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Investimentos chineses e importação de máquinas marcam nova fase da indústria brasileira, aponta Bruno Russo, fundador da Timbro

Publicado 19/10/2026 • 18:17 | Atualizado há 34 minutos

KEY POINTS

  • Bruno Russo, vice-presidente da Timbro, destaca a chegada de montadoras chinesas ao Brasil, com investimentos em fábricas e importações de veículos elétricos e híbridos.
  • Para o executivo, a escala de produção e a competitividade da China ajudam a explicar o avanço das fabricantes no mercado brasileiro.
  • Russo avalia que juros elevados e incertezas tributárias dificultam investimentos de longo prazo, apesar do potencial de expansão da indústria automotiva.

A expansão das montadoras chinesas de veículos elétricos e híbridos, com investimentos bilionários em fábricas e importações em grande escala, marca uma nova fase da presença estrangeira na indústria automobilística brasileira, afirmou Bruno Russo, fundador e vice-presidente da Timbro, em entrevista nesta segunda-feira (19) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Com atuação em cerca de 20 setores, a Timbro opera uma plataforma de comércio internacional que atende grandes empresas brasileiras e multinacionais. Russo destacou o peso das operações com veículos elétricos e híbridos, além de bens de capital. “Nós percebemos esse ano, especialmente, uma concentração e um aumento no volume de máquinas destinadas à mineração e à construção civil”, afirmou.

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Apesar do movimento em segmentos específicos, o executivo vê dificuldades para ampliar a capacidade produtiva. “No entanto, sem dúvida, esse juros alto atrapalha muito esse tipo de investimento que estão visando o longo prazo”, disse Russo. Ele também citou a reforma tributária entre os fatores que complicam o planejamento das companhias.

Reforma tributária e custo do crédito

O principal ponto de preocupação é a falta de definição sobre o tratamento de créditos tributários na passagem para o novo sistema. Russo mencionou dúvidas envolvendo o IPI de mercadorias importadas antes da mudança: “A gente não sabe o que acontece com a alíquota de IPI que vai ficar como crédito para quem importar um produto esse ano”, explicou.

Na avaliação do vice-presidente, a incerteza pode transformar créditos em custos e exige simulações constantes. “Então, o nosso dia a dia tem sido bastante intenso nessa frente de tentar prever cenários e explicar para a nossa carteira de clientes”, afirmou, lembrando que a complexidade tributária brasileira é especialmente difícil de explicar a empresas multinacionais.

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Russo reconheceu, porém, que o objetivo de simplificação dos tributos é positivo. “Com certeza, ela vem para simplificar e consolidar muitos impostos”, disse. Segundo ele, o cronograma de transição do ICMS oferece um horizonte mais claro, enquanto as regras relacionadas a PIS/Cofins e IPI ainda concentram dúvidas.

Montadoras chinesas ampliam presença

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No campo dos investimentos estrangeiros, o executivo apontou o interesse de empresas chinesas em instalar operações produtivas no Brasil. Para Russo, a escala industrial e a competitividade da China ajudam a explicar a expansão. “Eu acho que especialmente de países como a China, por exemplo, que tem uma competitividade grande, uma escala enorme de produção”, afirmou.

A indústria automobilística é o exemplo mais visível desse movimento. Russo relatou que, nos últimos dois anos, observou a chegada de fabricantes e projetos de veículos elétricos e híbridos, combinando investimentos em fábricas e importações em grande escala. “É um momento importante da história, não só que o Brasil está vivendo, mas o mundo como um todo”, destacou.

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Sobre as tensões comerciais com os Estados Unidos, Russo disse que os negócios da empresa não foram amplamente afetados, embora algumas operações tenham perdido viabilidade. “Nós mesmos tínhamos uma operação que exportávamos gorduras vegetais para o mercado americano, que deixou de existir por conta do tarifácio”, relatou.

Exportações e expansão internacional

Em outra frente, a Timbro conseguiu redirecionar o fornecimento de açúcar orgânico ao mercado americano, substituindo a origem brasileira por países da América Central. O executivo atribuiu essa capacidade de reação à diversificação das atividades, que incluem exportações de açúcar, minério e grãos, além das importações.

Fundada em 2010, a Timbro ampliou sua presença internacional nos últimos anos. Russo afirmou que a empresa consolidou escritórios na China, em Dubai e nos Estados Unidos, impulsionada pelo crescimento das operações e por sua posição no mercado de comércio exterior.

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A Índia aparece como uma possível próxima etapa da internacionalização. Ao comentar os planos da companhia e a atuação em commodities, Russo afirmou: “Eu acho que um próximo passo natural para a gente, visando também as commodities, é a Índia”.

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