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Relação com os EUA depende de Trump após reeleição de Lula; analistas veem risco de sanções e espaço para negociação
Publicado 26/10/2026 • 16:02 | Atualizado há 17 minutos
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Publicado 26/10/2026 • 16:02 | Atualizado há 17 minutos
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Reprodução
Os dois líderes se reuniram nesta quinta-feira (7) para discutir questões comerciais e de segurança
A relação do Brasil com os Estados Unidos entra em mais um período de incerteza depois da reeleição de Lula no domingo (25), e a posição de Donald Trump é ponto de atenção para dois analistas ouvidos pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Rodolfo Olivo, professor da FIA Business School, espera negociação e vê a eleição de meio de mandato americana como fator de contenção. Igor Lucena, economista e doutor em relações internacionais, alerta para o risco de sanções comerciais se Trump contestar o resultado.
As avaliações chegam em um dia de queda das ações brasileiras e alta do dólar. Olivo atribui o movimento sobretudo à percepção fiscal, enquanto Lucena inclui a postura de Trump entre os fatores que podem agravar o quadro.
Trump chegou à Casa Branca na noite de domingo sem falar com a imprensa. Antes da divulgação do resultado, ao ser questionado se apoiava Lula ou Flávio Bolsonaro, respondeu “Estamos observando”. O Terra registra ainda que Donald Trump Jr., que apoia Flávio, levantou questionamentos sobre o resultado, e que Flávio contesta a vitória de Lula.
Lucena vê a ausência de manifestação de Trump como ponto de atenção. Se o presidente americano fizer uma declaração negativa e não reconhecer o resultado, seguindo a posição de Flávio, os riscos para a atração de investimentos podem aumentar, afirma.
Já Olivo observa que Trump ainda não se manifestou pessoalmente. Por isso, diz, é preciso esperar um pouco mais para entender o direcionamento do governo americano como um todo.
Para Olivo, as primeiras reações de autoridades americanas vêm da ala mais ideológica do governo Trump e têm caráter político e individual. Ele lembra que o presidente tinha preferência por Flávio Bolsonaro, mas mantém uma relação de amor e ódio com Lula, a quem já elogiou algumas vezes.
Segundo o professor, o novo mandato de Lula representa continuidade do que já ocorria nas relações com Washington.
Lucena cita que o advogado de Trump e Donald Trump Jr. criticaram o atraso no fim da apuração. Segundo ele, alguns analistas veem a possibilidade de Trump deixar de reconhecer a eleição e comparar Lula a Nicolás Maduro, embora não haja certeza de que isso ocorra.
Caso a situação se concretize, afirma o economista, o Brasil pode enfrentar deterioração das relações com os Estados Unidos e ser visto como destino menos seguro para investimentos. Os americanos respondem por mais de 30% do investimento direto estrangeiro no país, segundo estimativa citada por ele.
Além disso, Lucena diz não ver risco concreto de novas tarifas neste momento. Por outro lado, aponta que sanções comerciais podem surgir se Trump considerar que a eleição brasileira não foi justa, de maneira ampla ou em setores específicos da economia.
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Siga o Times | CNBCA falta de reconhecimento também dificultaria as negociações entre os dois países, segundo o economista. Mesmo sem deixar o Brasil, investidores estrangeiros poderiam exigir juros mais altos para financiar o país, diante do risco maior.
Olivo avalia que a eleição de meio de mandato, em 3 de novembro, pode reduzir o risco de tarifas. Se Trump perder a maioria na Câmara ou no Senado, perde força, o que pode ser favorável ao Brasil porque dificulta uma nova rodada de tarifas. O professor afirma que o risco para o presidente americano é maior na Câmara.
De acordo com o Decision Desk HQ, citado pelo Times Brasil | CNBC, os democratas têm cerca de 59% de chance de retomar a Câmara, enquanto a projeção para o Senado dá favoritismo aos republicanos.
Lucena também cita a votação. Se os democratas conquistarem as duas casas, a pressão por um acordo que reduza as tensões internacionais e derrube o preço do petróleo pode aumentar. Um cenário externo mais favorável ao Brasil dependeria, em parte, do fim do conflito, embora esse desfecho não seja certo, diz o economista.
Em uma eventual tarifa, Olivo espera que Trump poupe setores do agro, por causa da inflação de alimentos nos Estados Unidos, e a Embraer, que já passou por negociação prévia.
Em relação aos fluxos de capital de curto prazo, Olivo prevê alta do dólar e queda da bolsa por motivos internos, ligados à percepção de problema fiscal e à falta de perspectiva de ajuste. Na avaliação dele, o movimento tem menos a ver com o governo Trump e mais com a política adotada pelo governo Lula.
O professor cita as declarações do presidente reeleito que minimizam a questão fiscal. Para ele, são falas de campanha, que não devem ser levadas ao pé da letra, mas que formam uma sinalização ruim. Olivo afirma que Lula precisaria sinalizar com mais contundência compromisso com a racionalidade econômica, como teve no primeiro mandato. Com um sinal mais forte, diz, o momento ruim para atrair investimento de curto prazo pode ser revertido.
Lucena acrescenta que, diante das declarações de Lula sobre ausência de ajuste fiscal, recursos podem deixar o Brasil em direção a outros mercados. Um eventual não reconhecimento por parte de Trump, na avaliação dele, poderia agravar esse movimento.
Sobre China, Brics e Oriente Médio, Olivo vê continuidade do desconforto de Washington com o Brasil. Brasil e México, as duas maiores economias da América Latina, têm governos de esquerda críticos à hegemonia dos Estados Unidos e à guerra no Oriente Médio, e que se aproximam da China, segundo ele.
O governo Lula, porém, já mostrou disposição para negociar. Na primeira tarifa, lembra o professor, não houve retaliação imediata, e o governo tentou negociar por setor.
Olivo diz que Trump gosta de negociar e usa a técnica de escalar o tom para obter um acordo melhor. Nessa leitura, a declaração do filho do presidente americano, de que Lula poderia ser um segundo Maduro, estaria dentro dessa técnica. Para o médio prazo, ele espera continuidade da política de negociação e apaziguamento, com ruídos de curto prazo, já que os Estados Unidos terão nova eleição em dois anos, sem Trump como candidato.
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