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Compras de frango brasileiro aumentaram antes de restrição da União Europeia entrar em vigor
Publicado 03/09/2026 • 14:15 | Atualizado há 17 minutos
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Publicado 03/09/2026 • 14:15 | Atualizado há 17 minutos
KEY POINTS
União Europeia reabre mercado para carne de frango e de peru do Brasil
Às vésperas do início da restrição às exportações brasileiras de carne de frango para a União Europeia (UE), que passa a valer nesta quinta-feira (3), compradores europeus intensificaram os pedidos ao Brasil. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, a antecipação das compras favoreceu a recomposição de estoques no bloco e tende a reduzir, inicialmente, os impactos da suspensão sobre a disponibilidade do produto e os preços no mercado brasileiro.
As exportações brasileiras de carne de frango para a UE cresceram 73% entre janeiro e julho de 2026. O avanço já vinha sendo observado antes da definição do bloqueio, mas ganhou força diante da proximidade da interrupção das certificações de novos lotes.
Historicamente, os embarques brasileiros para o bloco europeu variavam entre 15 mil e 20 mil toneladas por mês. Neste ano, porém, superaram 30 mil toneladas em vários meses.
Leia também: Exigência da UE pode levar outros mercados a cobrar novas regras da carne brasileira, diz analista
Em janeiro, as vendas ficaram próximas de 27 mil toneladas. Fevereiro e março registraram cerca de 30 mil toneladas cada, enquanto abril chegou a 33 mil toneladas. O volume avançou para 40 mil toneladas em maio, caiu para 28 mil toneladas em junho e voltou a subir em julho, para 36 mil toneladas.
De acordo com Santin, a maior procura pelo produto brasileiro não pode ser atribuída apenas à expectativa de fechamento do mercado. Problemas enfrentados pela produção europeia, entre eles casos de gripe aviária e condições climáticas que prejudicaram a oferta de grãos, também contribuíram para aumentar a necessidade de importações.
A aproximação da data de início da restrição, contudo, estimulou compradores a reforçar pedidos enquanto ainda era possível obter novas certificações para mercadorias brasileiras.
Na avaliação da ABPA, os volumes registrados nos últimos meses indicam que importadores constituíram estoques para enfrentar ao menos parte do período em que novos lotes brasileiros não poderão ser certificados.
Esse movimento também reduz a possibilidade de um aumento repentino da disponibilidade de carne de frango no mercado doméstico imediatamente após a suspensão.
O crescimento das exportações para a UE não representou necessariamente uma expansão equivalente da produção brasileira. Segundo Santin, parte do volume adicional destinado aos compradores europeus foi redirecionada de outros mercados atendidos pelo Brasil.
Com isso, uma interrupção de curta duração nas vendas para o bloco poderia ser parcialmente compensada pela retomada desses destinos, sem necessidade de mudanças imediatas no nível de produção.
A avaliação da associação é que as empresas também devem preservar as estruturas e os procedimentos exigidos para atender a UE, de modo a facilitar uma eventual retomada das exportações.
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Siga o Times | CNBCA ABPA não prevê, por enquanto, pressão significativa sobre os preços do frango no mercado brasileiro como consequência direta da medida europeia. O impacto, entretanto, dependerá de quanto tempo o bloqueio permanecerá em vigor.
Uma suspensão prolongada poderia produzir efeitos distintos, já que a União Europeia é um destino relevante para as exportações brasileiras e compra produtos de maior valor agregado. A participação europeia também influencia a composição das vendas externas e a formação de preços do setor.
No curto prazo, os estoques formados pelos importadores e o redirecionamento anterior de mercadorias entre diferentes mercados tendem a dar maior margem para a indústria administrar a interrupção.
Paralelamente à entrada em vigor da restrição, uma missão técnica da União Europeia está no Brasil para avaliar os procedimentos de controle adotados na produção destinada ao bloco.
Entre os pontos analisados estão a segregação de lotes e os mecanismos relacionados ao uso de antimicrobianos. Os técnicos também verificam medidas adicionais de fiscalização implementadas pelo governo brasileiro.
Segundo Santin, as empresas já separavam a produção destinada à Europa antes do reforço da fiscalização. Lotes de animais submetidos a determinados tratamentos eram direcionados a outros mercados quando o uso dos medicamentos não era compatível com as exigências europeias, mesmo em situações nas quais os resíduos estivessem dentro dos limites permitidos.
A missão realizou atividades na quarta-feira, 2, incluindo visitas a unidades industriais em Mato Grosso do Sul. Até o momento, não há prazo definido para uma decisão sobre a retomada das exportações.
A eventual reabertura dependerá da avaliação europeia sobre os dados coletados durante a missão e sobre a capacidade dos controles brasileiros de atender às exigências do bloco.
Com o início da restrição nesta quinta-feira, o Brasil deixa de emitir novas certificações para lotes de carne de frango destinados à União Europeia enquanto a medida estiver vigente.
Isso não significa, porém, uma interrupção imediata da chegada de produto brasileiro ao continente. Mercadorias certificadas até quarta-feira, 2, ainda poderão ser embarcadas e desembarcar na Europa nas próximas semanas.
Durante o período de suspensão, a indústria deverá manter os protocolos exigidos pelo mercado europeu. A estratégia busca preservar as condições necessárias para que os embarques possam ser retomados caso a UE considere suficientes os controles sanitários e de produção adotados pelo Brasil.
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