CNBC

CNBCEleições nos EUA: primeiras urnas fecham enquanto o controle da Câmara e do Senado permanece indefinido

Notícias do Brasil

Vinicius Torres Freire: piora do Focus coloca Banco Central em uma ‘sinuca de bico’ sobre decisão da Selic

Publicado 03/11/2026 • 22:15 | Atualizado há 45 minutos

KEY POINTS

  • Analista afirma que alta das projeções de inflação, dólar e juros reforça deterioração já observada nos mercados após a eleição.
  • Mercado futuro indica cerca de 70% de chance de manutenção da Selic na decisão do Copom desta quarta-feira.
  • Para Torres Freire, eventual corte poderia gerar percepção de interferência política, mesmo sem que essa seja a intenção do Banco Central.

A piora das expectativas para inflação, câmbio e juros tornou “praticamente impossível” um corte da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (4), avaliou Vinicius Torres Freire, analista de política e economia do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

A análise veio após a divulgação do primeiro Boletim Focus elaborado depois da eleição presidencial. O levantamento mostrou revisão para cima das projeções de inflação, dólar e Selic, enquanto as estimativas para o crescimento econômico foram reduzidas.

“Piorar as expectativas de inflação, expectativas para câmbio e expectativas de redução da Selic. Nesse ambiente fica praticamente impossível o BC baixar a taxa de juros”, afirmou Torres Freire.

Segundo o analista, os números confirmam uma deterioração que já aparecia nos preços de mercado.

“Ficou ainda pior. Uma confirmação do que a gente já estava vendo no mercado”, disse.

Inflação esperada sobe após eleição

No Focus, a projeção de inflação para 2026 passou de 5,19% para 5,22%.

A revisão foi mais intensa nos anos seguintes. Para 2027, a estimativa subiu de 4,34% para 4,76%. Para 2028, passou de 3,75% para 4%, enquanto a previsão para 2029 avançou de 3,51% para 3,98%.

Para Vinicius, a piora das expectativas reduz ainda mais o espaço do Banco Central para flexibilizar a política monetária.

“As expectativas de inflação subiram. Com expectativa desancorada, a inflação tende a ser maior e, de qualquer modo, é difícil baixar taxa de juros assim”, afirmou.

O analista destacou que as taxas de juros de prazos mais longos, que não são determinadas diretamente pelo Banco Central, já vinham subindo fortemente.

Segundo ele, esses juros chegaram a níveis próximos dos observados durante a turbulência de janeiro de 2025.

Mercado eleva projeção para Selic

O Focus também mostrou aumento das estimativas para a taxa básica de juros.

Para o fim de 2026, a projeção passou de 13,25% para 13,5%. Em 2027, avançou de 11,75% para 12,5%. Para 2028, passou de 10% para 11%, e, para 2029, de 10% para 10,25%.

Torres Freire afirmou que a combinação entre inflação esperada mais alta e juros longos pressionados coloca o Banco Central em uma posição especialmente delicada.

“O BC está numa sinuca de bico”, disse.

Segundo ele, as apostas financeiras indicavam naquele momento cerca de 70% de probabilidade de manutenção da Selic na decisão desta quarta-feira.

“O mercado nas aplicações financeiras, o mercado de futuros, está achando que a chance de a Selic ficar no mesmo nível na decisão do Copom amanhã é perto de 70%”, afirmou.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Alta de juros já entra no radar

Vinicius afirmou ainda que parte do mercado já considera a possibilidade de uma elevação da Selic na reunião seguinte do Copom, caso as condições financeiras continuem se deteriorando.

“Tem gente achando que já pode ter uma alta da Selic com 50% de probabilidade na próxima reunião, sem ser essa”, disse.

Para o analista, a combinação de câmbio depreciado, inflação esperada mais alta e juros longos elevados alterou significativamente o cenário para a política monetária.

“A situação das condições financeiras piorou muito no mercado, nas expectativas dos economistas que fazem projeções”, afirmou.

Corte poderia gerar ruído político

Torres Freire também avaliou que uma redução da Selic neste momento poderia provocar interpretações políticas no mercado financeiro.

“Se baixar a taxa, pode passar a impressão de que está fazendo uma atuação política, mesmo que não seja”, afirmou.

Segundo ele, o problema estaria no contraste entre um eventual corte e a deterioração recente dos indicadores financeiros e das projeções econômicas.

“Vai ficar muito estranho se baixar, mesmo que a intenção não seja política. Vai passar a impressão de que é política”, disse.

Dólar e PIB também pioram

O levantamento mostrou ainda aumento das projeções para o dólar. A estimativa para o fim de 2026 passou de R$ 5,05 para R$ 5,34, enquanto a previsão para 2027 subiu de R$ 5,15 para R$ 5,40.

Para 2028, a projeção avançou de R$ 5,20 para R$ 5,40 e, para 2029, de R$ 5,28 para R$ 5,45.

Ao mesmo tempo, a expectativa de crescimento do PIB em 2026 recuou de 1,8% para 1,76%. Para 2027, caiu de 1,31% para 1,20%.

Na avaliação de Torres Freire, o movimento é compatível com uma economia pressionada por juros elevados e pelo endividamento de famílias, empresas e governo.

“A gente está numa situação de governo e famílias endividadas, empresas endividadas, com taxa de juros alta. Então a gente tem desaceleração econômica”, afirmou.

Para Vinicius, o conjunto das novas projeções reforça o grau de dificuldade da próxima decisão do Banco Central.

“Ficou ainda pior”, resumiu.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil