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Real é a moeda que mais se desvalorizou no mundo após o segundo turno da eleição presidencial
Publicado 03/11/2026 • 22:34 | Atualizado há 46 minutos
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Foto: Unsplash
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O real foi a moeda que mais se desvalorizou no mundo desde a véspera do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. É o que aponta um levantamento da Austin Rating.
Entre 23 de outubro e esta terça-feira (3), a moeda brasileira acumulou queda de 8,3%, o pior desempenho entre 116 moedas acompanhadas pela agência de classificação de risco.
Na sequência aparecem o vatu, de Vanuatu, com queda de 5%, o guarani paraguaio, com 3,3%, e o peso colombiano, com 3%. O rial iraniano completa as cinco maiores desvalorizações do período, com recuo de 2,5%.
| Posição | País | Moeda | Variação (de 23/out a 3/nov) |
| 1º | Brasil | Real | -8,3% |
| 2º | Vanuatu | Vatu | -5,0% |
| 3º | Paraguai | Guarani | -3,3% |
| 4º | Colômbia | Peso colombiano | -3,0% |
| 5º | Irã | Rial iraniano | -2,5% |
| 6º | Israel | Shekel | -1,8% |
| 7º | Bolívia | Boliviano | -1,8% |
| 8º | Samoa | Tala | -1,7% |
| 9º | Nova Zelândia | Dólar Neozelandês | -1,5% |
| 10° | Coreia do Sul | Won | -1,3% |
Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, a distância entre o desempenho do real e o das demais moedas mostra que fatores domésticos têm peso relevante na deterioração do câmbio.
“Obviamente, a gente tem problemas muito mais internos do que o que tem acontecido com o dólar de fortalecimento”, afirmou ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo ele, outras moedas também vêm sofrendo com o ambiente internacional e com o nível dos juros nos Estados Unidos, mas a intensidade da queda do real aponta para preocupações específicas com o Brasil.
“Isso sintetiza bem esse nervosismo do mercado financeiro, que acaba canalizando na desvalorização do real”, disse.
Agostini relaciona parte da pressão sobre a moeda brasileira às dúvidas dos investidores em relação à condução da política fiscal.
Para o economista, o comportamento do câmbio funciona como um termômetro da percepção de risco e da confiança dos investidores, especialmente os estrangeiros.
“Isso dá uma boa amplitude do problema fiscal, da perda de credibilidade que, por ora, o Brasil tem em relação aos investidores, especialmente os estrangeiros”, afirmou.
O real se distanciou de moedas de outras economias emergentes no levantamento. O peso mexicano, por exemplo, caiu 0,4% no período, enquanto o peso chileno teve valorização de 1,3%. O rand sul-africano ficou praticamente estável.
Agostini destaca que movimentos específicos explicam parte do desempenho de países que aparecem próximos ao Brasil no ranking. Em Vanuatu, segundo ele, houve ajuste no regime cambial. No Paraguai, o economista cita problemas recentes de liquidez no sistema financeiro.
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Siga o Times | CNBCNo caso brasileiro, porém, ele vê o movimento ligado principalmente à percepção dos investidores sobre a economia e as políticas que serão adotadas nos próximos anos.
O economista também relacionou o levantamento ao debate sobre a proposta de André Lara Resende de reduzir a Selic para cerca de 7,5% ao ano e recorrer às reservas internacionais para conter uma eventual pressão sobre o câmbio.
Para Agostini, o comportamento recente do real mostra que intervenções com reservas não são capazes, sozinhas, de neutralizar movimentos persistentes do mercado.
“Não é bem assim que funciona. As coisas não são tão simples assim”, afirmou.
Segundo ele, caso a pressão pela compra de dólares seja suficientemente forte, o uso das reservas pode ter efeito limitado.
“Se o mercado quiser, ele vira essas reservas internacionais, apoia esse câmbio e vai embora”, completou.
Na avaliação do economista, o momento exige prudência na condução das políticas fiscal e monetária e medidas capazes de recuperar a confiança dos investidores.
O levantamento da Austin mostra que a maior parte das moedas teve variações bem menores desde 23 de outubro.
O iene japonês recuou 1%, o dólar australiano caiu 0,8% e a lira turca perdeu 0,5%. Já a libra esterlina avançou 0,3%, o franco suíço subiu 0,5% e a coroa sueca teve valorização de 1,3%.
Na ponta positiva do ranking, a rupia de Seychelles avançou 10,7% e o xelim de Uganda subiu 5%.
Para Agostini, a diferença reforça a leitura de que a pressão recente sobre o real não pode ser explicada apenas pelo fortalecimento global do dólar.
“É um pouco esse termômetro do sentimento do mercado e dessa necessidade de resgatar a confiança dos investidores”, concluiu.
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