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Tarifas e guerra devem manter juros elevados e volatilidade no segundo semestre

Publicado 16/07/2026 • 19:13 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Lifetime projeta inflação entre 3,5% e 4% nos Estados Unidos e próxima de 5% no Brasil em 2026.
  • Economista espera manutenção dos juros americanos e cortes de 0,25 ponto percentual pelo Banco Central brasileiro.
  • Correções no mercado podem abrir oportunidades em ações de empresas sólidas e títulos de renda fixa.

O aumento das tensões geopolíticas e a política tarifária dos Estados Unidos devem manter os juros globais em níveis mais elevados e provocar novos episódios de volatilidade no mercado financeiro ao longo do segundo semestre. É o que afirma Marcela Kawauti, economista-chefe da gestora Lifetime.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Kawauti afirmou que a alta do dólar e a queda da bolsa brasileira refletem uma combinação de fatores externos, incluindo as novas tarifas americanas, a postura mais conservadora do Federal Reserve (Fed) e a retomada das incertezas relacionadas à guerra no Oriente Médio.

“Tem a ver, sim, com o tarifaço, mas tem a ver com o tarifaço chegando em um momento em que o Banco Central se mostra mais duro contra a inflação”, disse.

Segundo a economista, os dados recentes de inflação nos Estados Unidos trouxeram algum alívio, mas as declarações do presidente do Fed reforçaram a perspectiva de manutenção dos juros elevados. A leitura do mercado foi de que a autoridade monetária continuará priorizando a estabilidade de preços.

Nesse cenário, investidores buscaram proteção no dólar, pressionando moedas de países emergentes, como o real. Kawauti afirmou que o movimento não foi provocado por notícias domésticas, mas pelas expectativas para os juros americanos e pelos impactos das tarifas.

Apesar de parte das medidas já estar incorporada aos preços dos ativos, a economista avalia que o mercado ainda pode enfrentar novos solavancos. Segundo ela, o presidente dos Estados Unidos tem utilizado sanções e tarifas como instrumentos de política externa, o que amplia a imprevisibilidade.

“A gente não sabe qual vai ser a próxima notícia vinda do presidente americano. Ele tem surpreendido o mercado de uma forma recorrente e de uma forma muito intensa”, afirmou.

Kawauti também destacou a incerteza em torno do conflito no Oriente Médio. De acordo com ela, as perspectivas de um acordo diminuíram, enquanto Estados Unidos e Irã voltaram a se afastar nas negociações envolvendo o Estreito de Ormuz.

“Não dá para esperar um segundo semestre tranquilo”, disse.

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Juros devem cair mais lentamente no Brasil

A Lifetime trabalha com um cenário de juros mais altos do que o projetado no início do ano, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Kawauti afirmou que isso não significa necessariamente novas altas, mas uma trajetória de redução mais lenta.

Nos Estados Unidos, a discussão deixou de ser quando o Fed começaria a cortar os juros e passou a se concentrar na possibilidade de manutenção das taxas até o fim do ano. A pressão do petróleo sobre os combustíveis e os efeitos das tarifas sobre os preços reforçam essa expectativa.

No Brasil, a economista espera que o Banco Central continue reduzindo a Selic, mas em ritmo de 0,25 ponto percentual por reunião. Antes do agravamento das tensões internacionais, o mercado projetava cortes de 0,50 ponto.

“O Banco Central vai mais devagar aqui no Brasil e não vai tão longe”, afirmou. “Para o segundo semestre, a gente deve esperar pelo menos a manutenção dos juros nos Estados Unidos e cortes a passos muito lentos pelo Banco Central brasileiro.”

Inflação pode chegar a 5% no Brasil

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Para os Estados Unidos, a Lifetime projeta inflação entre 3,5% e 4% em 2026, acima da meta de 2% perseguida pelo Fed e do nível próximo de 3% registrado no fechamento de 2025.

Segundo Kawauti, as tarifas e a guerra devem provocar uma aceleração relevante dos preços, exigindo uma postura conservadora da autoridade monetária americana.

No Brasil, a projeção da gestora é de inflação próxima de 5% no fim de 2026. No início do ano, os economistas esperavam uma taxa em torno de 4%, segundo a entrevistada.

Além do petróleo e da demanda doméstica, a economista apontou o fenômeno El Niño como um possível vetor inflacionário no segundo semestre. Mudanças nos regimes de chuva e seca podem afetar as safras e pressionar os preços dos alimentos a partir de setembro.

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Tecnologia pode apresentar recuperação

Kawauti afirmou que o setor de tecnologia, que impulsionou as bolsas americanas durante 2025 e no início de 2026, passa por um movimento de correção após um período prolongado de valorização.

A queda coincidiu com o aumento das tensões geopolíticas, ampliando a pressão sobre as ações. Apesar disso, a economista não vê, neste momento, uma tendência de retração prolongada semelhante à registrada durante a pandemia.

“Essa volta da bolsa foi mais um ajuste do que uma tendência de queda”, disse.

Segundo ela, o setor ainda pode apresentar surpresas positivas ao longo do segundo semestre, diante da velocidade de adoção de novas tecnologias e do impacto dessas ferramentas sobre os resultados das empresas.

Volatilidade pode abrir oportunidades

Para os investidores brasileiros, Kawauti recomendou cautela, mas afirmou que momentos de correção podem oferecer pontos de entrada em ativos de qualidade.

Na renda variável, ela sugeriu atenção a empresas sólidas, com baixo endividamento, cujas ações tenham recuado por fatores externos e não por deterioração dos fundamentos.

Na renda fixa, a expectativa de inflação e juros elevados aumenta a remuneração oferecida pelos títulos. Segundo a economista, esse ambiente pode permitir ao investidor garantir um “bom carrego”, com retornos mais altos ao longo do período.

“É primeiro o investidor entender qual é o apetite de risco, se ele gosta mais de renda fixa ou de renda variável, e aproveitar esses momentos de correção para fazer boas compras”, afirmou.

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