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Bolsa brasileira mergulha 7,23% em maio e tem pior mês desde 2023
Publicado 29/05/2026 • 20:59 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 29/05/2026 • 20:59 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
Foto: Getty Images
Ibovespa acumula queda de 8,54% em dólares em agosto e tem o segundo pior desempenho entre 21 índices acompanhados pela Elos Ayta.
A Bolsa brasileira voltou a fechar em baixa nesta sexta-feira (29), ampliando o movimento de correção observado nas últimas sete semanas, numa sequência que não era observada desde 2004. No acumulado da semana, o índice registrou desvalorização de 1,38%, enquanto o mês de maio terminou com perda de 7,23%, segundo dados do Rocket Trader. É o resultado mensal mais fraco desde fevereiro de 2023.
O principal fator foi a mudança de percepção de risco global. Segundo Beny Fard, sócio da B8 Partners, ao longo de maio, houve uma combinação de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos, incertezas fiscais em diversas economias e uma postura mais cautelosa dos investidores internacionais.
“Quando o cenário externo fica mais desafiador, os recursos tendem a migrar para ativos considerados mais seguros, reduzindo a exposição a mercados emergentes como o Brasil. Além disso, dúvidas sobre o ritmo de crescimento global e questões domésticas relacionadas ao equilíbrio fiscal também contribuíram para uma postura mais defensiva do investidor estrangeiro”, disse.
A aversão ao risco ganhou força ao longo das sessões diante das preocupações relacionadas ao ambiente doméstico. A decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas ampliou os debates sobre possíveis consequências para empresas brasileiras e para o sistema financeiro.
Fard explica que os setores mais sensíveis ao ciclo econômico e ao custo do capital costumam sofrer mais em momentos de aversão ao risco. Empresas de varejo, construção civil, tecnologia e consumo discricionário geralmente são impactadas porque dependem mais de crédito, renda disponível e expectativas de crescimento.
“O setor financeiro também pode sentir pressão quando há aumento da percepção de risco e revisões para baixo das projeções econômicas. Em um ambiente de saída de capital estrangeiro, essas companhias tendem a registrar correções mais intensas”, disse Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital.
A maior queda do mês ficou com o Magazine Luiza (MGLU3). Os papéis da varejista recuaram 27,34%, fechando maio a R$ 5,98. A Cosan (CSAN3) também registrou forte desvalorização, de 24,60%, para R$ 3,80.
As ações da Vamos (VAMO3) caíram 22,73%, encerrando a sessão desta sexta-feira a R$ 3,06, enquanto os papéis da Axia (AXIA6) recuaram 17,07%, para R$ 56,93. Já a Sabesp (SBSP3) registrou perda de 15,69%, fechando o dia cotada a R$ 27,95.
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Siga o Times | CNBCSegmentos ligados a commodities e empresas com receitas mais previsíveis costumam apresentar menor suscetibilidade às variações do ambiente de negócios, diz Fard. Exportadoras, empresas de energia elétrica, saneamento e algumas companhias do agronegócio conseguem atravessar períodos de volatilidade com menor impacto porque possuem geração de caixa mais estável e, muitas vezes, exposição ao dólar.
“Investidores costumam buscar esses ativos em momentos de maior incerteza justamente pelo perfil mais defensivo”, ele diz.
As ações da Usiminas (USIM5) lideraram os ganhos do mês, com alta de 33,66%, encerrando o dia cotadas a R$ 11,08. O desempenho colocou a companhia no topo das maiores valorizações da sessão, seguida pela Braskem (BRKM5), cujos papéis avançaram 14,32%, para R$ 22,52.
Também figuraram entre os destaques positivos a Ambev (ABEV3), com valorização de 12,47% e fechamento a R$ 33,07, e a CSN (CSNA3), que subiu 7,70%, encerrando o pregão a R$ 4,66. As ações da Lojas Renner (LREN3) completaram a lista das maiores altas, com avanço de 9,56%, para R$ 13,40.
As ações de maior peso na composição do índice estiveram entre as principais responsáveis pelo desempenho negativo. A Petrobras (PETR3 e PETR4) acompanhou a retração dos preços internacionais do petróleo, influenciada pelas expectativas de redução das tensões no Oriente Médio. Os papéis ordinários da companhia fecharam a R$ 47,44, com queda de 0,21%, enquanto as preferenciais terminaram o dia cotadas a R$ 42,00, baixa de 1,20%.
A Vale (VALE3) também encerrou a sessão em terreno negativo. Os papéis da mineradora recuaram 1,36%, para R$ 82,82, apesar da alta registrada pelo minério de ferro no mercado chinês.
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