que Rowan acabou se tornando o principal alvo de uma insatisfação que ultrapassa a propriedade.

A disputa, portanto, vai além de uma antiga loja de iscas ou de um restaurante de frutos do mar. Ela envolve o choque entre o crescimento de negócios sofisticados e as regras criadas para preservar o perfil tradicional de Montauk.

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Enquanto a disputa judicial continua, o Duryea’s permanece aberto e movimentado. O antigo quiosque de frutos do mar virou um endereço de luxo, mas também se tornou o centro de uma discussão sobre até onde pode ir a transformação de uma das regiões mais conhecidas de Long Island e sobre o poder de um bilionário.

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