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Mesmo com sucesso do BTS nos palcos, produtora Hybe perde quase US$ 2 bi em valor de mercado; entenda

Publicado 29/07/2026 • 10:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A receita gerada por shows cresceu 243,3% na comparação anual e avançou 630% em relação ao trimestre anterior.
  • Apesar do forte aumento no faturamento, o mercado esperava uma participação maior de receitas consideradas mais lucrativas.
  • A maior participação da receita vinda de turnês elevou os custos relacionados aos pagamentos aos artistas e reduziu a rentabilidade esperada.
BTS

Foto: Reprodução

BTS bate recordes, mas derruba ações da Hybe; entenda o motivo

A Hybe, uma das maiores empresas de entretenimento da Coreia do Sul, registrou resultados históricos no segundo trimestre de 2026 impulsionada pelo retorno do BTS aos palcos, mas o desempenho financeiro não agradou totalmente o mercado.

Na última terça-feira (28), em Seul, as ações da companhia chegaram a cair 16,09%, após investidores avaliarem que mesmo com o crescimento da receita com shows, as margens de lucro foram menores do que o esperado.

Na quarta-feira (29), a queda continuou e levou os papéis ao menor nível desde setembro de 2024.

O impacto financeiro reduziu o valor de mercado da Hybe em até 2,845 trilhões de won, cerca de US$ 1,96 bilhão, mesmo com a empresa apresentando recordes de receita e lucro operacional no período, de acordo com a CNBC.

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O caso chamou atenção porque envolve uma situação pouco comum no mercado, que é o maior sucesso comercial da companhia também se tornou um dos fatores que pressionaram suas ações.

Turnê do BTS impulsiona receita da Hybe

O principal responsável pelo crescimento da empresa sul-coreana de atuação global nos segmentos de entretenimento e tecnologia, criada em 2005 pelo empresário Bang Si-hyuk, a Hybe, foi o BTS, que voltou a realizar apresentações após o período de pausa das atividades do grupo. A turnê Arirang, iniciada em 9 de abril na Coreia do Sul, levou milhões de fãs aos estádios e impulsionou a receita da empresa.

A receita gerada por shows cresceu 243,3% na comparação anual e avançou 630% em relação ao trimestre anterior. O desempenho ajudou a Hybe a alcançar números recordes entre abril e junho de 2026.

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Apesar do forte aumento no faturamento, o mercado esperava uma participação maior de receitas consideradas mais lucrativas, como vendas de produtos oficiais, conhecidos como mercadorias ou merchandise.

Shows do BTS faturam bilhões, mas têm margem menor

O motivo da reação negativa dos investidores está relacionado ao modelo de negócios da indústria musical. Embora grandes turnês movimentem valores elevados, uma parte significativa da receita é destinada a custos de produção, logística e pagamentos aos próprios artistas.

Segundo analistas, os shows de artistas consolidados como o BTS costumam ter margens de lucro menores para as empresas em comparação com produtos licenciados e vendas de itens oficiais, que podem gerar retornos mais altos.

A margem operacional da Hybe no segundo trimestre ficou em 11,8%, abaixo das projeções de algumas corretoras sul-coreanas. A expectativa da SK Securities era de uma margem de 12,7%, enquanto a Eugene Securities estimava 12,2%.

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O analista Park Jun-hyung, da SK Securities, afirmou que a maior participação da receita vinda de turnês elevou os custos relacionados aos pagamentos aos artistas e reduziu a rentabilidade esperada.

A avaliação foi semelhante à de Hwang Ji-won, da IM Securities, que destacou que grandes shows aumentam o faturamento, mas não necessariamente acompanham o mesmo ritmo no lucro.

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Mercado esperava mais vendas de produtos

Outro fator que influenciou a queda das ações foi a expectativa dos investidores de que o crescimento da Hybe seria mais concentrado em produtos com maior margem de lucro.

De acordo com analistas, as vendas de mercadorias podem alcançar margens próximas de 50%, enquanto as apresentações ao vivo possuem uma estrutura de custos mais elevada.

A analista Lim Soo-jin, da Kiwoom Securities, afirmou que o mercado esperava um avanço maior nesse segmento, especialmente após o retorno do BTS e o aumento da demanda dos fãs.


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Mesmo assim, a avaliação das corretoras permanece positiva. As cinco instituições analisadas pela CNBC mantiveram recomendações favoráveis para a companhia, apostando no crescimento das operações no segundo semestre.

Hybe aposta em novos grupos e mais de 200 shows

A empresa informou que pretende realizar mais de 200 apresentações de seus artistas no segundo semestre de 2026. Somadas às 119 realizadas nos primeiros seis meses do ano, as atividades devem representar o maior volume de shows da Hybe desde 2021.

Além do BTS, a companhia espera crescimento com novos grupos, como Cortis e Katseye, além do retorno das atividades do NewJeans.

O grupo feminino foi um dos maiores sucessos recentes da Hybe, mas enfrentou uma disputa contratual com a subsidiária ADOR, iniciada em 2024. Uma decisão judicial sul-coreana confirmou que o contrato permanece válido até 2029, mantendo o vínculo do grupo com a empresa.

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Sucesso do BTS mostra desafio do modelo de negócios

O desempenho da Hybe revela um desafio enfrentado por grandes empresas de entretenimento: transformar o enorme alcance dos artistas em crescimento sustentável de lucro.

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O BTS continua sendo um dos principais ativos da companhia e responsável por movimentar receitas bilionárias, mas o mercado financeiro avalia não apenas o tamanho do faturamento, como também a qualidade desse crescimento.

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