CNBC

CNBCChina diverge de G20 em crítica a exportações baratas e desequilíbrios globais, diz Bessent

Notícias do Brasil

Contexto internacional abre oportunidades ao Brasil, mas dívida preocupa, diz ex-presidente do Banco dos BRICs

Publicado 01/09/2026 • 20:12 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Segundo Troyjo, ambiente instável para a economia mundial pode favorecer o Brasil devido ao perfil produtivo do país.
  • “Onde o mundo precisa de segurança alimentar, nós dizemos presente. Onde o mundo precisa de diversidade energética, nós dizemos presente”, afirmou.
  • Economista também destacou a disponibilidade brasileira de minerais críticos e terras raras, insumos que ganharam relevância diante da expansão de novas tecnologias.

Canva

De acordo com Marcos Troyjo, co-chairman do LIDE, diplomata, economista e ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o Brasil chega à transição de 2026 para 2027 diante de forças econômicas em direções distintas.

Em fala durante um evento nesta terça-feira, 1º, o economista acredita que as mudanças na economia mundial aumentam a importância de áreas nas quais o país tem posição relevante, como produção de alimentos, energia e recursos minerais. De outro, o avanço da dívida pública e o custo para financiá-la representam obstáculos internos.

Ao analisar as perspectivas para os próximos anos, Troyjo comparou a situação brasileira a um cabo de guerra entre condições internacionais favoráveis e dificuldades domésticas.

Leia também: Cenário fiscal será determinante para economia brasileira em 2027, diz JPMorgan

Geopolítica amplia espaço para o Brasil

O cenário internacional é marcado pela guerra entre Rússia e Ucrânia, pelas tensões no Oriente Médio e pela disputa econômica e tecnológica entre Estados Unidos e China. Ao mesmo tempo, questões relacionadas à segurança alimentar, à oferta de energia e ao acesso a recursos estratégicos ganharam importância.

Na avaliação de Troyjo, esse ambiente, embora mais instável para a economia mundial, pode favorecer o Brasil devido ao perfil produtivo do país. “Onde o mundo precisa de segurança alimentar, nós dizemos presente. Onde o mundo precisa de diversidade energética, nós dizemos presente”, disse.

O economista também destacou a disponibilidade brasileira de minerais críticos e terras raras, insumos que ganharam relevância diante da expansão de novas tecnologias e das disputas por cadeias estratégicas de produção.

Para Troyjo, o resultado é uma situação incomum: um cenário global mais complexo para grande parte dos países pode, ao mesmo tempo, ampliar as oportunidades brasileiras.

“O mundo está conspirando para o Brasil, o mundo está bom para o Brasil”, afirmou.

Investimentos ultrapassam ciclos políticos

Troyjo apontou ainda o fluxo de investimento estrangeiro direto como sinal do interesse internacional pelo país. Segundo sua análise, o Brasil permaneceu entre destinos relevantes de capital estrangeiro durante governos de orientações políticas e econômicas distintas.

Para ele, essa continuidade sugere que uma parcela dos investidores considera fatores estruturais e oportunidades de longo prazo, e não apenas as mudanças decorrentes do calendário eleitoral.

“Existe um certo tipo de apetite por alocação de recursos, por investimentos de mais longo prazo, que não estão necessariamente olhando para o ciclo político eleitoral”, afirmou.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Nesse ambiente, questões de segurança econômica e geopolítica passaram a ocupar espaço maior nas decisões de governos e empresas. Troyjo classifica essa mudança como uma fase de “ESG 2.0”, na qual temas ambientais, sociais e de governança continuam presentes, mas dividem protagonismo com economia, segurança e geopolítica.

Leia também: Brasil precisa cortar gastos e rever regras do Orçamento para conter desequilíbrio fiscal, diz economista Felipe Salto

Dívida é principal alerta interno

Se as condições externas são vistas como favoráveis, a situação fiscal brasileira aparece no diagnóstico de Troyjo como um dos principais pontos de preocupação. O economista citou estudo de sua autoria sobre dez grandes economias emergentes do G20, com foco na evolução da relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB) desde 2021.

Na comparação apresentada por Troyjo, a Índia mantém uma relação dívida-PIB elevada, mas relativamente estável. A China possui endividamento proporcionalmente alto, porém juros menores reduzem o impacto do serviço da dívida sobre as contas públicas. Já a Indonésia conseguiu reduzir a proporção da dívida em relação ao PIB.

No Brasil, segundo ele, o problema está na combinação entre o tamanho do endividamento, juros elevados e o volume de recursos públicos comprometido com seu financiamento.

“Aquele país que tem a combinação mais perigosa de proporção da dívida em relação ao produto interno bruto e o custo dessa dívida […] é a brasileira”, declarou.

Troyjo acrescentou que não identifica, no período recente, medidas suficientes para alterar essa trajetória. “Nós não vimos nada em tempos recentes da tentativa de conter esse processo. É um processo bastante perigoso”, afirmou.

Leia também: Em evento, Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia, defende corte de gastos e propõe teto para relação entre dívida e PIB

Eleição de 2026 entra no cálculo econômico

As perspectivas fiscais também foram relacionadas pelo economista ao resultado das eleições de 2026. Troyjo avaliou que uma eventual continuidade do atual grupo político no governo reduziria, em sua visão, a possibilidade de uma mudança expressiva na condução da política econômica.

“Se nós tivermos uma continuidade da atual política econômica como resultado da continuidade política […] eu acho que não vem por aí uma correção mais significativa”, disse.

A afirmação representa a avaliação de Troyjo sobre a atual gestão e suas perspectivas para um eventual novo mandato. O economista também demonstrou ceticismo quanto ao início de uma agenda ampla de mudanças econômicas.“Não vejo, de maneira mais entusiasmada, o início de um grande processo de reformas estruturais”, afirmou.

Para Troyjo, essas reformas seriam necessárias para que o país consiga transformar as condições internacionais favoráveis em resultados econômicos internos.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil