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Naskar troca de dono pela segunda vez, app segue fora do ar e investidores sem o dinheiro

Publicado 09/06/2026 • 15:26 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Aposentada rural de 77 anos assume controle da Naskar na JUCESP.
  • Naskar troca de dono pela segunda vez e investidores seguem sem acesso ao dinheiro aplicado.
  • Aposentada e novo dono já estiveram juntos em outros empreendimentos - e processos.
naskar azara

Foto: Montagem

Um mês depois do colapso que deixou cerca de 3 mil investidores sem acesso a seus investimentos, que totalizam R$ 1 bilhão, a Naskar chegou ao seu segundo novo dono em menos de três semanas.

Desde quarta-feira (4) de junho, a ficha cadastral emitida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo registra Célia de Fátima Ferreira como única sócia e administradora da fintech. Aposentada rural de 77 anos, moradora de um apartamento popular em Uberlândia, não tem histórico no mercado financeiro, mas aparece em sociedade com Douglas Oliveira Azara (comprador) em outras sociedades – e protestos.

Entre os processos, chama a atenção uma ação em curso contra o INSS pedindo pensão por morte e recurso de aposentadoria rural.

Enquanto isso, o aplicativo da Naskar segue fora do ar. “Nunca mais voltou”, disse uma vítima ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Nenhum dos envolvidos teve passaporte apreendido e nenhum prazo foi comunicado aos investidores.

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Segunda troca em menos de três semanas

A primeira mudança de controle havia ocorrido em 20 de maio, quando Douglas Silva de Oliveira Azara, 25 anos, apareceu como único sócio-administrador no cadastro federal da Receita Federal. Os três fundadores da Naskar, Rogério Vieira, Marcelo Liranço Arantes e José Maurício Volpato, o ex-apresentador da ESPN Brasil conhecido como Maurício Jahu, saíram do quadro societário sem apresentar contrato de compra e venda, sem revelar valor da transação e sem dar qualquer explicação pública sobre o destino do dinheiro dos investidores.

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Na véspera daquela mudança, os três haviam passado a tarde e a noite de sexta-feira (15) de maio reunidos num escritório de advocacia da Avenida Paulista especializado em reestruturação empresarial e recuperação judicial, conforme revelou o Times Brasil | CNBC na época. A venda foi anunciada conjuntamente pela Naskar e pela Azara Capital, num comunicado que chamou atenção por um detalhe incomum: em aquisições convencionais, quem anuncia é o comprador. Aqui, a empresa investigada participou ativamente da divulgação de sua própria venda.

Agora, menos de três semanas depois, Douglas também saiu. Em seu lugar, Célia.

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Quem é o outro sócio

Douglas Silva de Oliveira Azara – em alguns processos judiciais consta apenas Douglas Silva de Oliveira – chegou à Naskar apresentado como representante da Azara Capital, gestora americana que teria adquirido a fintech, a 7Trust Finance e a Next Holding Financeira por supostos R$ 1,2 bilhão. Afirmou à imprensa que os recursos para a compra vinham de herança familiar e de operações com criptomoedas realizadas entre os 15 e os 21 anos. Douglas tem renda declarada de R$ 1.700 mensais. Diz morar em Miami, mas declara à Receita residência em Uberlândia.

As investigações do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, publicadas ao longo de maio, mapearam uma estrutura de pelo menos 12 empresas registradas em nome de Douglas ou diretamente ligadas a ele, com R$ 2,4 bilhões em capital declarado. Entre elas, a Jabuti Capital, que operava sob o nome fantasia “Banco Phoenixsem qualquer autorização do Banco Central. A Azara Capital LLC, entidade americana citada nos comunicados como compradora da Naskar, não foi localizada em nenhum registro regulatório dos Estados Unidos, nem na SEC nem na FINRA, onde qualquer gestora de recursos é obrigada a se cadastrar. Nenhuma das 12 empresas tinha presença física verificável nos endereços cadastrados.

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Douglas responde a processo cível na 22ª Vara Cível do Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba junto à TRX Investimentos S.A. e à própria Célia de Fátima Ferreira. O processo tramita em segredo de justiça. A TRX, cujo dossiê de compliance obtido pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC registra 96 protestos ativos totalizando R$ 870 mil, 78 processos judiciais e R$ 26,8 milhões em causas onde figura como , tem Célia listada como presidente nos registros federais.

🔍 SEC e FINRA são os principais órgãos reguladores do mercado financeiro nos Estados Unidos. A Securities and Exchange Commission supervisiona gestoras de recursos e fundos de investimento. A Financial Industry Regulatory Authority regula corretoras e profissionais do setor. Qualquer entidade que capte ou gerencie recursos de terceiros nos EUA é obrigada a se registrar em ao menos um desses órgãos.

Quem é a mulher que entrou

Célia de Fátima Ferreira tem 77 anos e CPF com situação regular na Receita Federal. Seu dossiê não registra protestos, condenações criminais nem inclusão em listas restritivas. Constam também 14 endereços residenciais e 44 endereços comerciais em seu nome.

Ao mesmo tempo, Célia figura como presidente da TRX Investimentos S.A. e aparece como corré ao lado de Douglas em pelo menos dois processos recentes, um deles uma ação de consumidor no valor de R$ 310 mil distribuída em novembro de 2025 no Tribunal de Justiça de Goiás.

A sequência societária da Naskar nos registros da JUCESP é precisa: Douglas entrou em 13 de maio de 2026, com participação de R$ 1,5 milhão. Os três sócios anteriores saíram. Em 28 de maio, Douglas transferiu o controle integral para Célia, pelo mesmo valor. A consolidação foi homologada pela JUCESP em 2 de junho, dois dias antes de expirar o prazo de dez dias dado pelo juiz da 22ª Vara Cível de Curitiba para que cartas precatórias fossem expedidas para citá-los em Uberlândia.

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🔍 Carta precatória é o instrumento pelo qual um juiz de um estado solicita a outro tribunal que realize um ato processual em sua jurisdição, como a citação de um réu que mora em outro município. Neste caso, o juiz de Curitiba solicitou ao juízo de Uberlândia que citasse Douglas e Célia pessoalmente.

Donos soltos, passaportes livres

Para C.P., investidor que perdeu recursos na Naskar e foi ouvido por Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a sucessão de trocas sem nenhuma resposta concreta alimenta o temor de que o dinheiro não será recuperado.

“Os caras vendiam a empresa como se estivesse 100% legalizada e sólida, mas não estava”, disse. “É difícil para um leigo saber se uma empresa é boa ou não.”

O investidor sintetizou o que preocupa o grupo de lesados. “Eles agem rápido, e a Justiça não anda.”

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Rogério Vieira, apontado como o principal operador do esquema original, não teve passaporte apreendido. Advogados das vítimas haviam antecipado ao Times Brasil | CNBC, em maio, que ingressariam com mandado de segurança para impedir sua saída do país, após informação de que ele havia passado cerca de um mês em Miami no início do ano. Douglas Silva de Oliveira Azara e Célia de Fátima Ferreira tampouco têm restrições de viagem decretadas até o fechamento desta reportagem.

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga o caso. Rogério Vieira, José Maurício Volpato, Marcelo Liranço Arantes, Douglas Silva de Oliveira Azara, Célia de Fátima Ferreira e a Naskar Gestão de Ativos foram procurados pelo Times Brasil | CNBC e não responderam até o fechamento desta reportagem.

O Times Brasil | CNBC tentou contato com os telefones disponibilizados por Célia nos órgãos comerciais mas não conseguiu completar a ligação, assim como os contatos disponíveis de Douglas Azara.

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