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Caso Master: PF indicia Daniel Vorcaro, ex-presidente do BRB e mais 12 por crimes financeiros
Publicado 28/10/2026 • 17:09 | Atualizado há 27 minutos
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Publicado 28/10/2026 • 17:09 | Atualizado há 27 minutos
KEY POINTS
A Polícia Federal indiciou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e outras 12 pessoas no primeiro inquérito concluído sobre irregularidades envolvendo o Banco Master.
Entre os demais indiciados está Augusto Lima, ex-sócio do Master, além de ex-diretores e pessoas que, segundo a investigação, participaram das operações entre as duas instituições.
A PF também pediu a prorrogação do inquérito para dar continuidade às demais frentes de investigação da Operação Compliance Zero.
O relatório aponta irregularidades na venda de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito do Master ao banco público do Distrito Federal. Desse total, os investigadores afirmam ter identificado fraude em pelo menos R$ 12 bilhões em ativos, principalmente em operações envolvendo carteiras de crédito consignado que teriam sido criadas sem lastro real.
Daniel Vorcaro foi indiciado por gestão fraudulenta, indução a erro de investidor em operação financeira, fraude à fiscalização, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Somadas, as penas previstas para esses crimes variam de 12 a 41 anos de prisão. A PF também aponta Vorcaro como líder da organização criminosa investigada, o que pode ter impacto em uma eventual pena caso haja denúncia, julgamento e condenação.
Paulo Henrique Costa foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa.
No relatório, a Polícia Federal afirma que a responsabilização de Vorcaro não decorre apenas de sua posição no comando do Master. Segundo os investigadores, ele teria participado diretamente da obtenção de bases de dados, da formação e venda das carteiras, da captação de recursos junto ao BRB e da produção posterior de documentos usados para justificar as operações.
A PF afirma ainda que houve tentativa de dar aparência de normalidade às transações, apesar da ausência de procedimentos considerados básicos de validação dos créditos, análise de risco e governança.
Os investigadores sustentam que as operações bilionárias foram realizadas sem comprovação adequada da existência dos contratos que serviam como lastro para parte das carteiras.
As operações investigadas ocorreram entre julho de 2024 e outubro de 2025. Nesse período, o Banco Master repassou ao BRB cerca de R$ 17,5 bilhões em carteiras, incluindo crédito consignado, empréstimos pessoais, crédito rotativo e parcelamento de faturas.
Segundo a PF, as cessões continuaram até outubro de 2025, mesmo depois de o Banco Central barrar, em setembro daquele ano, a operação de venda do Master ao BRB.
A investigação afirma que algumas carteiras apresentadas ao banco público não tinham documentação suficiente para comprovar a existência dos créditos.
Parte dos dados teria sido organizada em planilhas com informações sob suspeita de falsificação.
Para os investigadores, sem a conferência dos contratos e das averbações dos empréstimos consignados, não seria possível assegurar que os créditos adquiridos pelo BRB realmente existiam ou tinham o valor econômico informado.
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Siga o Times | CNBCA PF estima, até o momento, um prejuízo mínimo de R$ 2,7 bilhões ao BRB, mas afirma que o valor definitivo pode ser maior.
O relatório também considera um universo mais amplo de operações. Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB adquiriu carteiras do Master e do Will Bank que, juntas, chegaram a aproximadamente R$ 26,6 bilhões.
Mais de R$ 12 bilhões desse montante são classificados na investigação como créditos problemáticos ou inexistentes. Cerca de R$ 10 bilhões teriam sido posteriormente substituídos por outros ativos, que continuam sob análise quanto à capacidade de recuperação.
Leia também: Caso Master: PF faz 9 buscas por prejuízo de R$ 121 milhões em fundo de previdência
Mensagens obtidas durante a investigação também são usadas pela PF para sustentar que o Master dependia de recursos enviados pelo BRB para manter sua liquidez.
Em uma conversa de setembro de 2024, Vorcaro teria demonstrado preocupação com a entrada de dinheiro do banco público e mencionado a possibilidade de utilizar recursos do depósito compulsório para cumprir obrigações do Master.
Para a investigação, os diálogos reforçam a importância das operações com o BRB para a situação financeira da instituição naquele período.
As vendas de carteiras aumentaram ao longo de 2025 e só perderam força depois que o Banco Central impediu a aquisição do Master pelo BRB.
O Master foi liquidado em 18 de novembro de 2025, no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Além de Vorcaro, Paulo Henrique Costa e Augusto Lima, o relatório inclui ex-executivos ligados ao Master e ao BRB.
Entre eles estão Ângelo Ribeiro, ex-diretor financeiro do Master; Luiz Antônio Bull, ex-diretor de compliance; Alberto Félix de Oliveira, ex-superintendente financeiro; e o advogado Daniel Monteiro, que trabalhava para Vorcaro.
A investigação atribui diferentes níveis de participação aos executivos na montagem, aprovação e execução das operações.
Vorcaro e Paulo Henrique Costa afirmaram em depoimentos que as transações entre Master e BRB não causaram prejuízos e seriam vantajosas para as instituições. As defesas ainda poderão se manifestar sobre as conclusões apresentadas pela Polícia Federal.
Esse é o primeiro indiciamento de Vorcaro dentro da Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025.
Desde então, a Polícia Federal abriu diferentes frentes de apuração a partir de documentos, mensagens e outros elementos obtidos ao longo da investigação.
Já foram realizadas dez fases da operação, envolvendo suspeitas de crimes financeiros, corrupção de agentes públicos, obstrução de Justiça e outras condutas.
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