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Caso Master provoca recorde de liquidações pelo Banco Central em 24 anos; maioria tem ligação com o banco de Vorcaro

Publicado 03/09/2026 • 17:04 | Atualizado há 40 minutos

KEY POINTS

  • Banco Central já decretou 17 liquidações extrajudiciais em 2026, maior número anual registrado desde 2002.
  • Levantamento da reportagem identifica 11 instituições com ligação direta, antiga, comercial ou investigativa com o caso Master.
  • Trustee e Banvox foram as mais recentes e eram controladas por Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

O Banco Central chegou a 17 liquidações extrajudiciais em 2026, recorde anual desde 2002, depois de determinar nesta quinta-feira (3) o encerramento das atividades da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e da Banvox DTVM.

A nova rodada reforça a concentração das medidas em instituições que, de alguma forma, passaram pelo entorno do Banco Master. Levantamento do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC mostra que 11 das 17 instituições liquidadas neste ano têm ligação direta, antiga, comercial ou investigativa com o caso envolvendo o banco fundado por Daniel Vorcaro.

A lista reúne desde empresas efetivamente controladas pelo grupo até instituições que já fizeram parte dele, eram controladas por ex-sócios ou aparecem em investigações sobre operações relacionadas ao Master.

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Maior número em 24 anos

A marca de 17 liquidações em menos de nove meses é a maior desde 2002.

Naquele ano, o relatório anual do próprio Banco Central registrou 23 liquidações extrajudiciais. Duas atingiram instituições financeiras, enquanto outras 21 envolveram principalmente administradoras de consórcios.

Na gestão de Gabriel Galípolo, iniciada em janeiro de 2025, o número chega a 21 instituições liquidadas. Quatro delas foram atingidas de uma só vez em 18 de novembro do ano passado: Banco Master, Banco Master de Investimento, Banco Letsbank e Master Corretora.

Desde então, as medidas se espalharam por bancos, financeiras, distribuidoras de valores, instituições de pagamento, corretoras e cooperativas.

Master aparece em 11 das 17 liquidações

Entre as instituições relacionadas ao caso Master está o próprio Banco Master Múltiplo, que permaneceu inicialmente sob Regime de Administração Especial Temporária e teve o regime convertido em liquidação em março. O BC afirmou que a instituição pertencia ao conglomerado Master.

A Will Financeira também era controlada pelo Master. O Banco Central decretou sua liquidação em janeiro após concluir que não havia sido possível preservar suas operações. O regulador citou comprometimento econômico-financeiro, insolvência e o vínculo de controle com o Banco Master.

O Banco Pleno e a Pleno DTVM, liquidados em fevereiro, também entram nesse grupo. O Pleno, antigo Voiter, havia pertencido ao conglomerado Master antes de passar ao controle de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.

A CBSF Distribuidora, antiga Reag Trust, foi liquidada em janeiro e esteve no centro de apurações sobre fundos e operações relacionados às suspeitas envolvendo o Master.

Em março, o BC liquidou as três empresas do conglomerado Entrepay: Entrepay, Acqio e Octa. Autoridades investigaram relações entre a estrutura da Entrepay e Vorcaro. A defesa do ex-banqueiro negou que ele fosse sócio ou “dono oculto” da companhia e afirmou que houve apenas relação comercial com o Master.

Em junho veio a Sefer Investimentos. A empresa tinha cerca de R$ 25 milhões depositados no Banco Master e também havia aparecido em desdobramentos da Operação Compliance Zero.

Com Trustee e Banvox, o grupo de instituições com alguma conexão com o caso chega a 11.

Trustee e Banvox ampliam lista

As duas distribuidoras liquidadas nesta quinta-feira pertenciam ao mesmo conglomerado e eram controladas por Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

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A Trustee teve ainda uma ligação operacional relevante com o grupo: era a principal administradora dos fundos da Master Asset Management, braço de gestão de recursos do conglomerado.

Segundo o Banco Central, Trustee e Banvox foram liquidadas em razão de “graves violações às normas legais” que disciplinam suas atividades. O comunicado não detalhou quais infrações motivaram a decisão.

As duas tinham peso reduzido no sistema financeiro. Em julho, representavam juntas menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional e 0,76% dos recursos de terceiros sob administração.

Além da ligação com o entorno do Banco Master, as duas instituições também apareceram em apurações relacionadas à Operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025 para investigar um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial por meio, entre outras estruturas, de fundos de investimento. A Trustee foi alvo da operação, enquanto a própria Banvox informou em demonstrações financeiras que havia sido mencionada no âmbito da investigação.

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As 17 instituições liquidadas em 2026

A sequência de decisões do Banco Central neste ano ficou assim:

  • 3 de setembro: Trustee DTVM e Banvox DTVM;
  • 14 de agosto: Simpala Lançadora e Administradora de Consórcios e Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento;
  • 26 de junho: Sefer Investimentos DTVM;
  • 30 de abril: Frente Corretora de Câmbio;
  • 16 de abril: Cooperativa de Crédito, Poupança e Serviços Financeiros, a Creditag;
  • 27 de março: Entrepay Instituição de Pagamento, Acqio Adquirência Instituição de Pagamento e Octa Sociedade de Crédito Direto;
  • 17 de março: Banco Master Múltiplo;
  • 11 de março: Dank Sociedade de Crédito Direto;
  • 18 de fevereiro: Banco Pleno e Pleno DTVM;
  • 21 de janeiro: Will Financeira;
  • 15 de janeiro: CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Trust, e Advanced Corretora de Câmbio.

A liquidação extrajudicial é uma das medidas mais severas disponíveis ao Banco Central. Ela interrompe o funcionamento da instituição e inicia sua retirada organizada do sistema financeiro, sob responsabilidade de um liquidante nomeado pelo regulador.

Ela pode ser adotada, entre outras situações, diante de insolvência, grave comprometimento financeiro ou violações relevantes das regras do setor.

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