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Operações da PF

Nova irregularidade do Master expõe venda duplicada de carteira de R$ 1 bilhão; BRB seria o comprador

Publicado 25/07/2026 • 12:12 | Atualizado há 42 minutos

KEY POINTS

  • Master vendeu duas vezes a mesma carteira de crédito de R$ 1 bilhão, segundo securitizadora.
  • BRB pode perder acesso a carteira que julgava saudável dentro de pacote de R$ 21 bilhões do Master.
  • Caso se soma a outras denúncias de repasses e cessões duvidosas de ativos do Master.
Fachada Master e BRB

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O Banco Master vendeu duas vezes a mesma carteira de crédito, no valor de R$ 1 bilhão. O caso mais recente da lista de irregularidades atribuídas ao banco de Daniel Vorcaro envolveria como comprador o BRB, o Banco de Brasília.

De acordo com apuração do portal UOL, a duplicidade foi revelada pela Travessia Securitizadora, responsável pela emissão de R$ 1 bilhão em debêntures relativas à carteira. Em fato relevante, a securitizadora informou ter sido comunicada pela B3 sobre a cessão repetida do mesmo lastro de créditos.

O BRB comprou R$ 21 bilhões em ativos do Master entre o final de 2024 e meados de 2025, e via essa carteira específica como exceção dentro do pacote, por considerá-la saudável. Do outro lado da operação, entre os debenturistas que aportaram recursos nela, estaria o BTG Pactual.

Leia também: BRB cancela operação de R$ 15 bilhões para transferir ativos ligados ao Banco Master

Master repete padrão de cessões duvidosas

O episódio se soma a uma sequência de casos que envolvem repasses de ativos do Master a terceiros. Em abril, veio à público que o banco de André Esteves havia comprado R$ 1,1 bilhão em carteiras do Master em outra operação, e que parte delas estava bloqueada.

Já foram mapeados outros episódios semelhantes envolvendo o banco, entre eles o repasse de R$ 3,6 bilhões em dívidas para uma gestora hoje sob investigação e empréstimos de R$ 336 milhões concedidos a quatro conselheiros e sócios da Biomm.

Leia também: Caso Master: BRB e governo do DF negam medidas extraordinárias para sustentar liquidez do banco

Como funcionava a operação

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A emissão envolvida na duplicidade foi de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária. Isso significa que o título não possui garantia real vinculada diretamente a ele. Os debenturistas aportaram o valor total de R$ 1 bilhão na sexta-feira (2) de fevereiro de 2024.

Como a oferta foi restrita a investidores específicos, e não pública, ela não precisou ser registrada na Anbima. Por isso, os documentos da operação também não se tornaram públicos até agora.

Leia também: Caso Master: governo do DF nega retenção de R$ 9 bi do orçamento para preservar caixa do BRB

B3 confirma indícios de cessão dupla

Segundo o fato relevante, a Travessia tomou conhecimento da inconsistência durante reunião com o liquidante do Master. Ao buscar esclarecimentos junto à Central de Registro de Ativos Financeiros, a securitizadora obteve confirmação de que o registro da cessão em seu favor havia sido feito corretamente.

“Ato subsequente, a Travessia apresentou à bolsa a documentação comprobatória da titularidade dos créditos, incluindo os contratos de cessão firmados e seus respectivos aditamentos, os termos de cessão, a relação dos registros realizados na CERC e relatórios de auditoria independente contratados para análise dos repasses de valores efetuados”, informou a securitizadora.

Depois disso, a bolsa encaminhou à Travessia parecer conclusivo que atesta indícios consistentes de cessão em duplicidade sobre a mesma carteira de créditos. A securitizadora entende que o registro dos créditos em seu favor junto à CERC precede o registro posterior feito por terceiro junto ao Banco Central.

Risco para o BRB

Na prática, o episódio pode significar que o BRB perca acesso a uma carteira próxima de R$ 1 bilhão, valor que considerava dentro da parcela saudável do pacote comprado do Master. O caso ainda não teve manifestação pública do banco.

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