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Corte da Selic já era esperado, mas o comunicado foi a maior surpresa positiva da decisão, que deixa novo corte no radar, diz chefe de estratégia da Warren

Publicado 06/08/2026 • 11:10 | Atualizado há 59 minutos

KEY POINTS

  • O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, em decisão já esperada pelo mercado.
  • O comunicado mais enxuto deixou em aberto os próximos passos da política monetária.
  • Luis Felipe Vital, da Warren Rena, projeta novo corte de 0,25 ponto na próxima reunião, apesar dos riscos inflacionários, fiscais e externos.

O corte de 0,25 ponto percentual na Selic já era esperado pelo mercado, mas a comunicação mais clara do Copom foi a principal surpresa positiva da decisão. A avaliação é de Luis Felipe Vital, chefe de Estratégia Macro e Dívida Pública da Warren Rena, em entrevista ao Pré-Market, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo o estrategista, o Banco Central reduziu os detalhes que haviam gerado dúvidas após a reunião anterior, reafirmou o compromisso com a convergência da inflação para a meta e evitou antecipar o que fará no próximo encontro.

“Quanto à decisão, não tem surpresa nenhuma. O mercado estava bastante posicionado para um corte de 25 pontos, como de fato aconteceu. Agora, a surpresa que eu entendo como positiva foi a comunicação”, afirmou.

Vital avaliou que o comunicado foi mais objetivo e apresentou uma justificativa compatível com a redução dos juros. Para ele, a autoridade monetária também preservou a flexibilidade necessária diante de um cenário de incerteza acima do habitual.

Leia mais: Copom reduz taxa de juros para 14% ao ano; corte de 0,25 p.p. da Selic é o quarto seguido do BC

Próxima decisão segue aberta

O Copom não sinalizou se voltará a reduzir a Selic na próxima reunião. Na avaliação do estrategista, a ausência de indicação ocorre porque o Banco Central ainda precisa acompanhar fatores internos e externos antes de definir os próximos passos.

Entre os pontos citados estão a política monetária dos Estados Unidos sob a presidência de Kevin Warsh, o conflito no Oriente Médio, a volatilidade do petróleo, a atividade econômica brasileira e o mercado de trabalho.

Também pesam os dados correntes de inflação, que têm vindo melhores do que o esperado, enquanto algumas projeções para os próximos anos pioraram.

No fechamento anterior à decisão, o mercado precificava uma redução de 0,15 ponto percentual na próxima reunião, movimento que, segundo Vital, mostrava divisão entre um novo corte e a manutenção da taxa.

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A Warren Rena, porém, espera outra redução de 0,25 ponto percentual.

“Nossa expectativa é que, pela comunicação, o Banco Central siga cortando em mais 25 pontos na próxima reunião”, disse.

Expectativas de inflação preocupam

Vital apontou a desancoragem das expectativas de inflação como um dos principais desafios para o Banco Central. Quando as projeções do mercado permanecem acima do centro da meta, explicou, a taxa de juros tende a ficar elevada por mais tempo.

O Banco Central projetou inflação de 3,2%, próxima do centro da meta de 3%. Vital ponderou, porém, que projeções feitas em períodos de elevada incerteza têm menor grau de confiança.

No Boletim Focus, a expectativa para 2028 subiu recentemente de 3,6% para 3,8%, segundo o estrategista.

Ele também citou a política fiscal como fator de risco. Medidas que estimulem a demanda podem dificultar o trabalho do Banco Central, embora o ritmo de execução dessas ações ainda seja lento, segundo Vital.

Outro desafio é a resistência da atividade econômica e do mercado de trabalho mesmo com a Selic em nível elevado.

Para o estrategista, a combinação entre expectativas de inflação, riscos fiscais, incerteza externa e atividade resiliente justifica a cautela do Copom e a ausência de uma sinalização fechada sobre os próximos passos.

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