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Consumo de sorvete cresce 13% no Brasil e chega a 8,68 litros por pessoa ao ano

Publicado 23/09/2026 • 07:00 | Atualizado há 47 minutos

KEY POINTS

  • Consumo de sorvete no Brasil cresceu 13%, chegando a 8,68 litros por pessoa ao ano.
  • Sabor é o principal critério de escolha, citado por 62,6% dos consumidores.
  • Mesmo com inflação e uso de medicamentos GLP-1, consumidores tendem a reduzir porções ou frequência, sem abandonar necessariamente o produto ou a marca preferida.

O consumo de sorvete no Brasil chegou a 8,68 litros por pessoa ao ano, segundo levantamento da Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (ABRASORVETE), realizado em parceria com a Empresa Júnior da Fundação Getulio Vargas (EJFGV).

O volume representa crescimento de 13% em relação aos 7,7 litros registrados pela associação dois anos antes.

A pesquisa, divulgada às vésperas do Dia Nacional do Sorvete, celebrado em 23 de setembro, ouviu 2.500 pessoas de diferentes regiões do país. O estudo analisou mudanças no comportamento de compra diante de fatores como inflação, uso de medicamentos para controle de peso, busca por produtos com características funcionais e expansão de alternativas como o açaí.

Os resultados indicam que sabor, qualidade percebida e adequação ao estilo de vida passaram a ter papel relevante nas decisões de consumo. Ao mesmo tempo, parte dos brasileiros tem reduzido a frequência ou o tamanho das porções em vez de abandonar o produto ou trocar de marca.

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Medicamentos para controle de peso alteram tamanho das porções

A pesquisa também investigou o impacto dos medicamentos da classe GLP-1, categoria que inclui produtos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. Cerca de 30% dos participantes afirmaram usar ou já ter usado esse tipo de medicamento.

Entre os usuários atuais, 54,1% disseram ter diminuído a quantidade de sorvete consumida ou optado por porções menores. O comportamento, porém, não significa necessariamente a retirada do alimento da rotina.

Nesse grupo, 11,2% afirmaram consumir sorvete diariamente. Entre as pessoas que não utilizam esses medicamentos, a proporção foi de 2,5%.

Também há maior procura por produtos com características específicas. Entre os usuários das chamadas canetas, 40,5% demonstraram interesse por opções sem açúcar e 36,2% citaram versões com maior teor de proteína. Outros 22,6% disseram estar plenamente dispostos a pagar mais por produtos funcionais ou de categorias consideradas premium.

O levantamento identificou ainda uma mudança após a interrupção do tratamento. Enquanto 34,1% dos usuários atuais relatam algum tipo de restrição ao consumo, essa proporção cai para 13,8% entre aqueles que deixaram de utilizar a medicação.

Alta de preços leva consumidor a reduzir frequência

A inflação também influencia a relação dos brasileiros com o sorvete. Segundo o estudo, diante de aumentos mais acentuados de preço, 51,7% dos entrevistados preferem diminuir a frequência de consumo.

Outra parcela, de 14,5%, procura embalagens ou porções menores. A troca por marcas mais baratas foi apontada por 25,4% dos participantes.

Os dados sugerem que a redução do consumo aparece com mais frequência do que a substituição da marca habitual quando o orçamento fica mais restrito.

Sabor lidera critérios de escolha

Entre os fatores que pesam diretamente na decisão de compra, o sabor ocupa a primeira posição. Esse aspecto foi apontado como principal critério por 62,6% dos entrevistados.

O preço apareceu em seguida, citado por 15,6%. A marca, considerada isoladamente, foi mencionada por 5,2%.

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O resultado mostra que o reconhecimento da empresa ou do produto pode influenciar a decisão, mas o perfil de sabor continua sendo o elemento central para a maioria dos consumidores.

Consumo continua durante os meses frios

Embora o verão permaneça como o período de maior procura, a pesquisa indica que o consumo não desaparece no inverno. Nos meses mais quentes, 71,3% afirmam tomar sorvete pelo menos uma vez por semana.

Já durante o inverno, apenas 8,2% disseram deixar de consumir completamente o produto.

As compras continuam concentradas principalmente em estabelecimentos físicos. Sorveterias e gelaterias respondem por 43,2% das escolhas de canal, enquanto os supermercados representam 35,3%. Juntos, esses dois meios concentram 78,5% das compras apontadas pelos entrevistados.

Delivery ainda tem participação limitada

Os aplicativos de entrega respondem por apenas 4% das compras de sorvete identificadas pelo levantamento.

O preço da entrega aparece como o principal obstáculo. Para 50,6% dos entrevistados, taxas consideradas elevadas são motivo para desistir do pedido. O tempo de espera foi citado por 39,7%.

Esses fatores ajudam a explicar por que a venda presencial ainda tem participação predominante na categoria.

Açaí ocupa espaço diferente na rotina alimentar

O estudo também comparou as ocasiões de consumo de sorvete e açaí. Entre as pessoas que escolhem açaí, 31,3% apontaram como atrativo a possibilidade de acrescentar frutas, caldas e outros acompanhamentos.

Além disso, 18,3% disseram considerar o produto uma alternativa de refeição rápida ou de lanche, inclusive em momentos próximos à prática de exercícios.

O sorvete, por outro lado, continua associado principalmente a situações de lazer e sobremesa. Esse tipo de ocasião foi mencionado por 64,4% dos participantes.

Produtos artesanais e ingredientes naturais atraem interesse

A disposição para pagar mais também foi medida pela pesquisa. Segundo o levantamento, 73,7% dos entrevistados afirmaram aceitar preços maiores por sorvetes classificados como gourmet ou artesanais.

Entre os elementos que justificariam esse valor adicional, 55% citaram o processo artesanal. Ingredientes importados ou associados a uma origem específica foram mencionados por 49,5%.

No segmento relacionado à alimentação considerada mais saudável, a presença de ingredientes naturais foi o atributo de maior interesse, com 40,4% das respostas. Produtos com maior quantidade de proteína apareceram em seguida, com 34,8%.

Os resultados indicam que o mercado brasileiro de sorvetes passa por uma mudança de perfil, com consumidores conciliando prazer, preço, tamanho das porções e características dos ingredientes. O crescimento do consumo per capita ocorre, portanto, ao mesmo tempo em que as escolhas se tornam mais segmentadas e influenciadas por diferentes hábitos de alimentação e compra.

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