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Pix no TIPS: o modelo de integração transfronteiriça proposto pelo Banco Central à Europa

Publicado 03/09/2026 • 14:30 | Atualizado há 15 minutos

KEY POINTS

  • O Banco Central do Brasil avalia uma integração direta com a plataforma de pagamentos instantâneos do Banco Central Europeu.
  • A proposta prevê pagamentos em moeda local, com liquidação direta entre as infraestruturas, reduzindo a dependência de intermediários.
  • Pix leva escala à negociação: em 2025, o sistema movimentou R$ 35,36 trilhões em 79,8 bilhões de operações, alta de 33,6% em valor ante 2024.

MILÃO — A internacionalização dos pagamentos instantâneos brasileiros ganha contornos operacionais definidos. O Banco Central do Brasil (BCB) formalizou seu interesse em conectar a infraestrutura do Pix diretamente ao TIPS (TARGET Instant Payment Settlement), a plataforma de liquidação de pagamentos instantâneos do Banco Central Europeu (BCE). A iniciativa, revelada pela Folha de S.Paulo e acompanhada pelo Valor Econômico, foi tratada oficialmente na reunião do grupo consultivo TIPS-CG, onde a equipe do BCE apresentou a atualização dos projetos de interoperabilidade entre moedas.

O desenho da conexão: liquidação direta, fim da bitributação de taxas e pontes bilaterais

A proposta encaminhada pelo Banco Central brasileiro não prevê uma mera parceria de aceitação comercial, mas sim uma integração estrutural entre duas infraestruturas públicas de liquidação financeira. Conforme estabelecido no Relatório de Gestão do Pix e nas discussões junto ao TIPS-CG, o BCB propõe um modelo focado em duas frentes de interoperabilidade: ligações bilaterais diretas e conexão a hubs multilaterais internacionais.

Na prática, o modelo proposto busca viabilizar:

  • Liquidação ponta a ponta (end-to-end) em poucos segundos: A transação entre Brasil e os países da Zona do Euro deixaria de depender de redes de correspondentes bancários ou compensações que levam dias, sendo liquidada de imediato entre os bancos centrais.
  • Transações diretas em moeda local (Real/Euro): Tanto o remetente quanto o destinatário realizam e recebem pagamentos em suas respectivas moedas (reais e euros), dispensando a conversão intermediária prévia em dólares norte-americanos.
  • Redução drástica de tarifas e transparência cambiária: O enlace direto elimina as pesadas margens cobradas por operadores de remessas e intermediários privados, garantindo cotações transparentes e taxas previsíveis tanto para transferências pessoais quanto para compras transfronteiriças.
  • Abertura para comércio exterior e remessas familiares: O arranjo visa atender desde fluxos de imigrantes que enviam dinheiro entre Europa e Brasil até pequenas e médias empresas que adquirem bens e serviços em moeda local.

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Estágio de pré-indagine e negociações em Frankfurt

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Dentro da esteira de inovação transfronteiriça do BCE, quatro plataformas estrangeiras foram selecionadas para avaliação: o UPI (Índia), o Nexus (Singapura), o SIC-IP (Suíça) e o Pix (Brasil). O sistema brasileiro é o que ingressou mais recentemente na fila, encontrando-se na fase técnica preliminar de «pré-indagine», com duração prevista até setembro de 2026.

A previsão do cronograma do TIPS é que os primeiros links técnicos operacionais com sistemas externos sejam ativados a partir de 2027. Para acelerar o alinhamento de protocolos de segurança, mensageria e compliance, uma delegação de diretores do Banco Central viajará a Frankfurt em outubro para reuniões técnicas com a cúpula do BCE.

A resposta estratégica aos atritos com os Estados Unidos

A investida europeia do Banco Central do Brasil ocorre em um momento de atrito aberto com Washington. Autoridades e congressistas norte-americanos têm criticado a liderança regulatória do BCB, acusando o país de favorecer uma infraestrutura estatal que reduz o espaço de mercado de bandeiras privadas americanas, como Visa e Mastercard — justificativa já levantada nos EUA até mesmo para apoiar medidas tarifárias contra o Brasil. Ao ancorar o arranjo no TIPS europeu, Brasília não apenas amplia o leque de opções de liquidação global como protege a soberania de seus mecanismos de pagamento de retaliações bilaterais.

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A musculatura financeira levada à mesa de negociação

O poder de atração da proposta brasileira reside na sua escala. Em 2025, o sistema transacionou R$ 35,36 trilhões em 79,8 bilhões de operações — uma expansão de 33,6% em valor frente a 2024. Pelo câmbio de setembro de 2026 (cerca de R$ 5,91 por euro), o volume anual equivale a impressionantes 5,98 trilhões de euros, credenciando o Brasil como um dos parceiros mais robustos para o ecossistema do TIPS.

Ano Transações Volume em R$ (Trilhões) Equivalente em €*
2024 63,4 bilhões R$ 26,46 tri ~ € 4,48 tri
2025 79,8 bilhões R$ 35,36 tri ~ € 5,98 tri
Variação % +25,9% +33,6%

* Conversão estimada com base na cotação média de aproximadamente R$ 5,91 por € 1,00 (setembro de 2026).

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