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Críticas ao Pix são “desculpa” dos EUA para justificar tarifas contra o Brasil, diz Galípolo

Publicado 16/07/2026 • 21:46 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Presidente do Banco Central afirmou que o Pix é o caso mais evidente de tentativa de criar uma justificativa para a medida comercial.
  • Galípolo disse que o mercado de cartões cresceu 150% após a implementação do sistema.
  • Segundo ele, os EUA não propuseram retirar a gestão do Pix do BC, e o objetivo concreto das críticas não ficou claro.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que os argumentos apresentados contra o Pix são uma “desculpa” para tentar justificar as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.

Durante coletiva de imprensa do governo nesta quinta-feira (16), Galípolo disse que o sistema de pagamentos representa o caso mais evidente de uma tentativa de construir uma lógica para sustentar a medida comercial americana.

“Os argumentos contra o Pix configuram o caso mais flagrante de entendimento de que, na verdade, os argumentos são algum tipo de desculpa para tentar criar algum tipo de lógica, entre várias aspas, para aplicar uma tarifa”, afirmou.

Segundo o presidente do BC, as justificativas inicialmente apresentadas pelos Estados Unidos estavam relacionadas ao resultado da balança comercial, mas precisaram ser alteradas. No caso do Pix, ele avaliou que as críticas têm pouco fundamento.

Galípolo comparou a argumentação à tentativa de responsabilizar uma infraestrutura pública pelo impacto sobre modelos mais antigos de prestação de serviços.

“Seria mais ou menos como você tentar dizer que, ao criar o saneamento básico, prejudicou a receita de quem tem caminhão-pipa”, disse.

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O presidente do Banco Central também rebateu a avaliação de que o Pix teria prejudicado empresas de cartões. Segundo ele, o mercado de cartão de crédito cresceu 150% desde a implementação do sistema, enquanto cheques e dinheiro físico foram os principais meios de pagamento que perderam espaço.

“Quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico, o que é absolutamente desejável para todos”, afirmou.

Na avaliação de Galípolo, o Pix reduziu custos de transação e beneficiou consumidores, empresas, instituições financeiras e o setor público.

“O caso da implementação do Pix consegue se configurar como um desses em que ele é benéfico para quem demanda e para quem oferta, para o setor público e para o setor privado”, disse.

O presidente do BC afirmou que o sistema brasileiro é reconhecido internacionalmente e serve de referência para outras autoridades monetárias. Segundo ele, a instituição já assinou termos de cooperação técnica com mais de 47 bancos centrais interessados em desenvolver sistemas de pagamentos instantâneos.

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Galípolo disse que países e regiões como Estados Unidos, China, Índia, Singapura e Europa já adotaram ou estudam mecanismos semelhantes. “O Pix é hoje uma referência internacional”, afirmou.

Segundo ele, o Banco Central continuará desenvolvendo o sistema, preservando suas características centrais.

“A gente vai seguir sempre fornecendo o Pix como algo gratuito, seguro e instantâneo”, disse.

Questionado se os Estados Unidos chegaram a propor que a gestão do Pix deixasse o Banco Central, Galípolo respondeu que não. Ele acrescentou que foi difícil identificar qual era o objetivo concreto das críticas americanas.

“Na verdade, até a identificação do que efetivamente era o pleito fica difícil de compreender”, afirmou.

Galípolo defendeu que sistemas de pagamentos funcionem como infraestruturas públicas, abertas aos diferentes participantes do mercado. Segundo ele, esse modelo favorece a concorrência, a inclusão financeira e o avanço tecnológico.

“A gente vê que o Brasil está na fronteira do ponto de vista tecnológico, de inclusão financeira e de competição dentro do nosso sistema financeiro”, disse.

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Na avaliação do presidente do BC, alguns argumentos apresentados contra o Pix acabam reforçando a necessidade de manter pública a infraestrutura. Ele afirmou que um sistema controlado por um participante privado poderia restringir o acesso de concorrentes e criar cobranças sobre um serviço que atualmente reduz custos para a sociedade.

“Você quer ter um participante que vai controlar quem entra e quem sai, que possa passar a cobrar uma tarifa sobre uma infraestrutura que hoje é pública para o brasileiro e para o sistema como um todo”, afirmou.

Galípolo concluiu que a experiência internacional reforça a posição brasileira sobre o sistema de pagamentos instantâneos.

“O Pix é realmente um modelo e é o caminho para onde todo mundo está indo”, disse.

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