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Fed deve manter juros estáveis enquanto inflação e conflito com Irã elevam pressão sobre política monetária

Publicado 26/07/2026 • 07:30 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • Fed deve manter juros entre 3,50% e 3,75% pela quinta reunião seguida.
  • Mercado acompanha postura do novo presidente, Kevin Warsh, diante da inflação persistente.
  • Conflito entre EUA e Irã e alta do petróleo reforçam expectativa de tom mais duro da autoridade monetária.

O Federal Reserve (Fed) inicia nesta terça-feira (28) sua segunda reunião de política monetária sob o comando de Kevin Warsh, e a expectativa predominante no mercado é de manutenção da taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75% pela quinta reunião consecutiva. A decisão será anunciada na quarta-feira (29), em meio a um cenário de inflação persistente e aumento das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã.

Segundo analistas ouvidos pela AFP, embora o consenso seja de estabilidade dos juros neste encontro, o ambiente econômico tem reforçado a possibilidade de um discurso mais rígido por parte do banco central. A escalada do conflito no Oriente Médio impulsionou os preços do petróleo, elevando o risco de novas pressões inflacionárias justamente quando a inflação americana segue distante da meta de 2% estabelecida pelo Fed.

Após dois dias de reuniões a portas fechadas, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) divulgará sua decisão às 15h (horário de Brasília), seguida da primeira entrevista coletiva de Warsh após mais um encontro de política monetária.

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Inflação segue no radar

A inflação ao consumidor nos Estados Unidos desacelerou para 3,5% em junho na comparação anual, mas continua significativamente acima da meta do banco central, patamar que não é alcançado há mais de cinco anos.

Nos últimos dias, a intensificação dos confrontos entre Estados Unidos e Irã, incluindo bombardeios americanos e ações de retaliação de Teerã contra aliados de Washington na região, elevou ainda mais as preocupações dos formuladores de política monetária. Paralelamente, os rebeldes houthis, no Iêmen, ameaçaram bloquear a rota marítima do Mar Vermelho, importante corredor para o transporte global de petróleo.

Como consequência, os contratos futuros da commodity voltaram a superar a marca de US$ 100 por barril, ampliando o risco de novos aumentos nos preços da energia e seus efeitos sobre a inflação.

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Na avaliação de dirigentes do Fed, o cenário exige atenção redobrada. O diretor da instituição, Christopher Waller, afirmou na última semana que o banco central precisa estar preparado para voltar a elevar os juros, caso seja necessário impedir uma nova onda inflacionária semelhante à observada entre 2021 e 2022.

O Fed precisa estar preparado para apertar a política monetária para evitar uma repetição do episódio inflacionário de 2021 a 2022“, afirmou Waller. “Ficar apenas observando a inflação até que ela desapareça não é uma opção.”

Nova postura de Warsh

Desde que assumiu a presidência do Fed, Kevin Warsh defende reduzir significativamente o chamado forward guidance – prática pela qual o banco central antecipa ao mercado possíveis caminhos para a política monetária.

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Segundo Warsh, esse tipo de comunicação pode limitar a flexibilidade dos dirigentes caso o cenário econômico mude rapidamente. Parte dos economistas, porém, avalia que uma postura menos transparente tende a aumentar a incerteza entre investidores.

Em suas manifestações públicas, o novo presidente tem reiterado seu compromisso com a estabilidade de preços, mas ainda evita indicar em quais condições considera apropriado iniciar um novo ciclo de alta dos juros.

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Mercado de trabalho dá espaço para foco na inflação

Além de controlar a inflação, o Fed também tem como missão promover o máximo emprego. A principal ferramenta para cumprir esse mandato é justamente a taxa básica de juros: aumentá-la tende a desacelerar a atividade econômica e conter os preços, enquanto reduções costumam estimular investimentos e contratações, mas também podem impulsionar a inflação.

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Atualmente, o mercado de trabalho americano permanece relativamente estável, com desemprego em níveis baixos, apesar das oscilações na geração de vagas. Esse cenário permite que a autoridade monetária concentre sua atenção principalmente sobre a inflação.

Para Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon, apenas reafirmar o compromisso com a estabilidade de preços não basta diante dos desafios atuais.

Compromisso firme, por si só, não é suficiente para conter as pressões inflacionárias“, afirmou.

Segundo ele, o silêncio de Warsh acabou abrindo espaço para que outros dirigentes do Fed assumissem protagonismo ao defender uma postura mais dura contra a inflação.

Mercado já projeta novas altas

Embora a desaceleração da inflação em junho reduza a pressão por uma decisão imediata, analistas avaliam que o encontro desta semana poderá revelar divergências entre os integrantes do comitê.

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Para Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, a composição atual do Fed demonstra preocupação crescente com o comportamento recente da economia.

Temos um novo presidente, mas a velha guarda está cada vez mais preocupada com a direção da economia desde o início do ano“, afirmou.

Além da alta dos combustíveis provocada pelo conflito no Oriente Médio, a inflação também segue pressionada pelo aumento da demanda associado ao avanço da inteligência artificial e pelos efeitos contínuos das tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump.

Na avaliação de Swonk, o grupo de dirigentes favoráveis a uma política monetária mais rígida ganhou força dentro do Fed, o que pode abrir espaço para duas novas altas de juros ainda neste ano.

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