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BIS vê IA como novo desafio para bancos centrais e alerta para risco de erros na política monetária

Publicado 28/07/2026 • 23:15 | Atualizado há 46 minutos

KEY POINTS

  • Banco aponta que expansão dos investimentos em inteligência artificial dificulta a leitura do cenário econômico.
  • Instituição avalia que efeitos da IA sobre inflação, demanda e produtividade ainda são incertos.
  • Relatório recomenda cautela aos bancos centrais diante do risco de calibragem inadequada dos juros.

O avanço da inteligência artificial (IA) deve tornar mais complexa a condução da política monetária pelos bancos centrais, segundo avaliação divulgada nesta terça-feira (28) pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS). Em relatório, a instituição afirma que a tecnologia afeta simultaneamente a demanda e a oferta da economia, tornando mais difícil identificar as condições econômicas e definir o nível adequado dos juros.

Para o BIS, embora a IA tenha potencial para elevar a produtividade, seus impactos ainda são incertos e variam entre setores e países, o que amplia os desafios para as autoridades monetárias.

O documento também destaca que a corrida global por investimentos em inteligência artificial tem sido financiada cada vez mais por dívida, impulsionando mercados financeiros e provocando efeitos sobre comércio, riqueza e termos de troca.

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Expansão acelerada dos investimentos

Segundo o relatório, os investimentos em data centers, semicondutores e infraestrutura ligada à inteligência artificial já representam cerca de 1% do PIB das economias mais expostas ao setor. O BIS observa ainda que esses projetos dependem, em escala crescente, dos mercados de dívida pública e do crédito privado.

A instituição cita estimativas do mercado que projetam um salto nos investimentos globais em IA, dos atuais US$ 500 bilhões (R$ 2,57 trilhões) para algo entre US$ 3 trilhões (R$ 15,39 trilhões) e US$ 4 trilhões (R$ 20,52 trilhões) até 2030. No mesmo período, os aportes em data centers devem triplicar.

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Efeitos opostos sobre a inflação

Na avaliação do BIS, a expansão dos investimentos, do comércio e do consumo relacionados à IA pode fortalecer a demanda agregada e aumentar as pressões inflacionárias. Em contrapartida, eventuais ganhos de produtividade tendem a ampliar a oferta de bens e serviços, ajudando a conter a inflação.

O relatório acrescenta que a preocupação com possíveis perdas de empregos decorrentes da adoção da inteligência artificial também pode reduzir o consumo, desacelerar os salários e amenizar a inflação. Como esses efeitos podem ocorrer em intensidades e momentos diferentes, o cenário permanece cercado de incertezas.

Diante desse quadro, o BIS alerta que uma avaliação equivocada da economia pode levar os bancos centrais a manter uma política monetária excessivamente expansionista ou, no extremo oposto, impor um aperto desnecessário. Por isso, a instituição defende uma atuação gradual e fortemente orientada pelos dados econômicos para reduzir o risco de erros na condução da política monetária.

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