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Copom decide Selic nesta quarta-feira com mercado dividido entre manutenção e corte dos juros
Publicado 03/11/2026 • 22:03 | Atualizado há 58 minutos
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Publicado 03/11/2026 • 22:03 | Atualizado há 58 minutos
KEY POINTS
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia nesta quarta-feira (4) a decisão sobre a Selic em um cenário que mudou de forma significativa às vésperas da reunião do colegiado. A tese de uma manutenção da taxa em 13,75% ganhou força entre grandes bancos e no mercado, depois da alta do dólar, da piora das expectativas de inflação e do aumento das incertezas sobre a política fiscal.
Santander, Itaú, XP e Goldman Sachs estão entre as instituições que esperam uma pausa no ciclo de redução dos juros. O Bradesco segue na outra ponta e projeta um corte de 0,25 ponto percentual, que levaria a Selic a 13,50%.
Nesta terça-feira (3), as opções vinculadas à decisão do Copom indicavam probabilidade implícita de 72,5% de manutenção da Selic em 13,75%, contra 26% de chance de redução de 0,25 ponto percentual.
A taxa básica está em 13,75% desde setembro, quando o Copom realizou o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual no atual ciclo de flexibilização monetária.
O Santander revisou sua expectativa nesta terça-feira e retirou a previsão de corte de 0,25 ponto percentual na reunião de novembro.
O economista Marco Antonio Caruso passou a projetar que o Copom mantenha a Selic em 13,75%. Na avaliação do Santander, uma pausa agora seria a forma mais segura de preservar espaço para novas reduções de juros mais adiante.
A revisão representa uma mudança em relação ao cenário traçado pelo banco em setembro. Naquele momento, o Santander esperava mais um corte de 0,25 ponto em novembro, apoiado nos sinais de desaceleração da atividade econômica.
Desde então, o cenário se tornou mais desfavorável para a inflação, com depreciação do real, preços de petróleo mais elevados e deterioração das expectativas para os próximos anos.
O Bradesco permanece entre as instituições que projetam continuidade do ciclo nesta quarta-feira.
O banco espera redução de 0,25 ponto percentual, para 13,50%. A última projeção econômica divulgada pelo banco também apontava continuidade do ciclo de redução dos juros e Selic em 13,25% no fim de 2026.
Mesmo assim, o Bradesco reconhece que o cenário tornou-se mais desafiador. A instituição destacou recentemente a alta do petróleo e a depreciação cambial como fatores capazes de elevar as projeções de inflação do Banco Central.
O Itaú espera manutenção da Selic em 13,75% e avalia que o Copom deverá comunicar uma interrupção do ciclo de cortes.
Para o banco, a decisão deve refletir uma piora do cenário desde a última reunião, tanto no exterior quanto no Brasil.
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Siga o Times | CNBCNo ambiente internacional, o Itaú destaca o aperto das condições financeiras nas economias desenvolvidas e uma nova rodada de alta do petróleo. No mercado doméstico, aponta aumento das pressões inflacionárias e deterioração das expectativas, apesar dos sinais de desaceleração da atividade.
O Itaú estima ainda que a projeção de inflação do modelo do Banco Central para o horizonte relevante possa subir para cerca de 3,4%, acima do centro da meta de 3%.
A XP também mudou sua projeção pouco antes da reunião e passou a esperar manutenção da Selic em 13,75% nesta quarta-feira. Em seu cenário-base, avalia que a taxa pode permanecer nesse nível até o fim de 2027.
Antes, a XP projetava continuidade do ciclo de flexibilização e Selic em 13,25% no encerramento de 2026.
A revisão foi motivada principalmente pela depreciação do real, pelos preços mais altos do petróleo e pelo aumento das expectativas de inflação no médio prazo.
A XP ressalta que o cenário não é definitivo. Novos cortes poderiam voltar à mesa caso os ativos financeiros se estabilizem e as perspectivas para a inflação melhorem.
O Goldman Sachs também espera que o Banco Central mantenha a taxa em 13,75%.
Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do banco, avalia que o cenário de inflação permanece desafiador e que o balanço de riscos se tornou mais desfavorável, reduzindo o espaço para uma nova flexibilização neste momento.
O economista também chama a atenção para a piora das expectativas para 2027. Para o Goldman, não faria sentido realizar novos cortes com base apenas nas projeções mais distantes do horizonte relevante do Banco Central enquanto as perspectivas mais próximas para a inflação continuam se deteriorando.
A mudança das projeções dos bancos ocorre em paralelo à deterioração das expectativas coletadas pelo Banco Central.
No primeiro Boletim Focus após o segundo turno das eleições, a estimativa mediana para a Selic no fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,50%. Para 2027, avançou de 11,75% para 12,50%. A projeção para a inflação de 2027 saltou de 4,34% para 4,76%.
Os números mais recentes do sistema de expectativas mostram, porém, uma mudança ainda mais forte. Entre as projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana já aponta manutenção da Selic em 13,75% nesta quarta-feira e estabilidade nesse nível até pelo menos a primeira reunião de 2027.
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