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Brasil pode abrir mão de R$ 47 bilhões ao apostar em petróleo na Foz do Amazonas, aponta estudo
Publicado 24/04/2026 • 07:00 | Atualizado há 4 semanas
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Publicado 24/04/2026 • 07:00 | Atualizado há 4 semanas
KEY POINTS
Divulgação / Petrobras / Agência Brasil
Optar pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas em vez de priorizar fontes renováveis pode levar o Brasil a renunciar a R$ 47 bilhões em ganhos econômicos e benefícios sociais, segundo estudo inédito divulgado nesta quinta-feira (23) pela WWF-Brasil.
O valor reúne duas frentes de impacto: R$ 22,2 bilhões em perdas associadas ao investimento em combustíveis fósseis na Margem Equatorial e R$ 24,8 bilhões que deixariam de ser gerados caso o país não avance em investimentos voltados à eletrificação da matriz energética.
Para medir os efeitos de cada escolha, o levantamento utilizou a Análise Socioeconômica de Custo-Benefício (ACB), metodologia recomendada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para grandes investimentos públicos.
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Segundo Daniel Thá, consultor da WWF-Brasil, o modelo considera impactos amplos e de longo prazo. “É uma análise que não está focada no lucro do investidor privado ou no imposto que o governo recolhe. Está balizada no retorno para todos os atores da sociedade, incluindo governo, empresa e famílias”, explicou.
O estudo simulou o desempenho produtivo da bacia da Foz do Amazonas ao longo de 40 anos, sendo 10 anos destinados à fase de exploração e comprovação de reservas e outros 30 anos voltados à operação comercial.
A projeção considera reserva de 900 milhões de barris de petróleo, com capacidade de produção de 120 mil barris por dia a partir de 20 poços exploratórios.
Sob perspectiva exclusivamente financeira, descontados os custos operacionais, as empresas teriam lucro com preço de venda a partir de US$ 39 por barril (R$ 195,8).
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Atualmente, o barril de petróleo gira em torno de US$ 100 (R$ 502,0).
Ainda assim, o estudo aponta que a rentabilidade dependeria do grau de ação climática adotado globalmente.
“As petroleiras dependem muito de um mundo sem ação climática suficiente para terem lucro”, afirmou Daniel Thá.
O levantamento também incluiu custos sociais decorrentes das emissões de gases de efeito estufa ligadas ao projeto.
Segundo os pesquisadores, o modelo estima 446 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, concentradas principalmente na fase de consumo dos combustíveis.
Apenas o custo social do carbono poderia representar perdas entre R$ 21 bilhões e R$ 42 bilhões para a população.
Com a inclusão dessas externalidades, o saldo líquido da nova fronteira petrolífera seria negativo em R$ 22,2 bilhões ao longo de quatro décadas.
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“A adição dessas externalidades faz com que a somatória dos custos de exploração e produção mais as externalidades não sejam superadas pelo volume de benefícios que é gerado”, disse Thá.
A rota do petróleo foi comparada a outros dois cenários com parâmetros equivalentes de investimento, entrega de energia, volume de combustível e risco de mercado. A demanda anual projetada foi convertida para 48,63 TWh por ano, permitindo comparar diferentes fontes energéticas.
No cenário de eletrificação, o estudo considerou 50% de eólica em solo, 42% de solar fotovoltaica, 4% de biomassa e 4% de biogás.
Segundo a WWF-Brasil, essa alternativa geraria retorno líquido positivo de quase R$ 25 bilhões. “Desvendamos que essa rota de eletrificação, que é imediata e não precisa esperar os dez anos de exploração da rota do petróleo, traria um retorno positivo para a sociedade”, destacou Daniel Thá.
No terceiro cenário, a gasolina foi comparada ao etanol, o diesel ao biodiesel, o combustível de aviação ao SAF e o gás de petróleo ao biometano.
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Embora apresentem custos diretos maiores, os biocombustíveis registraram externalidades menores.
Com isso, o custo total desse modelo ficou R$ 29,3 bilhões abaixo da rota baseada em combustíveis fósseis.
A Margem Equatorial, especialmente a Foz do Amazonas, é considerada a nova fronteira brasileira para exploração de petróleo e gás, com potencial estimado em 30 bilhões de barris.
Localizada entre Amapá e Pará, a área reúne elevada biodiversidade, proximidade com grandes rios e presença da floresta amazônica.
Para a Petrobras, a região é estratégica para substituir a produção do pré-sal após 2030 e evitar que o país precise importar petróleo em cerca de dez anos.
O governo federal também defende que receitas obtidas com combustíveis fósseis possam financiar a transição energética brasileira.
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