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Dono da Cimed é acusado de usar fórmulas de outra empresa para lançar seis produtos de higiene bucal

Publicado 06/11/2026 • 09:45 | Atualizado há 17 minutos

KEY POINTS

  • Dono da Cimed, João Adibe é acusado de utilizar fórmulas da Suavetex para lançar seis produtos de higiene bucal após negociações de uma parceria comercial.
  • Suavetex pede indenização mínima de R$ 10 milhões e afirma que a Cimed teria utilizado informações técnicas obtidas durante tratativas que incluíram uma proposta de aquisição por R$ 120 milhões.
  • Cimed nega irregularidades, afirma que a marca Super é de sua propriedade e sustenta que a Justiça já rejeitou pedidos da Suavetex na esfera cível.
João Adibe

Foto: Divulgação

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O empresário João Adibe, presidente e controlador da Cimed, é alvo de uma queixa-crime apresentada pela fabricante de produtos de higiene pessoal Suavetex. A empresa acusa o executivo e outros integrantes do grupo farmacêutico de utilizar fórmulas obtidas durante negociações comerciais para desenvolver e lançar seis produtos de higiene bucal sem sua participação.

Segundo a Suavetex, as formulações foram compartilhadas com a Cimed durante as tratativas para a criação de uma sociedade entre as empresas. A parceria previa que a fabricante ficaria responsável pela produção dos itens, enquanto a Cimed atuaria na distribuição e comercialização sob a marca Carmed.

A fabricante afirma que, após receber informações técnicas dos produtos, Adibe teria anunciado o cancelamento da marca Carmed 12 horas, interrompido as negociações e utilizado outra empresa para colocar os itens no mercado. Os produtos teriam sido posteriormente lançados sob a marca Super.

De acordo com informações divulgadas pelo Metrópoles, a Suavetex sustenta que os seis produtos chegaram ao mercado em dezembro de 2025 com a mesma composição e os mesmos códigos de barras previstos no projeto original. A empresa atribui a sete integrantes da Cimed, incluindo João Adibe, supostos crimes contra a propriedade industrial.

Negociações envolveram proposta de compra por R$ 120 milhões

Conforme a queixa-crime, as fórmulas foram entregues à Cimed para viabilizar o registro dos produtos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A documentação seria uma etapa necessária para a futura fabricação e comercialização dos itens dentro da sociedade planejada.

Em agosto de 2025, Adibe teria comunicado à Suavetex o cancelamento da marca prevista para os lançamentos. A decisão ocorreu depois que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a criação de uma joint venture entre a Cimed, o Grupo Globo e a Joatinga Capital Ltda., empresa ligada ao apresentador Luciano Huck.

No mês seguinte, a Suavetex afirma ter aceitado uma proposta de Adibe para a aquisição de 100% de seu capital pelo valor de R$ 120 milhões. Durante essa nova etapa das negociações, a Cimed teria recebido informações adicionais sobre os produtos e as atividades da fabricante.

Ainda segundo a petição, poucos dias após o compartilhamento dos dados, o empresário teria deixado de responder aos contatos da Suavetex, sem dar continuidade às tratativas de aquisição.

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Produtos teriam sido registrados por outra fabricante

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A Suavetex relata que, em outubro de 2025, a Cimed notificou à autoridade sanitária seis produtos com as mesmas características daqueles desenvolvidos durante a negociação. Dessa vez, os itens apareceram vinculados à marca Super, com a Icefresh Indústria e Comércio do Brasil Ltda. identificada como fabricante.

Na ação, a Suavetex argumenta que os envolvidos teriam atuado de maneira coordenada para obter as formulações mediante a promessa de uma parceria comercial e, posteriormente, explorar os produtos sem a participação da empresa responsável pelo desenvolvimento.

A fabricante solicita uma indenização mínima de R$ 10 milhões por danos morais. Também pede o ressarcimento de prejuízos materiais, cujo valor deverá ser calculado em uma etapa posterior.

Como parte de sua argumentação, a Suavetex menciona uma projeção atribuída a João Adibe de que a categoria de higiene bucal da Cimed poderia movimentar R$ 1 bilhão em vendas ao consumidor em 2026.

Luciano Huck e Roberto Marinho Neto são indicados como testemunhas

A defesa da Suavetex incluiu o apresentador Luciano Huck e Roberto Marinho Neto, herdeiro do Grupo Globo, na relação de testemunhas da queixa-crime. A indicação de Huck está relacionada à sua atuação como representante da Joatinga Capital Ltda. e integrante do Comitê de Marketing e Mídia da Cilab S.A. Roberto Marinho Neto também participa do mesmo comitê.

Os dois foram mencionados em razão de suas funções na estrutura empresarial relacionada à parceria aprovada pelo Cade.

Cimed contesta acusações e cita decisões judiciais favoráveis

Em manifestação sobre o caso, a Cimed rejeitou as alegações da Suavetex e afirmou que mantém suas relações comerciais com fornecedores com base na boa-fé, na transparência e no cumprimento das obrigações contratuais. A companhia também declarou que a Justiça já negou pedidos apresentados pela Suavetex em processos na esfera cível, tanto em primeira quanto em segunda instância.

Para a Cimed, a nova queixa-crime representa uma tentativa da fabricante de contestar, por outro caminho judicial, decisões anteriores desfavoráveis aos seus interesses. O grupo afirma confiar que as acusações também serão consideradas improcedentes.

Sobre os produtos questionados, a empresa esclareceu que a marca Super pertence exclusivamente à Cimed e não faz parte da sociedade constituída com o Grupo Globo, tampouco integra o patrimônio da Cilab. A companhia acrescentou que a campanha publicitária da Super exibida durante o Big Brother Brasil 2026 foi contratada e financiada diretamente pelo grupo.

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