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Diplomacia deve ser prioridade para destravar acordo tarifário entre Brasil e EUA
Publicado 29/06/2026 • 11:45 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 29/06/2026 • 11:45 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A diplomacia deve ser o principal instrumento para tentar destravar as negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre as tarifas aplicadas a produtos brasileiros, afirmou o sócio da Valor Investimento, Gabriel Secco. Segundo ele, embora as medidas sejam apresentadas como comerciais, fatores políticos, regulatórios e ambientais tornam as negociações mais complexas e ampliam a insegurança para exportadores.
As negociações entre Brasil e Estados Unidos seguem sem avanço em meio a divergências que vão além da economia. Para Gabriel Secco, as tarifas impostas pelos norte-americanos fazem parte de uma estratégia que reúne interesses políticos, ambientais e regulatórios, tornando mais difícil a construção de um acordo.
Segundo o especialista, a discussão tarifária extrapola o campo comercial e ganhou forte repercussão política no Brasil, alimentando discursos tanto do governo quanto da oposição.
“As tarifas, na forma, a gente está falando de economia, mas, no conteúdo, é política pura. Tem política, tem economia, aspectos ambientais e regulatórios. Apesar de o governo americano dizer que é uma ação puramente econômica, a gente sabe que não é puramente comercial”, afirmou em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta segunda-feira (29).
Secco também destacou que temas como política ambiental brasileira e o ambiente regulatório para grandes plataformas digitais aparecem entre os fatores que influenciam o relacionamento entre os dois países.
Na avaliação do especialista, poucos setores devem permanecer protegidos das medidas tarifárias por atenderem diretamente aos interesses estratégicos dos Estados Unidos, como os segmentos de aeronaves, energia, terras raras e carne.
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Para os demais setores, o impacto pode ser significativo, principalmente para empresas mais dependentes das exportações ao mercado norte-americano e que enfrentam concorrência internacional.
“A solução mais rápida e barata vai ser o diálogo e a diplomacia. Procurar outro mercado consumidor não é simples nem rápido. Tornar-se mais produtivo para compensar o aumento de impostos também não”, explicou.
Segundo Secco, mesmo antes de uma definição, a incerteza já produz efeitos sobre a economia, levando empresas a reduzir a produção, renegociar contratos e adiar investimentos.
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Ele acrescentou que, caso as tarifas avancem, a expectativa é de uma redução de 0,2 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, embora os efeitos possam ser muito mais intensos em segmentos específicos.
O especialista afirmou que algumas empresas conseguem antecipar embarques para reduzir parte dos impactos, mas ressaltou que essa estratégia é limitada.
Além do curto prazo para adaptação, os custos elevados do frete marítimo e dos seguros, pressionados pelos conflitos no Oriente Médio, dificultam uma reação mais ampla das exportadoras.
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“Mesmo quem consegue antecipar exportações terá apenas um respiro de dois ou três meses. Não é uma solução definitiva se os entraves não forem resolvidos”, observou.
Para Secco, a diplomacia deve concentrar os esforços do governo brasileiro diante do cenário atual.
Ele avaliou que o histórico do presidente norte-americano Donald Trump mostra uma estratégia de anunciar medidas mais duras como instrumento de pressão durante as negociações. “A diplomacia deveria ser o plano A, B e C do governo, por ser o caminho mais barato e rápido”, afirmou.
Embora considere possíveis alternativas, como incentivos fiscais ou medidas de estímulo à competitividade, o especialista ponderou que essas iniciativas demandam tempo, recursos públicos e enfrentam limitações adicionais em um período eleitoral, reforçando a necessidade de uma solução negociada entre os dois países.
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